UEM inaugura frigorífico experimental na Estação de Piscicultura de Floriano

UEM inaugura frigorífico na Estação de Piscicultura de Floriano

A inauguração do frigorífico na Estação de Piscicultura da UEM em Floriano foi o último ato do professor Leandro Vanalli como reitor Foto: ASC UEM

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) inaugurou, nesta sexta-feira, 9, o Frigorífico Experimental da Estação de Piscicultura de Floriano. A instalação acrescenta as etapas de abate e processamento à cadeia produtiva desenvolvida pela instituição, oferecendo novas condições para atividades de ensino, pesquisa e extensão, além de favorecer o aproveitamento do pescado produzido pelos projetos universitários.

O frigorífico dispõe de câmara fria e instalações destinadas ao abate, processamento e embalagem. A aquisição dos equipamentos, realizada em dezembro de 2025, representou investimento de R$ 700 mil. Segundo o professor Ricardo Pereira Ribeiro, que esteve à frente da Estação Experimental de Piscicultura de Floriano, a implantação contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e da administração da UEM. Ao todo, as melhorias realizadas na estação somam mais de R$ 2,3 milhões em infraestrutura, maquinário e equipamentos.

O reitor Leandro Vanalli comentou a conquista, “A inauguração marca um novo estágio na organização da cadeia de produção mantida pela Universidade. Procuramos articular os recursos para que conseguíssemos este avanço. Agradeço ao governo do Estado pela parceria e incentivo a bons projetos. O frigorífico vai atender vários setores da universidade como o Restaurante Universitário (RU), o Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM) e o posto de vendas da Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI)”.

Em Floriano, são realizados o melhoramento genético, a seleção de matrizes e a produção de alevinos, parte dos quais é encaminhada para engorda em 100 tanques-rede no Rio do Corvo, em Diamante do Norte. Após esse período, os peixes retornam à estação para abate e processamento em filés, postas e outros produtos.

Para Ribeiro, a instalação aproxima o projeto de um modelo de produção totalmente verticalizado, embora ainda seja necessária a implantação de uma fábrica de ração. “Para completar toda a verticalização do projeto, só falta a fábrica de ração”, explica.

Além das atividades acadêmicas, o empreendimento deverá favorecer a destinação comercial do pescado produzido pela UEM. De acordo com o professor Pedro Luiz de Castro, que assumirá a coordenação da estação, o frigorífico já dispõe de certificação no âmbito do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), o que deverá permitir a comercialização dos produtos, observadas as exigências sanitárias aplicáveis. Inicialmente, o aproveitamento estará associado aos peixes provenientes do programa de melhoramento genético da instituição.

Em uma etapa posterior, a proposta é disponibilizar as instalações a piscicultores e pequenas cooperativas da região, sobretudo àqueles que não dispõem de estabelecimentos regularizados para o abate. O atendimento estará condicionado à capacidade operacional da unidade e à definição de um modelo de utilização.

“No futuro, a gente vai estruturar esse projeto junto com a comunidade”, afirma Castro. A iniciativa deverá oferecer aos produtores uma alternativa para o processamento do pescado em condições sanitárias adequadas, contribuindo para sua inserção no mercado formal.

Para os estudantes, a nova unidade acrescenta uma dimensão prática à formação acadêmica. A estudante de Medicina Veterinária Ana Gabriela Santiago destaca a oportunidade de acompanhar procedimentos relacionados à qualidade da carne, conhecer a rotina de processamento e desenvolver trabalhos científicos a partir das atividades realizadas no local.

“A gente vai conseguir acompanhar como que funciona o processamento da carne aqui dentro”, afirma. Segundo a acadêmica, observar o ciclo produtivo, desde a obtenção dos alevinos até o abate, permitirá estabelecer relações mais diretas entre os conteúdos estudados e sua aplicação profissional.

Pesquisa em piscicultura

Em atividade desde 1996, a Estação Experimental de Piscicultura de Floriano abriga o primeiro centro público da América Latina dedicado ao melhoramento genético de tilápias-do-nilo. Ao longo de três décadas, consolidou-se como espaço de investigação científica, formação de pesquisadores e desenvolvimento de tecnologias destinadas ao setor aquícola.

Entre seus principais trabalhos está o programa Tilápia Tilamax, conduzido pelo grupo de pesquisa PeixeGen, vinculado ao Departamento de Zootecnia (DZO). Por meio da seleção genética, os pesquisadores buscam aprimorar características de interesse produtivo, como velocidade de crescimento e rendimento de filé. Em 2026, o programa alcançou sua 17ª geração de seleção.

Com a instalação do frigorífico, a UEM passa a ter uma das estações de piscultura do Brasil Foto: ASC UEM

 

Parte dos estudos ocorre em parceria com o Campus Regional do Noroeste (CRN), em Diamante do Norte. Mantida desde 2008, a cooperação permite avaliar o desempenho dos animais em tanques-rede no Rio do Corvo. Os resultados obtidos orientam a escolha dos exemplares destinados aos ciclos seguintes de reprodução, contribuindo para o aperfeiçoamento contínuo das linhagens.

A aplicação desse conhecimento ultrapassa os limites da Universidade. A distribuição de alevinos e a transferência de material genético favorecem o desenvolvimento da piscicultura e estabelecem vínculos com produtores e instituições parceiras. Conforme informações divulgadas pela universidade, aproximadamente 70% da produção nacional de tilápias utiliza genética Tilamax, em linhagens puras ou cruzadas. A tecnologia também chegou a cinco países, conferindo projeção internacional ao trabalho desenvolvido em Floriano.

Durante a cerimônia, o reitor Leandro Vanalli reconheceu a contribuição do professor Ricardo Pereira Ribeiro e das equipes de docentes, pesquisadores, estudantes e servidores para a consolidação do PeixeGen, que definiu como “um grupo de pesquisa que orgulha a UEM hoje ”.

Ao destacar a trajetória da estação e os benefícios de suas atividades para a sociedade, Vanalli ressaltou que o local, além de sua relevância científica, é “um local de conhecimento, pesquisa, extensão e de esperança”.

 

 

Veja também

Sair da versão mobile