Para mulheres e casais que enfrentam dificuldades para ter filhos, o acesso a tratamentos de reprodução assistida pode representar uma alternativa importante. No Distrito Federal, o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) mantém um serviço público especializado que oferece procedimentos gratuitamente pelo sistema de saúde.
O Centro de Ensino e Pesquisa em Reprodução Assistida (Cepra) foi criado em 1998 e, em 2023, completou 25 anos de funcionamento. A unidade atende mulheres que não conseguem engravidar naturalmente e precisam recorrer a técnicas de reprodução humana assistida.
A procura pelo serviço aumentou nos últimos anos. De janeiro até 15 de junho de 2023, foram realizados 140 tratamentos no centro, número que representava crescimento médio de 27,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2022, foram contabilizados 221 tratamentos.
Segundo informações divulgadas pelo HMIB, a taxa média de sucesso dos procedimentos era de aproximadamente 40%, embora os resultados dependam de diversos fatores relacionados à saúde reprodutiva.
Infertilidade pode ter diferentes causas
Entre os fatores identificados pelos especialistas estão a síndrome dos ovários policísticos, alterações nas trompas e questões relacionadas à fertilidade masculina.
A idade também é considerada um fator importante para o sucesso dos tratamentos. Por isso, o serviço estabelece critérios específicos para cada procedimento.
Na época da reportagem, a idade máxima para inseminação intrauterina era de 38 anos, enquanto para fertilização in vitro o limite informado pelo centro era de 40 anos.
Como funciona o acesso ao tratamento
O atendimento não começa diretamente no centro especializado. A mulher deve procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde será avaliada pela equipe de saúde da família.
Quando necessário, são solicitados exames e a paciente pode ser encaminhada para outros serviços da rede pública. A investigação procura identificar possíveis causas da dificuldade para engravidar e verificar se existem alternativas antes da reprodução assistida.
Quando a fertilização in vitro ou a inseminação intrauterina são consideradas necessárias, o caso pode ser encaminhado ao Cepra do HMIB, onde a paciente ou o casal passa pelos procedimentos de avaliação e inclusão na fila de atendimento.
Fila de espera é um dos desafios
Apesar da oferta gratuita, a procura pelo serviço é maior do que a capacidade de atendimento. Em junho de 2023, havia 302 pacientes aguardando por fertilização in vitro no HMIB.
Naquele momento, a fila para inseminação intrauterina estava zerada, embora o procedimento não seja indicado para todos os casos de infertilidade.
A situação mostra um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres que dependem da rede pública para realizar tratamentos de reprodução assistida: o tempo de espera pode ser especialmente relevante porque a idade influencia as possibilidades de sucesso.
Tratamento conta com equipe multidisciplinar
O atendimento oferecido pelo Cepra envolve profissionais de diferentes áreas. A equipe inclui ginecologistas especializados em reprodução humana, embriologistas, andrologistas, psicólogos, geneticistas, assistentes sociais, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
O acompanhamento psicológico também é considerado parte importante do tratamento. A tentativa de engravidar por meio de procedimentos médicos pode envolver ansiedade e expectativas elevadas, especialmente quando são necessárias várias etapas ou tentativas.
Além da fertilização in vitro e da inseminação intrauterina, o serviço também oferece procedimentos como congelamento de embriões, transferência de embriões congelados e punção de epidídimo.
Histórias mostram impacto do atendimento
Entre as pacientes atendidas estava Luana Lima, que começou a tentar engravidar aos 32 anos. Depois de diferentes tentativas e exames, recebeu o diagnóstico de problemas que dificultavam uma gravidez natural.
Após passar por tratamentos em diferentes cidades, ela conseguiu realizar o tratamento no HMIB e engravidou. A filha, Ester, já tinha um ano quando o caso foi relatado.
Outra paciente citada na reportagem, Sabrina Oliveira, havia recebido diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos e obstrução de uma das trompas. Ela e o marido buscavam uma vaga no serviço público porque não tinham condições financeiras de arcar com o custo de uma fertilização in vitro particular.
O serviço do HMIB representa, assim, uma alternativa para mulheres e casais que enfrentam dificuldades para engravidar e não têm condições de pagar pelos tratamentos na rede privada.


