O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários lançou nesta terça-feira o Plano de Necessidades e Resposta Humanitária de 2026 para o Sudão do Sul, destacando que mais de 10 milhões de pessoas podem precisar de assistência humanitária ao longo deste ano.
Anita Kiki Gbeho, coordenadora humanitária da ONU para o Sudão do Sul, afirmou que o plano, com orçamento de 1 bilhão de dólares, tem como objetivo priorizar quatro milhões de pessoas que enfrentam os riscos humanitários mais graves em todo o país. A iniciativa ocorre em um contexto de preocupação com os efeitos colaterais do conflito no Sudão, a deterioração econômica e a persistência da violência.
“Apesar de termos recebido apenas 43% do financiamento solicitado no ano passado, os parceiros humanitários conseguiram alcançar cerca de quatro milhões de pessoas com assistência vital, incluindo apoio em alimentação, saúde, água, saneamento, educação e proteção”, disse Gbeho em Juba, capital do Sudão do Sul, durante o lançamento do plano.
Segundo Gbeho, o Sudão do Sul enfrentou um dos seus anos mais desafiadores em 2025, quando tensões políticas se transformaram em conflito, limitando o acesso humanitário e agravando uma situação que já era extremamente crítica.
O plano projeta que 7,5 milhões de pessoas poderão enfrentar insegurança alimentar aguda em 2026, incluindo cerca de 28 mil pessoas que já se encontram em condições catastróficas.
Albino Akol Atak, ministro dos Assuntos Humanitários e Gestão de Desastres do Sudão do Sul, afirmou que o governo está comprometido em proteger as populações vulneráveis enquanto o país enfrenta conflitos, choques climáticos e os impactos da crise no Sudão, que já levou mais de 1,3 milhão de pessoas a buscar refúgio em território sul-sudanês.
Akol explicou que o plano humanitário de 2026 representa um “reajuste humanitário”, com foco em 4,3 milhões de pessoas em situação mais crítica, número inferior aos 5,4 milhões atendidos em 2025, como parte de uma abordagem mais direcionada e responsável.
“Isso não é uma retirada de responsabilidades, mas um compromisso de alcançar aqueles que estão em situação mais grave, com maior impacto”, concluiu o ministro.
