Morre Zuenir Ventura, autor do clássico “1968: O Ano Que Não Terminou”

Morre o escritor Zuenir Ventura

Zuenir é autor do clássico 1968; O Ano Que Não Terminou Foto: Antonio Milena/Estadão

Morreu nesta terça-feira, 22, o jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) Zuenir Ventura, 95 anos. Entre seus livros de maior sucesso está “1968, o Ano Que Não Terminou”, que tornou-se um clássico ao revisitar o período da ditadura sob a ótica da cultura e da política.

A causa da morte foi uma pneumonia, conforme informou a família. Zuenir deixa a esposa, Mary Ventura, e dois filhos: Elisa e Mauro.

Zuenir Ventura nasceu no dia 1º de junho de 1931, no município mineiro de Além Paraíba. Aos 11 anos, mudou-se para Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, onde, sem abandonar os estudos, ajudava seu pai – que era pintor – e chegou até a trabalhar como office boy.

o escritor e jornalista Zuenir Ventura foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 2014          Foto: Marcos De Paula/Estadão

A trajetória de Zuenir Ventura se confunde com a história do jornalismo brasileiro., sendo ele, no Brasil, pioneiro ao implementar recursos literários no texto jornalístico, se enquadrando no chamado New Journalism, movimento que teve entre expoentes Gay Talese, Tom Wolfe e Truman Capote.

Com o passar dos anos, se tornou um dos jornalistas mais relevantes do País. Começou a trabalhar como assistente de Carlos Lacerda no jornal Tribuna de Imprensa, onde foi correspondente em Paris. Depois, construiu carreira em veículos importantes, como Jornal do Brasil, O Globo e Veja, tornando-se referência pelo olhar atento às transformações sociais do País. Naturalmente, virou um dos nomes mais bem relacionados da elite cultural carioca.

Como autor, Ventura ganhou projeção nacional ao transformar acontecimentos históricos em narrativa acessível. Seu livro mais emblemático, “1968: O Ano que Não Terminou”, tornou-se um clássico ao revisitar o período da ditadura sob a ótica da cultura e da política.

A narrativa tinha citação a importantes personagens, obras e músicas que fizeram parte daquela época. O título serviu também de inspiração para a minissérie “Os Anos Rebeldes”, produzida pela TV Globo. Segundo dados da ABL, as 48 edições da obra já venderam mais de 400 mil exemplares. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme “O Homem que Disse Não”, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.

Na mesma linha de jornalismo literário, destacou-se também com “Cidade Partida”, vencedor do Prêmio Jabuti, em que investiga as raízes da violência no Rio de Janeiro, e com “Chico Mendes: Crime e Castigo”, resultado de uma série de reportagens premiadas sobre o assassinato do líder seringueiro.

Veja também

Sair da versão mobile