O 47º Femucic – Festival de Música Cidade Canção chega ao fim neste sábado, 12 setembro, deixando muito conhecimento e música como legado. E também reencontros, amizades e uma música inédita, criada durante o evento.
Amigos desde a participação na 7ª edição do Festival de Música de Raiz 2026, o Feraiz, em Curitiba, os instrumentistas Jackson Ricarte e Murilo Martinez se reencontraram novamente no Femucic, meses depois, nesta semana de setembro. A reunião gerou o inédito tema instrumental “Memórias de Maringá”, uma composição criada entre quinta e sexta-feira, dias 10 e 11 de setembro, quando ambos se apresentaram na mostra do festival.
“A gente expressou esse reencontro [na nova música], amizades, tudo isso que o Femucic proporciona”, resume Ricarte à reportagem. Ele é violeiro, cantor e compositor cearense radicado em São Paulo há mais de 30 anos. Em 2025, celebrou duas décadas de carreira com o álbum “Terra D’Água” e recebeu o Prêmio Inezita Barroso pela contribuição à cultura de raiz. Na noite de quinta-feira, 10, Ricarte apresentou ao público do teatro do Sesc Maringá “Ali Saadeddine Wardani” as músicas “Viola Carpideira” e “A fonte”.
Por sua vez, Murilo Martinez é violonista instrumental natural de Três Lagoas (MS), que mescla técnicas do fingerstyle contemporâneo com a musicalidade do Mato Grosso do Sul. Realizou concertos na Alemanha (2015) e em Portugal (2025). No Femucic, tocou com seu violão harpa, um instrumento que chama atenção pelo formato inusitado para os padrões brasileiros e também pela sonoridade.

Para “Memórias de Maringá”, os dois músicos gravaram um vídeo com a performance da nova faixa instrumental, disponível nas redes sociais: @jacksonricarteoficial @murilotmartinez
“A gente não imaginava que faria essa composição. Mas quando um violeiro encontra com outro, não tem jeito. No hall do hotel, a gente já estava tocando. Foi surgindo”, diz Ricarte. A ideia é gravar essa música, indo além do registro audiovisual.
Em termos musicais, o violeiro explica que os dois fizeram um chamamé, que é um estilo ligado à cultura do Mato Grosso do Sul. “Ele [Martinez] trabalha com o violão harpa numa afinação aberta, que é parecida com a da viola. É outro tipo de afinação, mas com características de afinação aberta. A gente foi construindo”, afirma Ricarte, acrescentando que basta dois violeiros “prosearem” para nascer uma composição, pois é uma conversa musical entre eles.
Tudo isso é resultado de um festival como o Femucic, que proporciona encontros entre os artistas. É a cereja do bolo, na sua perspectiva. “Sabendo que a gente não está sozinho nessa. Saber que tem músicos muito bons nesse país, produzindo música muito boa”, frisando que o público precisa alimentar o algoritmo com os artistas que não estão na grande mídia.

Encerramento
O encerramento do Femucic será no sábado (12), às 20h, no Teatro Calil Haddad, com apresentação de Sandra Sá, que é considerada a rainha da black music brasileira e também da “Música Preta Brasileira”.
O evento é promovido pelo Sesc PR com promoção da RPC e apoio da Prefeitura de Maringá, e faz parte das comemorações dos 80 anos do Sesc no Brasil.








