Morreu nesta quarta-feira, 7, aos 87 anos, Maricarmen Abascal, a mulher que foi expulsa da prórpia casa e se tornou símbolo da luta contra despejos na Espanha. Ela estava internada no Hospital Gregorio Marañón, em Madri, desde que foi despejada, tendo de deixar o apartamento, em 23 de setembro.
A morte foi confirmada pelo Sindicato de Inquilinos da Espanha e pela família. A causa não foi informada.
Maricarmen havia sido despejada de sua casa no bairro de Reitno, em Madri, em 23 de setembro. Ela morava no imóvel há 70 anos.
O caso provocou uma onda de protestos em Madri. Manifestantes fizeram atos e acampamentos em praças para pedir uma solução para Maricarmen.
No comunicado que noticiou a morte da idosa, a família lembrou uma frase que Maricarmen repetia aos manifestantes:
“Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês”.
Crise da moradia
A mobilização em favor da idosa ganhou força e chegou a outras cidades espanholas. Os protestos avançaram sobre a crise habitacional da Espanha e já se estendem há semanas.
A questão pressionou o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchéz a propor um pacote de normas para impedir os despejos no país e o barrar o aumentos dos aluguéis. A proposta foi rejeitada pelo Congresso do país, o que fez as manifestações se intensificarem.
Os protestos se espalharam e levaram milhões de espanhóis às ruas, até que Sanchéz optou por convocar eleições antecipadas no país.
Com o aumento da violência dos atos no último final de semana, o premiê aprovou, nesta quarta, um pacote de 21 medidas – semelhantes às apresentadas ao Legislativo na semana passada – para estancar a crise da moradia.
Aumento de aluguéis e despejos
Maricarmen estava internada desde o dia que teve de deixar o apartamento. Seis anos antes, uma empresa havia comprado o apartamento onde ela vivia por um preço muito abaixo do valor de mercado. A razão era que Maricarmen ainda morava lá.
Ela recebia uma aposentadoria de 1.400 euros e nunca deixou de pagar o aluguel. O contrato era antigo e o valor mensal, somado às contas, ficava em cerca de 500 euros.
Em 2020, os proprietários disseram que ela precisava deixar o imóvel. Segundo eles, o contrato já havia sido transferido duas vezes, primeiro para a mãe de Maricarmen e depois para ela.
Desde então, a idosa enfrentou quatro tentativas de despejo.
Ela também recebeu propostas para aumentar o aluguel ou comprar o apartamento. Não pôde aceitar nenhuma delas. A nova proposta de aluguel era de 1.600 euros.
A pressão dos manifestantes levou a uma situação inédita na Espanha. A empresa proprietária aceitou fazer um novo contrato de aluguel para que Maricarmen pudesse voltar ao apartamento.
O acordo foi fechado enquanto ela estava internada. A solução veio tarde demais.
