Rio de Janeiro, 4 nov (Xinhua) — O Brasil consolida-se como um dos principais destinos mundiais para investimentos em mineração, impulsionado por suas importantes reservas de minerais estratégicos e pelo crescente interesse internacional em matérias-primas necessárias para a transição energética e o desenvolvimento de novas tecnologias.
Pelo menos 18 empresas estrangeiras mantêm projetos de pesquisa ou exploração de terras raras em território brasileiro, com investimentos realizados e estimativas iniciais que, somados, ultrapassam 17,5 bilhões de reais (US$ 3,25 bilhões).
Entretanto, o potencial brasileiro não se limita a esses elementos. O país dispõe também de importantes reservas de níquel, cobre, lítio e grafite – minerais fundamentais para a fabricação de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas e outros componentes industriais.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu que esses recursos devem se tornar um instrumento para impulsionar a industrialização nacional e ampliar a geração de empregos qualificados.
“O Brasil não abrirá mão de sua soberania sobre seus minerais estratégicos”, afirmou recentemente o ministro em um evento do setor, defendendo que a riqueza mineral do país contribua para a inovação tecnológica e o desenvolvimento da indústria nacional.
Silveira também destacou que o Brasil detém aproximadamente 25% das reservas conhecidas de terras raras, ao passo que apenas cerca de 30% do território nacional conta com estudos geológicos completos. “A maioria dos países que são grandes potências já possui um mapeamento geológico de 100% de seu território, enquanto o Brasil tem apenas 30%”, observou, ressaltando a margem existente para ampliar o conhecimento e a exploração dos recursos minerais brasileiros.
O Ministério de Minas e Energia informou também que mantém conversas com empresas internacionais interessadas em desenvolver instalações industriais para a separação e o processamento de minerais estratégicos no Brasil.
O governo avalia que esses investimentos podem ajudar o país a deixar de se concentrar exclusivamente na extração de recursos naturais, ampliando sua participação nas etapas de processamento e transformação industrial. Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que contempla instrumentos de financiamento e incentivos fiscais para estimular projetos de pesquisa, exploração e processamento.
A legislação prevê a possibilidade de criar um fundo de garantias com uma participação da União de até 2 bilhões de reais (US$ 387,6 milhões), além de créditos fiscais de até 1 bilhão de reais anuais entre 2030 e 2034 para atividades de processamento, transformação e recuperação de minerais provenientes de resíduos.
Com essas medidas, o Brasil busca aproveitar seu potencial geológico para atrair investimentos, desenvolver tecnologia própria, fortalecer sua indústria e aumentar o valor agregado de suas exportações.