Em encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, discutiu os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos no comércio global. Ele destacou que, embora o Brasil possa sofrer menos do que países como o México, qualquer forma de guerra tarifária é prejudicial para a economia global.
Impacto das tarifas no Brasil
Galípolo destacou que a menor dependência comercial do Brasil em relação aos Estados Unidos, comparada a países como o México, pode minimizar o impacto direto das tarifas no mercado brasileiro. No entanto, o presidente do BC reforçou que, em termos gerais, evitar uma guerra tarifária seria a melhor opção para todos os envolvidos.
“Com certeza, não há dúvida de que, em qualquer condição do comércio global, é melhor não ter uma guerra tarifária”, afirmou Galípolo. Apesar disso, ele ressaltou que o Brasil deve continuar monitorando os desdobramentos das medidas anunciadas pelo governo de Donald Trump.
Resposta do Brasil às tarifas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o assunto, reiterando que o Brasil reagirá caso os EUA imponham novas tarifas ao aço brasileiro. “Se taxar o aço brasileiro, nós vamos reagir comercialmente, ou vamos denunciar à Organização Mundial do Comércio, ou vamos taxar os produtos que a gente importa deles”, disse Lula em entrevista.
Trump anunciou uma taxação de 25% sobre importações de aço e alumínio, uma medida que impacta grandes fornecedores, incluindo o Brasil. A resposta brasileira, segundo Lula, será pautada pelo princípio da reciprocidade.
Política monetária e combate à inflação
Durante o encontro, Galípolo também respondeu a questionamentos sobre a política monetária e a alta taxa de juros no país. Ele defendeu a estratégia do Banco Central de adotar uma postura conservadora e preventiva, observando tendências de longo prazo antes de tomar decisões definitivas.
“No horizonte que a gente consegue enxergar, as projeções apresentam a inflação fora da meta. O Banco Central reage caminhando com a taxa de juros em um patamar restritivo e de relativa segurança”, explicou Galípolo, reafirmando que a prioridade é a convergência da inflação para a meta.
Desafios e visão estratégica
Galípolo destacou que o BC está focado em evitar reações precipitadas a dados voláteis e atua de forma fundamentada em tendências claras. “Seria um equívoco ser preventivo a um fantasma que não está ali colocado”, pontuou, indicando que a política monetária deve ser conduzida com cautela.
Apesar das dificuldades enfrentadas no cenário econômico global, o presidente do BC reiterou a confiança na capacidade do Banco Central de conduzir a política monetária de maneira eficaz: “O remédio vai funcionar. O Banco Central tem as ferramentas para conduzir a política monetária, para perseguir a meta, e não vai se furtar a fazer isso.”
O discurso reflete um equilíbrio entre as incertezas do cenário internacional e a busca por estabilidade econômica no Brasil, reafirmando o compromisso do Banco Central com a responsabilidade fiscal e monetária.








