BEIJING, 13 de janeiro — A China divulgou um plano de ação para alcançar um aumento significativo na capacidade de tratamento de resíduos sólidos nos próximos cinco anos, como parte de seus esforços mais amplos para impulsionar uma transição verde abrangente em sua economia e sociedade.
O plano, elaborado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) em conjunto com outros 24 departamentos governamentais, prioriza o tratamento de resíduos sólidos que impactam diretamente a saúde pública ou a segurança no trabalho. O documento defende a rápida criação de um sistema abrangente e de longo prazo para a governança dos resíduos, além da adoção de medidas rigorosas para conter o crescimento contínuo da geração de resíduos sólidos.
Até 2030, a utilização anual de resíduos sólidos a granel deverá atingir 4,5 bilhões de toneladas, enquanto o volume anual de reciclagem de principais recursos renováveis deverá chegar a 510 milhões de toneladas, de acordo com o plano.
A iniciativa surge em meio à intensificação dos esforços do país para acelerar a transição verde em todos os setores, ao mesmo tempo em que busca enfrentar os desafios gerados pelo acúmulo de resíduos sólidos durante os processos de industrialização e urbanização.
O plano estabelece medidas detalhadas para melhorar a utilização de recursos, reforçar o controle e a redução de resíduos na origem, padronizar a coleta, o transporte e o armazenamento, além de ampliar a capacidade de descarte seguro.
“Os resíduos sólidos não devem ser vistos como lixo, mas como recursos valiosos que atualmente estão sendo mal gerenciados”, afirmou Zhou Haibing, vice-diretor da NDRC, durante uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira.
O documento apresenta exigências para a redução de resíduos na fonte, a melhoria da gestão e a recuperação de materiais valiosos. O objetivo é construir modelos comerciais sustentáveis, direcionar as forças do mercado para uma economia circular e alcançar avanços mais consistentes na governança integrada de resíduos.
Para resíduos sólidos como escória de fundição, entulho da construção civil e palha agrícola proveniente dos setores produtivos, serão adotadas medidas para facilitar tanto a reutilização direta quanto a extração eficiente e o uso integrado de componentes de valor.
No caso de produtos e equipamentos descartados, tanto de origem industrial quanto doméstica, os esforços se concentrarão na recuperação de materiais recicláveis, incluindo plásticos, metais e vidro.
O plano também prevê o uso combinado de mecanismos institucionais e de mercado para orientar fabricantes a ampliar o uso de materiais reciclados, como metais, plásticos e celulose reciclados.
Além disso, recursos de canais de financiamento já existentes serão integrados para apoiar o desenvolvimento de projetos qualificados de reciclagem de recursos, enquanto a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias-chave para reciclagem de resíduos sólidos serão intensificados.
Como país com grande população e forte setor agrícola, a China gera resíduos sólidos agrícolas em larga escala e com ampla dispersão geográfica, o que torna a gestão integrada e a reciclagem um desafio significativo, afirmou Yang Ru, representante do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais.
Segundo o plano, serão promovidos filmes plásticos agrícolas de alta resistência e totalmente biodegradáveis, aprimorada a reciclagem de embalagens de pesticidas conforme as condições locais, ampliada a reciclagem de dejetos da pecuária e adotados métodos científicos para a devolução da palha ao solo ou seu uso como ração animal.
O documento também destaca o fortalecimento de incentivos e políticas de apoio para atrair diferentes agentes ao setor de reciclagem de resíduos agrícolas, com o objetivo de aumentar a motivação e a capacidade técnica das empresas envolvidas.


