Shanghai, 5 nov (Xinhua) — Da agricultura e mineração à inteligência artificial e economia digital, a cooperação econômica entre o Brasil e a China vem ampliando suas frentes, com novas oportunidades de comércio e investimento, disse Victor Queiroz, chefe do Escritório Ásia-Pacífico da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Em entrevista à Xinhua durante o Fórum Empresarial Brasil-China 2026, realizado nesta quarta-feira em Shanghai, no leste da China, Queiroz destacou a complementaridade entre as duas economias, indicando que o Brasil pretende aproveitar o aprofundamento da parceria para fortalecer sua indústria e diversificar as exportações.
“O Brasil não quer ser apenas um país exportador de commodities ou de minerais”, disse ele, acrescentando que a próxima etapa da cooperação deve permitir ao país agregar mais valor à sua produção, com investimentos chineses acompanhados de transferência de tecnologia.
Essa perspectiva se reflete especialmente nos setores de minerais críticos e energia. Queiroz destacou que o Brasil, importante fornecedor de recursos minerais para a China, busca atrair investimentos e tecnologias chinesas para ampliar o processamento desses recursos e desenvolver a fabricação local de produtos de maior valor agregado.
“O Brasil tem muita energia, mas armazena pouco”, afirmou ele, ressaltando que o objetivo brasileiro é atrair fabricantes chineses para instalar unidades produtivas no país, acompanhadas de transferência de tecnologia e intercâmbio nas áreas de engenharia e inovação entre o Brasil e a China.
Essa busca por maior integração tecnológica também se estende à economia digital. Queiroz citou a presença de empresas chinesas no mercado brasileiro atuando em áreas como computação em nuvem e centros de dados. Nos olhos dele, essa presença cria condições para aprofundar a parceria em novos segmentos tecnológicos.
Segundo ele, enquanto novas áreas de investimento ganham espaço na cooperação bilateral, a ApexBrasil também busca diversificar a presença de produtos brasileiros no mercado chinês.
Um exemplo é a cooperação da agência com a Luckin Coffee, uma marca chinesa. Em dezembro de 2025, uma campanha levou elementos da cultura brasileira a copos e lojas da rede, permitindo que consumidores chineses conhecessem melhor o café e a identidade do país sul-americano.
“O café comunica diretamente com o consumidor”, explicou Queiroz, ressaltando que a iniciativa também ajuda a despertar o interesse pela cultura brasileira.
Para ampliar esse alcance, especialmente entre pequenas e médias empresas, a ApexBrasil combina ações de promoção comercial com mecanismos de aproximação entre compradores e fornecedores. Pelo programa Exporta Mais Brasil, importadores chineses são levados ao Brasil para conhecer produtores locais e negociar diretamente com empresários brasileiros.
A agência também realiza encontros virtuais de negócios e prepara um miniprograma no WeChat para divulgar produtos brasileiros no mercado chinês. A recente abertura do mercado chinês às uvas brasileiras, citada por Queiroz, representa outra oportunidade para diversificar as exportações e ampliar a presença de produtos de maior valor agregado. A China deu um passo adiante na ampliação do acesso de produtos brasileiros ao seu mercado ao facilitar os trâmites necessários para a exportação de polpas e frutas congeladas do Brasil. Essa medida permite que as empresas brasileiras interessadas iniciem o processo de homologação para vender esses produtos no país asiático.
O movimento ocorre também no sentido inverso. Em parceria com governos estaduais e órgãos federais brasileiros, a ApexBrasil identifica oportunidades de investimento e as apresenta a empresas chinesas, oferecendo informações sobre projetos e acompanhamento durante visitas empresariais.
“Pode ser uma grande oportunidade para as empresas chinesas que investirem no Brasil. Elas podem usar o Brasil como uma ponte, um hub, tanto para a América Latina quanto para a Europa”, apontou.
Para os próximos três a cinco anos, Queiroz demonstrou otimismo em relação ao futuro da cooperação econômica entre Brasil e China. Segundo ele, a expectativa é de que o comércio bilateral continue crescendo, não apenas em volume, mas também em qualidade, com maior diversificação da pauta exportadora brasileira, ampliação da presença de produtos de maior valor agregado e fortalecimento dos investimentos sustentáveis e de longo prazo.
“A minha expectativa é que avancemos para uma nova etapa das relações econômicas entre Brasil e China, marcada por um comércio cada vez mais diversificado, com maior participação de produtos de valor agregado, e por investimentos sustentáveis, de longo prazo, que contribuam para o desenvolvimento econômico e tecnológico dos dois países. Vivemos um dos melhores momentos da história das nossas relações bilaterais, e temos todas as condições para construir uma parceria ainda mais sólida e estratégica”, destacou. Fim