Assessor de Lula para assuntos internacionais denuncia tentativa dos EUA de cercar o Brasil

Rio de Janeiro, 10 out (Xinhua) — O assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, denunciou que a iniciativa de segurança “Escudo das Américas”, liderada pelos Estados Unidos, representa uma tentativa falsa de cercar o Brasil sob o argumento de combater o crime organizado, em meio às tensões regionais decorrentes da estratégia de Washington.

“Essa questão do Escudo das Américas coloca o Brasil em cerco, cercado com base em argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional”, afirmou Amorim em entrevista ao canal brasileiro Tutaméia TV.

Lançado em março pelo presidente americano, Donald Trump, o Escudo das Américas reúne os Estados Unidos e outros 14 países latino-americanos em uma aliança que prevê o intercâmbio de inteligência e a coordenação de operações contra o crime organizado.

O grupo apoiou sanções americanas contra 24 organizações criminosas da região, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) – duas das principais facções criminosas do Brasil -, as quais Washington classifica como organizações “narcoterroristas”.

O Brasil possui uma Lei Anterrorista que classifica, desde 2016, o terrorismo como atos de violência que tenham motivações ideológicas específicas de xenofobia, discriminação ou preconceito com finalidade de provocar terror social ou generalizado. Enquanto o Ministério da Justiça enquadra as facções criminosas como grupos movidos pela busca de lucro financeiro. Desse modo, o governo Lula opõe-se à designação de “narcoterrorismo” por considerar que ela pode costurar caminhos para operações americanas em território brasileiro e resultar em sanções contra empresas nacionais. Especialistas em segurança também alertaram que a mudança de classificação pode dificultar a cooperação internacional já existente contra essas organizações.

O Brasil e o México permanecem fora da aliança, que é integrada por governos latino-americanos participantes da estratégia impulsionada por Washington.

A controvérsia também entrou no debate político brasileiro. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, afirmou que incluiria o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito. Fim

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