Sabe aquele momento em que você entra na loja só para “dar uma olhadinha” e sai com o estoque inteiro? Pois é. Parece que o MALBA (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires) acordou com essa energia, só que numa escala que faria o limite do meu cartão de crédito chorar em posição fetal.
A notícia é a seguinte: o museu argentino decidiu que ter um acervo incrível não era suficiente. Eles precisavam de mais. Então, numa jogada digna de um colecionador que trata obras-primas como quem coleciona figurinhas da Copa, o MALBA adquiriu a Coleção Daros Latinamerica.
Estamos falando de algo em torno de US$ 45 milhões (ou, como gosto de chamar, o PIB de uma pequena nação insular) para trazer de volta da Suíça um caminhão de obras fundamentais da nossa arte.
A ironia fina da coisa Vamos ser honestos: tem um sabor delicioso de ironia nisso tudo. Durante décadas, a “Coleção Daros” ficou lá em Zurique, na Suíça, guardada com aquele rigor europeu, provavelmente num ambiente tão estéril e seguro que as obras nem lembravam mais o que era umidade tropical ou instabilidade política.
Agora, essas peças voltam para o seu habitat natural. É quase um resgate. O Eduardo Costantini (o fundador do MALBA e o cara que, lembrem-se, é dono do nosso Abaporu) basicamente olhou para o mapa e disse: “Traz tudo de volta. A festa é aqui no Sul”.
O que isso significa na prática? O acervo do MALBA vai praticamente dobrar. Imaginem só: o museu já era a “Meca” para quem queria entender o que diabos aconteceu nas artes visuais deste continente nos últimos séculos. Agora? Agora virou parada obrigatória até para quem acha que arte é só decoração de sala de estar.
Estão vindo obras de gente do calibre de Cildo Meireles, Julio Le Parc e outros gigantes que usam a arte para dar aquele soco no estômago necessário.
O Veredito No fundo, a gente pode revirar os olhos para os valores obscenos que giram nesse mercado — e deve, porque US$ 45 milhões é dinheiro para caramba —, mas, dessa vez, a megalomania teve um final feliz. Ao invés de ficar trancada num cofre de um banco suíço servindo de ativo financeiro para gringo, a nossa arte volta para onde o sangue ferve.
Agora, só resta saber se eles vão ter parede suficiente para pendurar tudo isso. Se faltar espaço, Costantini, pode mandar umas peças aqui para o meu ateliê. Prometo que cuido bem (ou pelo menos, não deixo debaixo da cama).








