Representantes de dezenas de países se reuniram em Copenhague, na Dinamarca, para discutir estratégias globais de enfrentamento às mudanças climáticas, com foco na redução do uso de combustíveis fósseis e no combate ao desmatamento ilegal até 2030.
O encontro reuniu lideranças envolvidas na organização da COP30, que será realizada no Brasil, e da COP31, prevista para acontecer na Turquia em parceria com a Austrália. As discussões fazem parte da preparação para as próximas conferências climáticas das Nações Unidas.
Brasil apresenta proposta para acelerar ações climáticas
Durante a reunião ministerial do clima realizada na capital dinamarquesa, as presidências da COP30 e da COP31 apresentaram uma proposta preliminar do chamado Acelerador Global de Implementação Climática.
A iniciativa foi lançada originalmente durante a COP30, em Belém, e busca transformar acordos climáticos em ações práticas e mais rápidas de combate à crise ambiental.
O objetivo é priorizar soluções que tenham potencial de aplicação global, escalabilidade e resultados concretos em menor prazo.
Segundo a CEO da COP30, Ana Toni, o mecanismo pretende ampliar a cooperação internacional em projetos ligados à redução das emissões e à adaptação climática.
“A proposta é acelerar soluções, tecnologias e metodologias que possam gerar efeitos concretos e rápidos no enfrentamento da crise climática”, explicou.
Debate inclui desmatamento e combustíveis fósseis
Um dos principais temas discutidos no encontro foi a construção de “mapas do caminho” internacionais para reduzir o desmatamento e diminuir a dependência de combustíveis fósseis até 2030.
As metas seguem compromissos assumidos durante a COP28, realizada em Dubai, em 2023.
Segundo a presidência da COP30, foram recebidas 444 contribuições internacionais durante consulta pública realizada entre fevereiro e abril deste ano para elaboração dessas estratégias globais.
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, afirmou que já existem soluções tecnológicas e científicas capazes de limitar o aquecimento global à meta de 1,5°C prevista no Acordo de Paris.
No entanto, ele destacou que os principais desafios continuam sendo o financiamento climático e a transferência de tecnologia para países em desenvolvimento.
“A questão agora é garantir meios para que os países consigam implementar essas mudanças dentro do prazo necessário”, afirmou.
COP31 deve priorizar implementação de medidas concretas
A próxima Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas será realizada em novembro deste ano, na cidade de Antália, na Turquia.
A expectativa é que a COP31 tenha foco maior na execução prática das metas já negociadas nas conferências anteriores, deixando em segundo plano apenas os debates diplomáticos e jurídicos.
A diretora de Clima do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixadora Liliam Chagas, afirmou que o regime climático internacional vive uma fase de transição importante.
Segundo ela, os países passaram a reconhecer a necessidade de transformar compromissos em políticas efetivas de redução das emissões de gases do efeito estufa.
“O regime climático está saindo da etapa de negociação e entrando na fase de implementação do que já foi acordado”, destacou.
Reunião antecede nova rodada de negociações climáticas
O encontro em Copenhague é considerado uma das principais etapas preparatórias antes das sessões da ONU sobre mudanças climáticas que ocorrerão em Bonn, na Alemanha, ainda neste ano.
As reuniões intermediárias devem definir parte da agenda oficial das próximas COPs e avançar em temas como:
- redução das emissões globais;
- adaptação aos impactos climáticos;
- financiamento climático internacional;
- preservação das florestas;
- transição para economia de baixo carbono.
Brasil reforça protagonismo nas negociações ambientais
Com a realização da COP30 em Belém, o Brasil tem ampliado sua participação nas discussões internacionais sobre clima, especialmente em temas ligados à preservação ambiental, combate ao desmatamento e proteção da Amazônia.
O governo brasileiro defende que os países avancem em soluções práticas e acelerem investimentos em tecnologias limpas, energia renovável e preservação florestal para conter os efeitos do aquecimento global.

