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Paraná implementa nova política de prevenção da fragilidade óssea

Por Redação O Maringá
3 de março de 2026
Paraná implementa política de prevenção da fragilidade óssea

A estratégia de prevenção à fragilidade óssea no Sistema Único de Saúde (SUS) é conduzida pela Secretaria de Estado da Saúde Foto: Sesa

O Paraná estruturou uma nova estratégia de prevenção à fragilidade óssea no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), integra acompanhamento especializado para o tratamento e reabilitação da osteoporose visando reduzir o risco de novas fraturas e diminuir a mortalidade associada à condição. O projeto foi implementado de maneira pioneira na região Norte e está em processo de expansão para outros hospitais.

A estratégia implantada organiza o cuidado desde o momento da fratura até o seguimento ambulatorial. O paciente é identificado ainda no hospital, encaminhado para avaliação especializada e passa a integrar um protocolo de acompanhamento periódico. O modelo também prevê orientação sobre prevenção de quedas, avaliação clínica, solicitação de exames quando indicados e início de tratamento específico para fortalecimento ósseo, garantindo acompanhamento adequado aos pacientes.

Após sofrer a primeira fratura, o paciente com essa condição de saúde passa a ter risco elevado de novas ocorrências, principalmente no primeiro ano. Por isso, o modelo adotado pelo Estado, do Fracture Liaison Service (FLS), que é padrão internacional, não se limita ao atendimento emergencial, ele estabelece um fluxo de cuidado contínuo.

“O grande desafio é que a osteoporose não dói. Muitas pacientes só descobrem a doença depois de uma fratura”, explica o Fernando Yabushita, coordenador do programa de Pós-Graduação em Exercício e Promoção da Saúde da Unopar, parceiro do Estado na região Norte do Paraná, onde o programa começou a ser implementado em parceria com o Hospital Universitário de Londrina (HU-UEL). “Quando essa fratura acontece, o risco de uma nova lesão aumenta muito. É por isso que o acompanhamento após o primeiro evento é fundamental.”

Segundo ele, tratar apenas a fratura não resolve o problema. “Se a gente não investigar e tratar a causa da fragilidade óssea, o paciente pode voltar ao hospital em pouco tempo. O cuidado precisa ser completo.”

No HU-UEL, o atendimento é realizado por meio do Ambulatório de Fragilidade Óssea, vinculado ao Ambulatório de Especialidades do HU (AEHU). O serviço é direcionado a pacientes com 50 anos ou mais que sofreram fraturas por fragilidade e garante que, ao darem entrada no Pronto-Socorro, recebam avaliação conforme o protocolo clínico estabelecido.

De setembro de 2024 a novembro de 2025, foram realizadas 181 avaliações no HU-UEL, sendo 129 primeiras consultas médicas especializadas. O ambulatório acompanha pacientes que precisam investigar e tratar a causa do enfraquecimento ósseo, com foco na prevenção de novos episódios.

A abordagem é multiprofissional. Além da assistência médica e de enfermagem, a fisioterapia passa a ter um papel fundamental na reabilitação. Após a alta hospitalar, os pacientes são encaminhados ao ambulatório de fragilidade óssea, onde passam por avaliação da capacidade física e funcional, força muscular e composição corporal, exames fundamentais para prevenção de novas fraturas. Essas avaliações ocorrem por meio da parceria entre a UEL e o programa de pós-graduação stricto sensu da UNOPAR.

Todos os atendimentos ambulatoriais são feitos por alunos de graduação em fisioterapia, residentes e alunos de mestrado e doutorado. Nos casos de maior complexidade, o atendimento inclui suporte em terapia intensiva no período pós-operatório, etapa essencial para estabilização clínica e prevenção de complicações.

“O objetivo é quebrar o ciclo das fraturas sucessivas”, afirma Yabushita. “Existe um intervalo crítico após a primeira fratura. Se o paciente for acompanhado corretamente nesse período, conseguimos reduzir significativamente o risco de novas ocorrências”.

EXEMPLO – Esse modelo implantado no Paraná já conquistou certificação nível prata no Mapa de Boas Práticas do Capture the Fracture, iniciativa da Fundação Internacional de Osteoporose, ao alcançar 86% de conformidade com critérios internacionais de qualidade.

A aposentada Edi Teshirogi, de 73 anos, sofreu uma fratura de fêmur há dois anos após uma queda dentro de casa. Ela conta que sentiu dor intensa e dificuldade para caminhar quando chegou ao hospital. “Eu quase não conseguia andar. Tinha medo de cair de novo”, lembra.

Paraná implementa nova política de prevenção da fragilidade óssea
A estratégia vai além do atendimento clínico, incluindo também a prevenção de novas fraturas Foto: Sesa

 

Após o procedimento cirúrgico, ela passou a ser acompanhada semanalmente por uma equipe multiprofissional. O atendimento incluiu reabilitação, orientações e acompanhamento clínico. “Eu fui melhorando aos poucos. Hoje eu caminho, faço minhas coisas, mas com mais cuidado”, conta.

EVOLUÇÃO – Para a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, o impacto da estratégia vai além do atendimento clínico. A prevenção de novas fraturas reduz a pressão sobre os prontos-socorros, diminui internações, evita cirurgias e reduz a necessidade de implantes ortopédicos de alto custo, como placas, parafusos e próteses.

A fisioterapia atua no fortalecimento muscular, recuperação da mobilidade e prevenção de novas quedas, fatores esses determinantes para reduzir a reincidência de fraturas. Cada fratura evitada representa economia de recursos hospitalares e mais eficiência na gestão pública, permitindo que investimentos sejam direcionados a outras áreas prioritárias da saúde.

Paraná implementa política de prevenção da fragilidade óssea
Equipe do Ambulatório de Fragilidade Óssea Foto: Sesa

 

Para o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, a estratégia reforça o compromisso do Paraná com um atendimento mais organizado e preventivo. “Nosso foco é cuidar do paciente de forma integral. Não basta tratar a fratura e encerrar o atendimento. Precisamos garantir que essa pessoa tenha acompanhamento, orientação e tratamento adequado para evitar novas complicações. Esse é um modelo que qualifica a assistência e fortalece o SUS no Paraná”, afirma.

 

O que é fragilidade óssea?

A fragilidade óssea pode estar associada a diferentes fatores, entre eles a osteoporose, uma das principais causas do enfraquecimento ósseo, caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos e pelo aumento do risco de fraturas. Muitas vezes silenciosa, a doença pode evoluir sem sintomas até a ocorrência da primeira fratura.

Outra questão relevante é que a fragilidade óssea não atinge apenas idosos. Doenças metabólicas, uso prolongado de medicamentos e outras condições clínicas podem comprometer a resistência dos ossos em diferentes faixas etárias. Muitas vezes, a fratura é o primeiro sinal de uma condição silenciosa que precisa ser investigada e tratada.

 

 

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Tags: ambulatório de fragilidade ósseaDestaqueprevençao da fragilidade óssea

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