A trajetória de Maria Liège Santos Rocha está ligada a alguns dos principais movimentos sociais e políticos que marcaram a história recente do Brasil. Militante política e ativista feminista, ela começou sua atuação ainda durante a vida universitária e, ao longo das décadas, participou de movimentos pela democracia, pela anistia e pelos direitos das mulheres.
Da universidade à resistência
Nascida em 1944, Liège Rocha iniciou sua militância política durante os estudos na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em 1968, participou do histórico Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Ibiúna, em São Paulo, encontro que acabou sendo interrompido pela repressão da ditadura.
Sua atuação política a colocou entre os estudantes perseguidos pelo regime. Registros da Comissão Milton Santos de Memória e Verdade da UFBA relatam que Liège foi presa em 1969 e posteriormente passou por um período de atuação clandestina. Ela retomou os estudos na universidade anos depois e concluiu o curso de Biblioteconomia.
A luta pela anistia
Na década de 1970, Liège esteve envolvida na organização do movimento pela anistia. Na Bahia, participou da criação do Movimento Feminino pela Anistia e também da organização do II Congresso Nacional da Anistia, realizado em Salvador.
Os acontecimentos daquele período deixaram marcas profundas em sua vida pessoal e familiar. Em depoimento à Comissão de Memória e Verdade da UFBA, ela recordou as dificuldades enfrentadas durante os anos de repressão e a convivência com familiares e companheiros atingidos pela ditadura.
O movimento feminista como espaço de transformação
Com a abertura política, a atuação de Liège Rocha ganhou uma dimensão ainda maior na defesa dos direitos das mulheres. Durante os anos 1980, ela participou da organização de movimentos feministas na Bahia e esteve envolvida na criação de estruturas voltadas às políticas públicas para as mulheres.
Entre suas atividades esteve a participação na organização do I Encontro da Mulher Baiana, em 1982. Também colaborou para a criação de conselhos municipais e estaduais dedicados aos direitos das mulheres.
Em 1988, participou da fundação da União Brasileira de Mulheres (UBM), organização na qual continuou atuando ao longo das décadas seguintes.
Uma vida dedicada à participação política
Depois de se mudar para São Paulo, em 1986, Liège passou a atuar também no Conselho Estadual da Condição Feminina e na Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.
Sua trajetória reuniu diferentes frentes de participação social: movimento estudantil, resistência à ditadura, campanha pela anistia, organização feminista e atuação institucional em políticas públicas.
Em 2011, recebeu o Diploma Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal como reconhecimento a mulheres que contribuíram para a defesa dos direitos e da cidadania.
Memória como instrumento de transformação
A história de Liège Rocha também passou a integrar pesquisas e projetos de preservação da memória sobre a ditadura brasileira. Seus depoimentos ajudam a documentar a experiência de estudantes e militantes que enfrentaram a repressão política durante o regime militar.
Em entrevistas e depoimentos posteriores, ela refletiu sobre as consequências daquele período e sobre a importância de preservar a memória das lutas sociais. Sua trajetória demonstra como a participação política pode atravessar diferentes gerações e assumir novas formas ao longo do tempo.
O perfil publicado pela revista Maquiavel em 2016 destacou justamente essa perspectiva ao apresentar a história de Liège a partir de sua atuação no movimento estudantil, na luta pela anistia e no movimento feminista.
Uma trajetória que permanece na história
A vida pública de Liège Rocha reúne episódios importantes da história política brasileira da segunda metade do século 20. Da militância estudantil à defesa dos direitos das mulheres, sua atuação esteve associada à busca por mudanças sociais e à participação em movimentos organizados.
Décadas depois dos acontecimentos que marcaram sua juventude, Liège continua sendo lembrada em estudos, depoimentos e iniciativas dedicadas à preservação da memória política brasileira.


