Com mais de 50 mil corredores inscritos, a Corrida Internacional de São Silvestre chega à sua centésima edição, consolidando-se como a prova de rua mais tradicional e conhecida do país. A competição ocorre anualmente no dia 31 de dezembro, em homenagem a São Silvestre, e atrai atletas de todas as regiões do Brasil e do mundo.
História e tradição
Idealizada pelo jornalista, empresário e advogado Cásper Líbero após se inspirar em uma corrida noturna em Paris em 1924, a primeira edição da São Silvestre aconteceu em 1925 com 60 inscritos, sendo 48 participantes na largada no Parque Trianon, na Avenida Paulista. O percurso inicial tinha 8,8 km e foi vencido por Alfredo Gomes, o primeiro atleta negro a representar o Brasil em Jogos Olímpicos.
Desde então, a prova tornou-se internacional, permitindo a participação de estrangeiros a partir de 1945. Ao longo de sua história, brasileiros e estrangeiros se revezaram no topo do pódio, com atletas como José João da Silva, que quebrou um tabu em 1980 ao ser o primeiro brasileiro a vencer a corrida na era internacional, e Marilson Gomes dos Santos, que conquistou três vitórias em 2003, 2005 e 2010.
Participação feminina e inspiração
As mulheres começaram a competir apenas em 1975, vencendo a prova Christa Valensieck, da Alemanha. Maria Zeferina Baldaia, vencedora em 2001, destacou-se por superar uma infância difícil, correndo descalça durante 15 anos nas plantações de cana para ajudar sua família, e inspirando gerações de atletas femininas.
O diretor-executivo da corrida, Eric Castelheiro, reforça que os atletas brasileiros transformam-se em heróis e ídolos, gerando identificação com o público e incentivando a prática esportiva em todo o país.
Recordes e maiores vencedores
Rosa Mota (Portugal): seis vitórias consecutivas na década de 1980.
Paul Tergat (Quênia): cinco vitórias.
Marilson Gomes dos Santos (Brasil): três vitórias, maior recordista brasileiro.
Desde 1945, os brasileiros conquistaram 16 títulos internacionais, sendo 11 no masculino e cinco no feminino.
Prova democrática e inclusiva
A São Silvestre atualmente é aberta a todos os públicos, com largadas diferenciadas para atletas de elite, PCDs, cadeirantes e amadores. Existe ainda a São Silvestrinha, versão para crianças e adolescentes no Centro Olímpico do Ibirapuera. O evento é organizado em ondas de largada, garantindo segurança e competitividade para todos os participantes.
Com um percurso histórico e uma organização que valoriza a participação democrática, a centésima edição da São Silvestre de 2025 promete mais emoção, superação e inspiração para milhares de corredores, mantendo viva a tradição de uma das corridas mais icônicas do mundo.

