A expansão tecnológica e os investimentos da China estão contribuindo para a transformação industrial dos países da Europa Central e Oriental (ECO), que buscam novos caminhos para sustentar o crescimento econômico e avançar para setores de maior valor agregado.
A avaliação foi apresentada por participantes do 35º Fórum Econômico, realizado em Karpacz, na Polônia. O encontro reuniu debates sobre economia, inteligência artificial, desenvolvimento sustentável e oportunidades de cooperação entre a China e os países da região.
Europa Central e Oriental busca novo modelo de crescimento
Um relatório elaborado pela Escola de Economia de Varsóvia (SGH) em parceria com o Fórum Econômico 2026 aponta que os 11 países da ECO analisados registraram crescimento médio anual de 3% entre 2005 e 2025.
O resultado colocou a região entre as áreas de crescimento mais rápido da Europa e ajudou a ampliar sua participação na economia do continente.
Durante décadas, boa parte desse avanço foi sustentada pela mão de obra de menor custo e pela integração dos países às cadeias de produção industrial europeias. Esse modelo, entretanto, começa a enfrentar obstáculos diante da redução da população em idade ativa e da maior disputa por trabalhadores.
Além disso, tensões geopolíticas, custos elevados de energia e incertezas no comércio internacional aumentam a pressão sobre as economias locais.
Nesse cenário, os países da região procuram fortalecer suas próprias capacidades tecnológicas e industriais e ampliar a participação em atividades com maior valor agregado.
Janusz Piechocinski, ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro da Economia da Polônia, afirmou que buscar maior autonomia econômica não significa romper relações com outros mercados.
Para ele, países da ECO precisam manter uma forte integração com a Europa e, simultaneamente, construir relações econômicas pragmáticas com diferentes parceiros internacionais.
Avanços chineses ampliam oportunidades de cooperação
Os participantes do fórum destacaram a evolução da China em áreas como veículos elétricos e inteligência artificial, além do crescimento de sua capacidade em energias renováveis, baterias, equipamentos industriais e telecomunicações.
Zbigniew Inglot, presidente do conselho fiscal da empresa polonesa de cosméticos INGLOT, avaliou que a China conquistou vantagens importantes em determinados segmentos tecnológicos.
Esses setores são vistos como áreas com potencial para ampliar a cooperação industrial entre empresas chinesas e companhias dos países da Europa Central e Oriental.
A colaboração na área de inovação também vem avançando. Durante a Conferência China-PECO sobre Cooperação em Inovação 2026, realizada em Ningbo, foram firmados 11 acordos envolvendo empresas, universidades e instituições de pesquisa.
Os entendimentos abrangem projetos de colaboração empresarial, pesquisa e desenvolvimento e criação conjunta de plataformas de inovação.
Investimentos chineses avançam na região
A aproximação econômica também aparece em novos projetos industriais.
Em maio de 2025, a montadora chinesa BYD anunciou planos para instalar em Budapeste, na Hungria, sua sede europeia e um centro de pesquisa e desenvolvimento. Entre os focos dos projetos estão tecnologias de condução baseadas em inteligência artificial e sistemas de propulsão para veículos elétricos.
Na Sérvia, empresas chinesas firmaram contratos comerciais que podem resultar em mais de 953 milhões de euros em novos investimentos. Os projetos abrangem setores como indústria automotiva, alta tecnologia e manufatura avançada.
Outro exemplo ocorreu em Sabac, onde uma unidade sino-sérvia de montagem de robôs humanoides foi inaugurada no fim de agosto. A produção em larga escala está prevista para começar em 2027.
Cooperação depende de tecnologia e formação de profissionais
Para Pierre Andrieu, pesquisador sênior do Centro de Análise sobre a China do Instituto de Políticas da Sociedade Asiática, a China possui importância crescente para a economia europeia e mundial, o que abre espaço para novos formatos de cooperação econômica e industrial.
Além dos investimentos e da transferência de tecnologia, especialistas ressaltaram a necessidade de formar profissionais capazes de atuar nos novos setores.
Jaroslaw Witkowski, professor da Universidade de Economia e Negócios de Wroclaw, defendeu maior participação de pesquisadores, gestores e economistas nos projetos de cooperação.
A combinação entre investimentos, inovação tecnológica, formação de talentos e integração econômica pode ajudar os países da Europa Central e Oriental a reduzir a dependência de modelos baseados apenas em custos menores de produção e avançar para uma indústria mais tecnológica e competitiva.





