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Brasileiro adotado por família holandesa defende mais atenção à adoção internacional e preservação das raízes

Por Agência Brasil
25 de maio de 2026

Adotado ainda na infância por uma família da Holanda, o brasileiro Carlos Hogendorp, conhecido artisticamente como Osmin Carlson, transformou a própria trajetória em uma missão de conscientização sobre os impactos da adoção internacional e a importância do cuidado emocional com crianças acolhidas. Hoje com 31 anos, o cantor e policial sonha em retornar definitivamente ao Brasil, país onde nasceu e do qual nunca deixou de sentir pertencimento.

Natural de Leme, no interior de São Paulo, Carlos foi levado para a Holanda aos 4 anos de idade junto de dois irmãos biológicos após viver em um abrigo infantil. Atualmente, durante uma visita ao Brasil, ele participa de palestras e encontros para compartilhar sua experiência e defender que crianças brasileiras adotadas tenham mais oportunidades de permanecer no país de origem.

Memórias da infância e adaptação em outro país

As primeiras lembranças da chegada à Holanda ainda permanecem vivas na memória de Carlos: a neve, o frio intenso e um idioma completamente desconhecido. Na cidade de Leeuwarden, ele precisou aprender rapidamente uma nova cultura e uma nova forma de viver.

Apesar das dificuldades iniciais, ele destaca que recebeu acolhimento e carinho da família adotiva. Segundo Carlos, os pais holandeses sempre mantiveram abertura para conversar sobre sua origem brasileira e sobre o significado da adoção.

“Quando criança, tínhamos um dicionário para nos entender”, relembra.

Mesmo assim, ele conta que sempre carregou um sentimento de conexão com o Brasil, ainda que na infância não compreendesse exatamente de onde vinha essa sensação.

Busca pelas origens mudou sua vida

O desejo de descobrir as próprias raízes se intensificou na vida adulta, especialmente após o nascimento da filha, Viena, hoje com 13 anos. A partir desse momento, Carlos passou a questionar sua identidade e iniciou uma busca mais profunda pela história da família biológica.

Em 2014, com ajuda de um programa de televisão holandês, conseguiu localizar a mãe biológica e outros 16 irmãos que vivem no Brasil. O reencontro aconteceu em Leme, cidade onde nasceu.

Carlos afirma que conhecer a realidade da família e revisitar sua história foi um momento transformador.

“Eu vi crianças morando nas ruas e em abrigos. Vi minha própria história nos olhos delas”, afirma.

Experiência inspira atuação social

Depois de reencontrar suas origens, Carlos passou a atuar voluntariamente em ações de conscientização sobre adoção, acolhimento institucional e apadrinhamento afetivo.

Ele defende que o Brasil fortaleça políticas públicas e incentive mais famílias brasileiras a adotarem crianças e adolescentes, reduzindo a necessidade de adoções internacionais.

Para Carlos, o vínculo cultural e afetivo com o país de nascimento permanece vivo mesmo após décadas vivendo no exterior.

“Eu nasci no Brasil e fui para outra parte do mundo, mas voltei. O brasileiro nunca vai embora de você”, declara.

Segundo ele, muitos brasileiros adotados por famílias estrangeiras carregam sentimentos semelhantes, embora nem sempre falem sobre isso por receio de magoar os pais adotivos.

Adoção internacional segue regras rígidas

A adoção internacional no Brasil é regulamentada pela Convenção de Haia e pelo Decreto nº 3.174/1999. As normas determinam que esse tipo de adoção deve ocorrer sempre priorizando o interesse da criança e garantindo proteção contra tráfico, venda ou exploração infantil.

Os processos são acompanhados pela Justiça brasileira e envolvem cooperação entre os países participantes do acordo internacional.

Carlos reconhece que seus direitos foram respeitados durante todo o processo e faz questão de destacar o amor recebido da família holandesa. Ainda assim, acredita que crianças adotadas precisam ter acesso às próprias origens, cultura e identidade.

Sonho é voltar a viver no Brasil

Hoje, além da carreira artística e da atuação como policial na Holanda, Carlos mantém o desejo de reconstruir sua vida no Brasil. Entre os planos está apresentar à filha o país onde nasceu e fortalecer os laços com a família biológica.

Ele acredita que compreender as próprias raízes é essencial para o desenvolvimento emocional de crianças adotadas.

“Foi uma grande batalha para mim e para muitos outros não conhecer nossas raízes”, afirma.

Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo da vida, Carlos resume sua história destacando aquilo que considera mais importante em qualquer adoção: o amor e o cuidado oferecidos à criança.

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