A expectativa do mercado financeiro para a inflação brasileira voltou a subir. De acordo com o mais recente levantamento do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo subiu de 4,36% para 4,71% em 2026.
O índice, conhecido pela sigla IPCA, é o principal indicador da inflação oficial no país. A revisão para cima representa a quinta semana consecutiva de aumento nas estimativas feitas por instituições financeiras consultadas pelo Banco Central.
A nova projeção ultrapassa o teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, que estabeleceu objetivo de 3% ao ano. O sistema de metas permite uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que coloca o limite superior em 4,5%.
Entre os fatores que pressionam as expectativas inflacionárias estão as incertezas provocadas pelas tensões geopolíticas e pela guerra no Oriente Médio, que têm potencial de impactar preços globais de energia e alimentos.
Dados recentes reforçam esse movimento de pressão sobre os preços. Em março, a inflação mensal registrou alta de 0,88%, acima dos 0,7% observados em fevereiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo cálculo do IPCA, o acumulado em 12 meses chegou a 4,14%.
As previsões para os próximos anos também sofreram ajustes. Para 2027, a estimativa de inflação passou de 3,85% para 3,91%. Já para 2028 e 2029, o mercado projeta taxas de 3,6% e 3,5%, respectivamente.
Taxa de juros e controle da inflação
Para controlar a inflação e aproximá-la da meta oficial, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a Taxa Selic, considerada a taxa básica de juros da economia brasileira.
Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária. Na última reunião do colegiado, a taxa foi reduzida em 0,25 ponto percentual. Antes da intensificação do conflito no Oriente Médio, a expectativa predominante no mercado era de um corte maior, de 0,5 ponto.
Nos meses anteriores, a taxa básica havia alcançado 15% ao ano, o maior nível desde 2006. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, os juros foram elevados em sete reuniões consecutivas. Em seguida, permaneceram estáveis por quatro encontros do Copom.
Com o cenário internacional mais incerto, o Banco Central sinaliza que pode rever o ritmo de redução dos juros caso haja necessidade de reforçar o controle da inflação. A próxima reunião do Copom para definir a Selic está marcada para os dias 28 e 29 de abril.
Segundo as estimativas do mercado, a taxa básica deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano. Para 2027, a projeção aponta queda para 10,5%. Já em 2028, a expectativa é de 10%, enquanto para 2029 os analistas projetam 9,75% ao ano.
Crescimento econômico e câmbio
No mesmo relatório, o mercado manteve a previsão de crescimento da economia brasileira em 1,85% para 2026. A projeção considera o desempenho do Produto Interno Bruto, indicador que mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
Para os anos seguintes, as expectativas indicam crescimento moderado. Em 2027, o PIB deve avançar 1,8%. Já para 2028 e 2029, a previsão é de expansão de 2% ao ano.
Em 2025, a economia brasileira registrou crescimento de 2,3%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado marcou o quinto ano consecutivo de expansão, impulsionado principalmente pelo desempenho do setor agropecuário.
O relatório também trouxe projeções para o câmbio. A expectativa do mercado financeiro é que o dólar encerre 2026 cotado em cerca de R$ 5,37. Para o fim de 2027, a estimativa aponta leve alta, com a moeda norte-americana podendo chegar a R$ 5,40.









