Ninguém se atentou, mas a edição do jornal O Maringá do último final de semana foi a de número 300, um registro bastante significativo para um órgão de imprensa que nasceu no momento em que o futuro do impresso vivia seu momento de maior desconfiança e descrença, com alguns dos mais importantes jornais impressos do Brasil e do mundo encerrando atividades ou migrando para o online.
O O Maringá nasceu logo após o encerramento de três importantes representantes do impresso, o Hoje Maringá, o Metro e o O Diário do Norte do Paraná, que guardou a história da região região durante quase cinco décadas, empregou milhares de trabalhadores e balizou um estilo de se fazer imprensa na região.
Mesmo diante de tanta descrença, houve trabalhadores que acreditaram que o impresso ainda tinha fôlego para ir muito mais longo. E o O Maringá nasceu com fôlego – mesmo nascendo em plena pandemia do novo coronavírus -, enfrentou as dificuldades iniciais de qualquer empresa e a cada ano comemorou mais uma vitória sobre aquela tendência de mortandade do impresso.
A internet se firmou e hoje é muito mais forte do que quando circulou o O Maringá Nº 1, a notícia chega ao conhecimento do receptor ainda mais rápido; agora chegou a Inteligência Artificial e a forma de se divulgar notícia foi junto, mas o impresso continua ainda, ninguém mais fala em “dias contados”.
A internet e a Inteligência Artificial, ao invés de decretarem a morte do impresso, tornaram-se aliadas e todos ganham com isto.
Chegar ao número 300 é muito simbólico para quem acreditou quando ninguém acreditava e iniciou um jornal quando outros fechavam.
Ao chegar a 300 edições, a sensação é a de quem contribuiu com a informação da cidade e região e de que os fatos ocorridos neste período agora estão arquivados para a história.
A efeméride passou despercebida pelos leitores. Afinal, eles queriam ler notícias e não o número do jornal. E passou despercebida também pela equipe do jornal. Aqui estávamos todos muito ocupados na preparação da edição seguinte.
Brindemos, então, os 300. E vamos colocando mais zeros atrás desse três nos próximos anos.
