Confira dicas de leitura para o Dia do Quadrinho Nacional, comemorado nesta sexta (30)

Cena de HQ de Marcelo D' Salete (Crédito: Reprodução)

Para começo de conversa, não é “dia nacional do quadrinho”, porque neste caso valeria qualquer tipo de produção na Nona Arte, seja no Brasil ou fora. E sim Dia do Quadrinho Nacional, ou seja, uma comemoração aos gibis do Brasil.

A data especial é amanhã, sexta-feira, 30 de janeiro. É um dia celebrado pelos fãs todos os anos desde 1984, quando a comemoração foi criada simbolicamente pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-SP). No ano seguinte, a AQC instituiu o Prêmio Angelo Agostini, uma das principais premiações para autores e desenhistas de quadrinhos no Brasil.

Segundo a Agência Senado, o quadrinista Angelo Agostini, um italiano naturalizado brasileiro, publicou, a partir de 30 de janeiro de 1869 (há 157 anos), “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira de longa duração e uma das primeiras em âmbito mundial. A história foi publicada pela revista Vida Fluminense até janeiro de 1872, com algumas interrupções, totalizando 14 capítulos.

De lá para cá, muitas páginas foram produzidas e lidas ao longo desses mais de 100 anos no Brasil.

A reportagem aproveita a data especial para indicar HQs que podem ser apreciadas a partir de hoje, ou relidas, seguindo amanhã e atravessando o ano todo. Afinal, todo dia é bom para ler um gibi.

Confira:

“Bear – As aventuras de Dimas & Raven” (ed. Conrad)
De Curitiba (PR), a quadrinista Bianca Pinheiro apresenta “As aventuras de Dimas & Raven”: um urso e uma menina em busca dos pais dela. Recentemente, a saga voltou em novo projeto. Trata-se de uma obra criativa e surpreendente, com continuação. Leia também “Alho poró”, “Eles estão por aí” (com Greg Stella) e a sua releitura da Mônica para o selo Graphic MSP.

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“Nos olhos de quem vê” (ed. HarperCollins Brasil)
Quadrinista e finalista do CCXP Awards, Helô D’Angelo compartilha experiências pessoais sobre sua jornada de autoaceitação e mostra como o belo é construído nos olhos de quem vê. “Uma HQ necessária sobre o amor ao próprio corpo”, diz a sinopse oficial. Em publicação ainda a ser lançada, Helô também reimagina a personagem Pipa para a Graphic MSP.

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“Trilogia Gatilho – Volume Único” (ed. Pipoca & Nanquim)
O lendário quadrinista brasileiro Pedro Mauro faz um trabalho impactante no faroeste escrito por Carlos Estefan. Narra a história de um pistoleiro caçador de recompensas que chega a uma cidade abandonada em busca de justiça. Leia também “O Procurador” (de Pedro Mauro e Gianfranco Manfredi).

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“Mukanda Tiodora” (ed. Veneta)
Ler a obra de Marcelo D’Salete é um dever para qualquer leitor/leitora. Ele tem um projeto sólido de quadrinhos, abordando temas como ancestralidade. “Mukanda Tiodora” joga luz sobre a São Paulo dos anos de 1860, em uma história emocionante, baseada em fatos reais. Leia também “Angola Janga” e “Cumbe”.

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“Terror no Inferno Verde” (ed. Pipoca & Nanquim)
Trata-se de trabalho histórico da PN, reunindo histórias criadas por Flávio Colin, um dos pilares do quadrinho nacional. Ele era conhecido pelo traço altamente estilizado e pela defesa da produção brasileira. A edição é de luxo, com 220 páginas em preto e branco. A obra de Colin vive recente redescoberta por diferentes editoras.

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“Escuta, Formosa Márcia” (ed. Veneta)
Verdadeira obra-prima da Nona Arte, essa HQ traz a história da enfermeira Márcia, que vem travando uma verdadeira batalha doméstica para disciplinar sua filha, a insubordinada Jaqueline. O brasileiro Marcello Quintanilha, com carreira internacional, coleciona prêmios: Angoulême, Rudolph Dirks e Jabuti. Leia também “Alimenta estes olhos”, “Tungstênio” e “Luzes de Niterói”.

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“Domingos” (ed. Pipoca & Nanquim)
Famoso jornalista e editor de quadrinhos, Sidney Gusman se revela um autor de primeira nesse trabalho feito com o desenhista Jefferson Costa. É um relato memorialístico, com muita sensibilidade e nostalgia, feito a partir de domingos marcantes na família de Sidão. Recomenda-se ler num domingo ou domingo para segunda-feira, tal como o nascimento do roteirista.

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“Cidade de Sangue” (ed. MMarte)
O traço de Julio Shimamoto faz parte da história da Nona Arte no Brasil, principalmente no gênero do terror. Ele se mantém criativo e inventivo. Neste trabalho publicado pela MMarte, Shima se junta ao roteirista Márcio Jr. (a partir do argumento de Márcia Deretti), em uma história de crime e violência, ambientada em Goiânia, no árido Centro-Oeste brasileiro. Leia também “Claustrofobia”.

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“A infância do Brasil” (ed. Nemo)
A Capital do Paraná é celeiro de HQs, personagens (vide O Gralha) e quadrinistas. Um exemplo é José Aguiar, que desenvolve trabalho consistente e de encher os olhos. Aguiar percorre um contexto de mais de 500 anos para enfocar as crianças brasileiras. É obra que foi finalista do Prêmio Jabuti, em 2018, vencedora dos prêmios LeBlanc e Minuano de Literatura, e do Troféu HQMIX. Leia também “Debaixo d’água” (com Fernanda Baukat) e “Coisas de Adornar Paredes”.

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“Raposa e Gengibre: Agridoce” (ed. Devir)
Publicado pelo selo Supernova, esse quadrinho marca o retorno da Devir a apostar em autores brasileiros, destacando grandes histórias. Neste caso, Letícia Pusti, a Ler Pusti, que começou sua carreira em 2015, com a página de tiras “Another Art Book”. A HQ da Devir apresenta uma história de amizade entre a Raposa e o gatinho Gengibre.

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“São Francisco” (ed. Conrad)
De Belém do São Francisco, cidade pernambucana banhada pelo Velho Chico, cruzando todo o estado de Pernambuco e chegando a Monteiro, na Paraíba, histórias reais são contadas no livro-reportagem São Francisco, um projeto que une quadrinhos e fotografia em uma narrativa jornalística que aborda três aspectos: água, seca e obra. Durante 15 dias, a jornalista-quadrinista Gabriela Güllich e o fotojornalista João Velozo percorreram mais de 1.000 km.

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