Paralisação na Caixa é nacional e por tempo indeterminado; no Banco do Brasil, movimento ocorre em bases que rejeitaram a nova convenção coletiva. Negociações envolvem reajuste, plano de saúde, metas e condições de trabalho.
A queda de braço entre bancos públicos e seus funcionários ganhou força nesta quinta-feira (10). Trabalhadores da Caixa Econômica Federal iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado, enquanto empregados do Banco do Brasil aderiram a paralisações em regiões onde os sindicatos rejeitaram a proposta apresentada para a categoria.
O movimento ocorre um dia depois da assinatura da nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e as entidades que representam os bancários. O acordo terá validade até 31 de agosto de 2028 e alcança aproximadamente 414 mil trabalhadores em cerca de 3,6 mil municípios.
Apesar do fechamento das negociações gerais, pontos específicos envolvendo os funcionários da Caixa e parte das bases do Banco do Brasil continuam provocando divergências.
Caixa concentra o principal foco da paralisação
Na Caixa, a insatisfação está relacionada principalmente à proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que estabelece condições específicas para os empregados do banco.
Segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta apresentada pela instituição.
Um dos assuntos mais sensíveis é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. As negociações também envolvem questões relacionadas às condições de trabalho, metas, saúde ocupacional e aplicação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1).
As entidades sindicais afirmam que houve mais de dois meses de negociações e que outros pontos ainda precisam avançar antes de um eventual encerramento da paralisação.
A Caixa retomou as conversas com os representantes dos trabalhadores nesta quinta-feira. A orientação sindical, porém, é manter o movimento até que qualquer nova proposta seja analisada e votada pelos empregados em assembleias.
Em posicionamento oficial, o banco afirmou que mantém o diálogo com as entidades e que pretende chegar a um entendimento que contemple os interesses das partes.
Banco do Brasil tem greve regionalizada
No Banco do Brasil, o cenário é diferente. A paralisação não ocorre em todo o país.
O movimento está concentrado nas bases sindicais que rejeitaram a nova CCT. Entre os locais citados estão Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.
Em outras regiões, os trabalhadores aprovaram o acordo, que já foi formalizado.
O Banco do Brasil informou que participa das negociações gerais da Fenaban e mantém, paralelamente, uma mesa específica para tratar das reivindicações próprias de seus funcionários.
Segundo a instituição, a proposta apresentada foi resultado de diversas rodadas de negociação e acabou aprovada por parte das entidades sindicais.
O que os bancários conseguiram no novo acordo
A nova convenção coletiva estabelece reposição integral da inflação medida pelo INPC, além de ganho real de 0,6% em 2026 e também em 2027.
Os reajustes alcançam salários e diferentes benefícios, entre eles:
- vale-refeição;
- vale-alimentação;
- Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
- auxílio-creche ou babá;
- demais benefícios previstos na convenção.
O acordo também incorpora medidas relacionadas à saúde mental, combate ao assédio e direito à desconexão, além de estabelecer regras de transparência e limites para o monitoramento digital dos empregados.
Outro ponto previsto é a criação de um programa voltado à qualificação e recolocação profissional.
Clientes podem enfrentar mudanças no atendimento
Para quem precisa utilizar os serviços dos bancos, o principal impacto da greve pode ocorrer no atendimento presencial das agências.
Caixa e Banco do Brasil orientam os clientes a priorizar os canais digitais, aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos e correspondentes bancários.
Na Caixa, permanecem como alternativas o Caixa Tem, WhatsApp Caixa, casas lotéricas, Banco24Horas e Correspondentes Caixa Aqui.
No Banco do Brasil, os clientes podem recorrer ao aplicativo, Internet Banking, correspondentes, WhatsApp e Central de Relacionamento.
A paralisação, contudo, não significa que todos os serviços bancários serão interrompidos. Operações que podem ser realizadas por meios eletrônicos continuam disponíveis. Já procedimentos que exigem atendimento dentro das agências podem depender do nível de adesão à greve em cada localidade.
Próximos dias serão decisivos
A nova rodada de negociações poderá determinar os próximos passos da mobilização, especialmente na Caixa, onde a greve tem alcance nacional.
Caso surjam avanços, as propostas precisarão ser levadas novamente aos trabalhadores para avaliação. Até lá, as entidades sindicais defendem a continuidade da paralisação.
O impasse coloca de um lado os bancos, que consideram a negociação coletiva avançada, e, de outro, trabalhadores que ainda cobram mudanças em pontos específicos de seus acordos.
A expectativa agora é saber se as novas negociações serão suficientes para destravar o acordo ou se a greve deverá ganhar força nos próximos dias.
Fonte: Agencia Brasil








