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Ator maringaense integra elenco da nova montagem do TCP que estreia em novembro

Por Cristiano Monteiro Martinez
4 de novembro de 2026
Nathan Milléo Gualda trabalha entre Maringá e Curitiba (Crédito: Divulgação/Matteo Gualda)

Nathan Milléo Gualda trabalha entre Maringá e Curitiba (Crédito: Divulgação/Matteo Gualda)

Selecionado para o novo espetáculo do Teatro de Comédia do Paraná (TCP), o ator maringaense Nathan Milléo Gualda integra o elenco da montagem de “Muito Barulho por Nada”, texto clássico de William Shakespeare (1564-1616).

A temporada acontece de 12 de novembro a 6 de dezembro, no Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha) do Teatro Guaíra, com apresentações de quinta a sábado, às 20h30, e aos domingos, às 18 horas. Os ingressos custam R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20 (inteira) e estão à venda no site DiskIngressos e na bilheteria do teatro. Todas as sessões terão acessibilidade em Libras e audiodescrição.

O TCP, criado em 1963 e coordenado pelo Centro Cultural Teatro Guaíra, soma mais de 70 produções e tem uma trajetória marcada pelo vanguardismo. Aliás, o projeto foi reativado alguns anos atrás e vinha fazendo montagens de maneira esporádica. O segundo projeto dessa nova fase teve também o jovem maringaense, que trabalhou com o diretor Gabriel Villela, que é um dos maiores encenadores do país, no sucesso de público e crítica “Hoje é Dia de Rock”, com temporadas no Teatro Guaíra, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

Agora, Gualda tem a oportunidade de ser dirigido por outro grande nome das artes cênicas, Paulo de Moraes. Na direção geral, ele é um premiado diretor artístico da Armazém Companhia de Teatro, criada em Londrina (Norte) em 1987 e sediada no Rio de Janeiro desde 1998. O paranaense Moraes também assina a versão dramatúrgica, ao lado de Maurício Arruda Mendonça.

A equipe de criação reúne Pagu Leal na assistência de direção, Ricco Vianna na direção musical, Carla Berri e Paulo de Moraes na cenografia, Maneco Quinderé na iluminação, Eduardo Giacomini nos figurinos e Carlos Cavalcante na direção de movimento.

“O Teatro de Comédia do Paraná é um projeto maravilhoso. Mas eu estou tendo a sorte de fazer dois TCPs com dois diretores que são verdadeiros ícones do teatro. São nomes relevantes”, diz o maringaense, em conversa com a reportagem.

Para participar da nova montagem do TCP, Gualda participou de todo um processo de seleção, dividido em duas fases, em que ele teve de mostrar toda sua técnica e versatilidade. Só para se ter uma ideia, na primeira etapa havia mais de 300 candidatos de todo o Paraná. Ao final, o maringaense, que trabalha na ponte Maringá/Curitiba, foi um dos 12 selecionados divulgados pelo Teatro Guaíra.

“É um teatro importantíssimo para o Brasil e o mundo. E nos dá essa estrutura para fazer uma peça como essa, trabalhando com profissionais tão qualificados”, diz Gualda, citando que se trata de uma equipe gigantesca e qualificada, com profissionais de Curitiba e do Rio de Janeiro, para fazer um espetáculo desse porte.

Desse modo, a montagem conta com Brenda Sodré (nos papéis de Margarida e Borges), Fábyo Rolywer (Borrachio), Giorgia Conceição (Eleonora), Juliana Guiné (Hero), Larissa Hütner (Úrsula), Leandro Oliveira (Conrado e Frei Francisco), Leo Campos (Comandante Pedro), Nathan Milléo Gualda (Cláudio), Pablito Khucarz (Benedito), Paulo Chierentini (Dogberry), Sidy Correa (Coronel João) e Uyara Torrente (Beatriz).

Os atores e atrizes foram selecionados por meio de edital de chamamento público do Centro Cultural Teatro Guaíra, em duas etapas. A primeira, eliminatória, incluiu a análise da documentação artística, de habilitação e de regularidade fiscal e trabalhista, além da avaliação de vídeos de performances cênicas e musicais. Na segunda, os candidatos participaram de audições presenciais, com testes de atuação, voz, canto e corpo.

Elenco conta com 12 atores que passaram por um concorrido processo de seleção (Crédito: Vitor Dias)

Processo criativo
“O processo criativo foi muito incrível”, diz Nathan Milléo Gualda, destacando que era um período muito corrido, com ensaios das 9h até 18h. Ou seja, período integral, trabalhando texto, voz e corpo. Tudo muito intenso. Inicialmente, sempre com uma preparação corporal, além da questão musical. Como é uma peça de Shakespeare, requer todo um cuidado.

Antes de saber qual personagem seria interpretado, havia muita leitura de texto. Até que o diretor escolheu os personagens, cabendo ao maringaense a figura de Cláudio, que é um dos protagonistas do espetáculo. “É um personagem muito importante, com muitas camadas, dificílimo de se fazer. Tem uma função trágica na história”, explica Gualda, resumindo que “Muito Barulho por Nada” fala de como uma mentira, contada muitas vezes, pode se tornar uma verdade para as pessoas.

Sendo uma comédia shakespeariana, tem aquele leve sorrido no rosto, mas também tem o trágico e a emoção, diz o ator de Maringá, destacando que o diretor Paulo de Moraes estimula o ator para propor, trabalhar com a fisicalidade e em grupos. “Ele [Paulo] permitia que a gente tivesse um tempo de elaboração para propor, com ideias e pesquisas”, acrescentando que é um diretor muito assertivo e que sabe o que quer, guiando os atores para extrair o lugar poderoso do texto. “Ele sempre falava que queria uma encenação muito seca, algo direto”.

Sem contar que a fisicalidade foi muito exigida do elenco, em um processo intenso de ensaios em dois turnos, que não é muito comum. Tanto é verdade que o maringaense precisava treinar em uma academia para fortalecer seu corpo. Além do trabalho vocal e de decorar o texto, pesquisando e entendendo a peça.

Enredo
Ambientada na cidade italiana de Messina, “Muito Barulho por Nada” entrelaça amor, orgulho e ciúme em uma trama de intrigas e mal-entendidos, marcada pelo humor e pela ironia. Na adaptação do TCP, o clássico ganha uma nova roupagem e acompanha dois casais que percorrem caminhos muito diferentes até encontrar o amor.

“Eu acredito que Shakespeare oferece, nesta peça, uma espécie de tratado sobre a mentira, sobre o engano e sobre as ilusões que nós construímos sobre nós mesmos. E ele usa a descoberta do amor para falar sobre isso. Essa mistura de amor e mentira cria mundos muito intensos para a gente navegar”, observa o diretor, via AEN-PR.

Embora o humor conduza a montagem, Moraes ressalta que a história também reserva momentos de tensão, explorados a partir da busca pela verdade das personagens. Segundo ele, a montagem é essencialmente divertida. O humor prevalece, mas a peça tem um ponto de virada onde o amor quase se transforma numa tragédia.

“E isso é muito interessante, porque brinca com os sentimentos de quem assiste. A gente tentou na montagem não trabalhar muito a partir da farsa: tentamos encontrar a verdade em tudo, tanto nesses momentos divertidos quanto nos que não são tão divertidos assim”, afirma.

Tags: “Muito Barulho por Nada”Artes CênicasPaulo de MoraesTeatro de Comédia do Paraná (TCP)

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