Em um movimento que marcou sua gestão na Presidência da Câmara dos Deputados, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) autorizou a criação de três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) com temas de grande repercussão nacional, incluindo a investigação sobre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), maus-tratos contra animais e crimes cibernéticos. Essa iniciativa ocorreu em julho de 2015, no contexto de intensos embates políticos no Legislativo brasileiro.
A CPI voltada ao BNDES foi concebida para apurar possíveis irregularidades nos empréstimos e financiamentos concedidos pelo banco, especialmente em operações envolvendo grandes empresas investigadas pela Operação Lava Jato e empréstimos a países como Angola e Cuba. O debate sobre essa comissão surgiu em meio a acusações de falta de transparência e questionamentos sobre a utilização dos recursos públicos pelo banco estatal.
Outra comissão autorizada por Cunha tinha por objetivo investigar crimes cibernéticos, diante do crescimento de delitos cometidos pela internet e dos desafios para a legislação acompanhar essa evolução tecnológica. A criação dessa CPI pretendia mapear os impactos dos crimes digitais na sociedade e propor medidas para fortalecer a segurança no ambiente virtual.
Além dessas, Cunha também autorizou a criação de uma CPI para apurar casos de maus-tratos contra animais. A proposta decorreu da crescente demanda social por maior proteção aos animais e por respostas mais eficazes do poder público frente a práticas cruéis e situações de negligência.
Essas iniciativas mostraram a articulação do então presidente da Câmara em pautas consideradas sensíveis e de grande interesse público. Ao mesmo tempo, a criação das CPIs ocorreu em um contexto de forte clima político, marcado por ruptura entre Cunha e o governo federal à época, além de tensões crescentes em torno de temas de controle e fiscalização de recursos públicos.
Vale lembrar que, segundo as regras internas da Câmara, o funcionamento efetivo das CPIs depende da composição dos colegiados, da indicação de seus membros pelos partidos e da tramitação dos respectivos requerimentos, o que nem sempre coincide com o anúncio inicial de autorização.
Esses episódios ajudam a compreender como a instância parlamentar de investigação foi usada como ferramenta de fiscalização e como arena de disputa política dentro da Câmara dos Deputados brasileira naquele período.

