A Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital Zona Norte de Londrina (HZNL) completou dez anos de funcionamento em 2026, consolidando sua atuação no atendimento humanizado a pacientes com doenças graves. O serviço oferece suporte para aliviar sintomas, reduzir o sofrimento, preservar a qualidade de vida e garantir dignidade aos pacientes, além de acolher familiares e cuidadores.
A unidade iniciou as atividades em abril de 2016, por iniciativa de profissionais de saúde do hospital e de uma comissão interna dedicada aos cuidados paliativos. O trabalho começou com a implantação de uma enfermaria especializada para atender pessoas com condições de saúde que ameaçam a vida e podem provocar sofrimento físico e emocional.
Atualmente, o setor conta com duas enfermarias, oito leitos exclusivos, equipe multiprofissional e apoio de voluntários.
Cuidados paliativos priorizam qualidade de vida e acolhimento
Os cuidados paliativos são destinados a pessoas que enfrentam doenças graves e têm como objetivo aliviar sintomas, controlar a dor e oferecer apoio físico, emocional e social. A abordagem também considera as necessidades dos familiares, que frequentemente precisam de orientação e acolhimento durante o tratamento.
O Hospital Zona Norte de Londrina está entre as primeiras instituições do Paraná a contar com uma unidade exclusiva de internação nessa modalidade.
Além do atendimento hospitalar, a unidade participa do Grupo Técnico do Programa Municipal de Cuidados Paliativos de Londrina. A iniciativa reúne serviços da atenção primária, atendimento domiciliar, urgência e hospitais para organizar o acompanhamento dos pacientes na rede de saúde, promover capacitações e ampliar a divulgação de informações sobre o tema.
Relato de família destaca importância do atendimento humanizado
Durante um evento realizado em outubro para marcar os dez anos da unidade, a equipe resgatou histórias de pacientes atendidos ao longo da trajetória do serviço.
Uma delas é a de Wilson de Souza, que tinha 80 anos em 2018 e enfrentava problemas cardíacos e um câncer de próstata em estágio avançado. Após passar mal, ele foi levado ao Hospital Zona Norte, onde a equipe médica conversou com sua filha, Eunice Aparecida Souza, sobre a possibilidade de encaminhamento para os cuidados paliativos.
Inicialmente, a família não conhecia bem essa modalidade de atendimento. Segundo Eunice, a explicação dos profissionais ajudou a diminuir a angústia e permitiu compreender que o cuidado não se limita ao uso de medicamentos, mas envolve dedicação, acolhimento e atenção às necessidades do paciente.
Ela destacou que o acompanhamento oferecido pela equipe trouxe tranquilidade à família e ajudou a garantir que o pai não enfrentasse sofrimento desnecessário.
Wilson permaneceu internado por cerca de um mês e morreu com dignidade, segundo o relato da filha. A experiência também mostrou à família a importância de receber apoio durante um período delicado.
Equipe reforça compromisso com a dignidade dos pacientes
A diretora de Enfermagem do Hospital Zona Norte, Mary Mishina Okano, destacou o trabalho desenvolvido pela equipe ao longo da última década, ressaltando a importância da ética, da sensibilidade e do respeito à vida.
A atuação dos profissionais busca compreender cada paciente de forma integral, considerando não apenas a doença, mas também seus medos, desejos, sentimentos e relações familiares.
A proposta dos cuidados paliativos é oferecer assistência mesmo quando a cura não é possível, garantindo que o paciente receba atenção adequada e tenha suas necessidades respeitadas durante todas as etapas do acompanhamento.
Paraná amplia atendimento em cuidados paliativos pelo SUS
Entre janeiro e agosto de 2026, foram registrados 2.669 atendimentos relacionados aos cuidados paliativos na Atenção Primária à Saúde dos municípios paranaenses. Em Londrina, foram contabilizados 144 atendimentos no mesmo período.
Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde e foram extraídos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica.
A expansão dessa modalidade de atendimento também está relacionada à Política Nacional de Cuidados Paliativos, publicada em 2024, que prevê a implantação de equipes habilitadas em diferentes modalidades no Sistema Único de Saúde (SUS).
O Paraná conta com dez equipes matriciais de cuidados paliativos qualificadas no âmbito da política nacional. Os grupos são formados por profissionais como médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e técnicos de enfermagem.
Além de atender pacientes, as equipes promovem educação continuada e capacitação de profissionais da rede de saúde para identificar pessoas que podem se beneficiar dessa abordagem.
Capacitação busca ampliar o acesso no Estado
O Paraná possui cerca de 10 mil profissionais da rede de atenção à saúde capacitados para o atendimento em cuidados paliativos. Mais de 2 mil gestores também já receberam orientações sobre a importância dessa modalidade de assistência.
A Secretaria de Estado da Saúde trabalha ainda na elaboração do Plano Estadual de Cuidados Paliativos, com o objetivo de ampliar o acesso aos serviços e fortalecer a atuação das equipes multiprofissionais.
A expectativa é que a qualificação dos profissionais e a integração entre hospitais, unidades básicas de saúde, serviços de urgência e atendimento domiciliar permitam oferecer assistência mais organizada aos pacientes com doenças graves.
Ao completar dez anos, a Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital Zona Norte de Londrina reforça a importância de uma abordagem que coloca o paciente no centro da assistência, priorizando o alívio do sofrimento, o acolhimento das famílias e a preservação da dignidade humana.