Déficit nas Contas Externas Aprofunda-se em Janeiro e Alcança US$ 8,65 Bilhões

Transferências cambiais

O saldo das contas externas do Brasil registrou um déficit de US$ 8,655 bilhões em janeiro de 2025, quase o dobro do valor contabilizado no mesmo período de 2024, quando o saldo negativo foi de US$ 4,407 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (23) e refletem o aumento das importações e a redução do superávit comercial.

A principal causa da piora nas transações correntes foi a queda de US$ 4,3 bilhões no saldo positivo da balança comercial, impulsionada pelo crescimento de 12,8% nas importações, que atingiram o maior valor da série histórica para meses de janeiro desde 1995. As exportações, por outro lado, caíram 5,9%, totalizando US$ 25,371 bilhões. Com isso, o superávit comercial despencou 78%, de US$ 5,563 bilhões em janeiro de 2024 para US$ 1,223 bilhão no mesmo mês deste ano.

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O déficit em serviços, que inclui gastos com transporte, viagens internacionais e aluguel de equipamentos, também contribuiu para o desempenho negativo, subindo 28,9% e alcançando US$ 4,552 bilhões. Em contrapartida, a conta de renda primária – que inclui pagamento de juros, lucros e dividendos – apresentou uma leve melhora, reduzindo o déficit para US$ 5,613 bilhões, um recuo de 16,2% em relação ao ano anterior.

No acumulado de 12 meses, o déficit em transações correntes chegou a US$ 65,442 bilhões, equivalente a 3,02% do PIB, acima dos 2,79% registrados no mês anterior. A deterioração dos números reverteu a tendência de redução do déficit observada até março de 2024, segundo o Banco Central.

Investimentos e Financiamento Externo

Apesar do saldo negativo nas contas externas, o déficit continua sendo financiado por investimentos estrangeiros de longo prazo. Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 6,501 bilhões em janeiro, uma queda de 28,4% na comparação anual. Esse recuo foi atribuído à maior retenção de lucros pelas empresas já instaladas no Brasil, reduzindo o ingresso de novos capitais.

No mercado financeiro, os investimentos em carteira apresentaram saída líquida de US$ 715 milhões, refletindo a retirada de US$ 2,370 bilhões em títulos da dívida, parcialmente compensada pela entrada de US$ 1,655 bilhão em ações e fundos de investimento. Já o estoque de reservas internacionais fechou o mês em US$ 328,303 bilhões, com uma redução de US$ 1,426 bilhão em relação a dezembro.

O cenário externo ainda apresenta desafios, mas os investimentos estrangeiros de longo prazo continuam sendo um fator essencial para garantir a estabilidade da balança de pagamentos e mitigar os impactos do aumento do déficit.

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