Com acidentes e mortes frequentes, o trânsito de Maringá se mostra violento no dia a dia, principalmente sobre duas rodas. A melhor cidade para se viver do país convive com estatísticas preocupantes.
Em evento recente, o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Luciano Brito, apresentou um relatório detalhado sobre as ocorrências e as vítimas no modal das motocicletas. De acordo com o documento, entre 2021 e 2026 foram registradas 122 mortes de motociclistas e 14 de passageiros de motos. O número representa 62% de todas as mortes que ocorreram no trânsito da cidade neste período, sendo sábado, entre 18h e 23h, a faixa de horário com mais registros.
Sem contar também as infrações cotidianas cometidas pelo motorista maringaense: motos subindo na contramão da rua ou trafegando em cima das calçadas; automóveis furando o sinal vermelho; falta de respeito à preferencial em cruzamentos; excesso de velocidade; entre outros.
Nesse cenário, Brito explicou à reportagem que tem sido feitas operações integradas no trânsito, envolvendo a Guarda Civil Municipal (GCM), a Polícia Militar (PM) e a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob). “Nas últimas três blitze, tivemos mais de 385 veículos irregulares. Diversas multas e situações, a tipificação de artigos. Assim, temos constatado que houve um aumento da fatalidade na madrugada. O nosso foco é alinhar a quantidade de blitze que fazemos no período diurno e migrar para o noturno. É o que estamos fazendo, principalmente nos finais de semana”, acrescentando que é quando ocorrem acidentes mais severos.
Segundo ele, o trabalho é para combater os fatores de risco, como a embriguez ao volante. “Dos últimos 12 óbitos no trânsito de Maringá, seis tinham confirmação com envolvimento de bebida alcoólica”.
Nesse contexto, a Prefeitura de Maringá lançou recentemente o movimento “Maringá pela Vida”, com apresentação das ações previstas no “Plano de Segurança Viária”, voltado à redução de acidentes e de mortes no trânsito. Na avenida Colombo, por exemplo, no trecho urbano da BR-376, ocorreu um aumento 15% em acidentes, de 2025 para 2026, conforme dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A alta se dá principalmente em batidas traseiras.
O secretário explica que o trabalho é norteado por eixos, como, por exemplo, fiscalização, com uso de radares eletrônicos, desde os educativos até o avanço de sinal; e educação no trânsito, com o projeto “Moto mais Vida”, com cursos gratuitos de pilotagem defensiva.
Um dos gargalos do trânsito maringaense é o avanço de prefenciais, quando ocorrem acidentes envolvendo principalmente motociclistas, resultando em mortes. Brito exemplifica, dizendo que muitas vezes o veículo avança na via porque o condutor visualizou que não havia movimentação; porém, de repente aparece uma moto em alta velocidade, trafegando o dobro daquela permitada na via. Por isso, dificulta a visibilidade e a reação.
Educação e fiscalização
Na avaliação do secretário Luciano Brito, é preciso um trabalho constante de educação e de fiscalização no trânsito maringaense. Ele diz que a flexibilização da concessão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), na tentativa de baixar o custo do processo, trouxe a reboque a redução das instruções teóricas e práticas. “Estamos vendo o reflexo disso: jovens com 18, 19, 20 anos que não têm a condição de exercer e assumir a condução de uma moto, de um carro, que se torna uma arma em sua mão, por manobras imprudentes e falta de perícia”, dizendo-se contra essa medida em cima da CNH.
No tocante à fiscalização, o desafio é trabalhar com o efetivo atual, que está 20% abaixo do necessário diante de uma cidade do porte de Maringá. Em 2012, eram 240 agentes de segurança viária na cidade; hoje são 84. Nesse período, o município ganhou mais 100 mil pessoas, com quase 150 mil veículos a mais.
Brito informa que tem projeto para abertura de concurso, em análise pelo prefeito Silvio Barros. Mas o secretário avisa que se trata de um processo lento, pois a contratação de novos funcionários demora pelo menos um ano.








