Uma das maiores empresas do setor agroenergético do mundo, a Raízen apresentou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas que ultrapassam R$ 65,1 bilhões. A medida foi protocolada na Justiça de São Paulo e faz parte de um processo de reestruturação financeira acordado com parte significativa de seus credores.
Segundo comunicado divulgado pela companhia, a iniciativa busca garantir um ambiente jurídico estável para a negociação das dívidas financeiras quirografárias do grupo. Esse tipo de dívida corresponde a créditos que não possuem garantias reais, como hipotecas ou bens vinculados, o que faz com que esses credores ocupem posições menos prioritárias em casos de falência ou recuperação judicial.
De acordo com a empresa, o plano apresentado já conta com a adesão de credores que representam mais de 47 por cento das dívidas financeiras quirografárias. Esse percentual supera o mínimo exigido pela legislação brasileira para que o pedido de recuperação extrajudicial possa ser protocolado, que é de um terço dos créditos envolvidos.
Com o pedido formalizado, o grupo terá um prazo de 90 dias para alcançar o quórum necessário que permita a homologação do plano de recuperação. Caso isso ocorra, as novas condições de pagamento serão aplicadas a 100 por cento das dívidas incluídas no processo.
A companhia destacou que a medida tem alcance limitado e não afeta suas obrigações operacionais com clientes, fornecedores, revendedores e parceiros comerciais. Todos esses compromissos continuarão sendo cumpridos normalmente, conforme os contratos em vigor.
Entre as estratégias previstas no plano de recuperação estão diferentes alternativas de reorganização financeira. Uma delas é a possibilidade de capitalização da empresa por seus próprios acionistas. Outra medida em análise é a conversão de parte das dívidas em participação acionária, permitindo que credores passem a ter participação no capital da companhia.
Além disso, o plano também prevê a substituição de parte dos créditos atuais por novas estruturas de dívida, bem como possíveis reorganizações societárias. Essas reorganizações podem envolver a separação de determinadas áreas de negócios do grupo e até mesmo a venda de alguns ativos.
A Raízen é considerada uma das maiores empresas globais do setor de bioenergia. Com atuação em diversas regiões do Brasil, o grupo controla 35 usinas dedicadas à produção de açúcar, etanol e bioenergia.
A companhia também possui forte presença na cadeia de combustíveis e na produção de biomassa derivada da cana-de-açúcar, sendo reconhecida como a maior produtora mundial de etanol de cana.
O grupo conta atualmente com mais de 45 mil colaboradores e cerca de 15 mil parceiros de negócios espalhados por diferentes regiões do país, formando uma ampla rede ligada ao agronegócio e ao setor energético.
Mesmo diante do pedido de recuperação extrajudicial, a empresa afirma que suas operações seguem normalmente. A produção, o atendimento aos clientes e as relações comerciais continuam sem alterações, segundo a própria companhia.
Na safra 2024 2025, a Raízen registrou uma receita líquida de aproximadamente R$ 255,3 bilhões, consolidando sua posição entre as maiores empresas do agronegócio brasileiro e do setor energético global.
Em nota oficial, a companhia afirmou que continuará mantendo o mercado, investidores e acionistas informados sobre os próximos passos do processo de reestruturação financeira. A expectativa é que a renegociação das dívidas contribua para fortalecer a estrutura financeira da empresa e garantir a continuidade de seus planos de expansão e investimentos no setor de energia renovável.