O Paraná alcançou a maior cobertura vacinal da década após reverter uma trajetória de queda que começou em 2016. O avanço é resultado de ações conjuntas entre o Governo do Estado, as prefeituras e os profissionais de saúde. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e do Ministério da Saúde apontam que mais de 87 milhões de doses de vacinas foram aplicadas no Estado ao longo do período.
A recuperação ganhou força a partir de 2023, com o reforço das estratégias de imunização e a ampliação das iniciativas para atualizar a caderneta de vacinação da população. Em 2024 e 2026, o Paraná passou a atingir as metas de cobertura em dez imunobiológicos, superando os resultados registrados em 2015.
O cenário representa uma mudança em relação a 2021, considerado um dos períodos mais críticos da série histórica. Naquele ano, apenas a vacina contra o HPV para meninas alcançou a meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde, com cobertura de 93%.
Cobertura vacinal cresce em diferentes imunizantes
Os avanços aparecem nos índices de diversas vacinas do calendário de imunização. A cobertura da BCG, por exemplo, passou de 82% em 2021 para 100% em 2026. No mesmo intervalo, a vacinação contra a poliomielite subiu de 80% para 95%, enquanto a pentavalente avançou de 81% para 94%.
Os resultados refletem o esforço para ampliar a adesão às campanhas e facilitar o acesso da população aos serviços de saúde.
A atualização das cadernetas é considerada uma das principais estratégias para evitar o retorno de doenças que podem ser prevenidas por vacinas, como poliomielite, sarampo e influenza.
Mobilização envolve os 399 municípios do Paraná
A recuperação da cobertura vacinal foi organizada por meio de ações coordenadas entre a Secretaria de Estado da Saúde e os 399 municípios paranaenses.
As equipes municipais receberam treinamento para mapear os territórios e desenvolver estratégias adequadas às necessidades de cada localidade. As escolas também passaram a contribuir diretamente para a identificação de crianças e adolescentes com vacinas pendentes.
Mais de 1,2 milhão de cadernetas de vacinação de estudantes foram avaliadas, resultando na aplicação de 509 mil doses.
Outras medidas incluíram a adesão ao Pacto pela Consciência Vacinal, a abertura de unidades de saúde aos sábados durante os chamados Dias D, a realização de ações de vacinação fora dos postos tradicionais e o reforço da imunização nas regiões de fronteira.
A estratégia busca reduzir as dificuldades de acesso, ampliar a conscientização e alcançar pessoas que não mantêm a vacinação em dia.
Paraná lidera cobertura vacinal em diferentes categorias
O Estado ocupa o primeiro lugar da Região Sul nas coberturas das vacinas do calendário infantil para crianças de até dois anos e aparece entre os destaques nacionais.
Na comparação com os índices brasileiros, o Paraná apresenta resultados expressivos em diferentes imunizantes.
A cobertura da primeira dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, chegou a 100% no Estado, diante de 94% no Brasil. Na segunda dose, o índice paranaense foi de 87%, enquanto o nacional ficou em 79%.
Na vacina contra a hepatite A infantil, o Paraná registrou 89% de cobertura, contra 83% no conjunto do País.
O Estado também aparece na segunda posição nacional em diferentes imunizantes:
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Poliomielite: 95% de cobertura.
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Pentavalente: 94%.
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Rotavírus: 97%.
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Meningocócica: 96%.
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Febre amarela: 89%.
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Varicela: 87%.
Na vacina pneumocócica, a cobertura chegou a 97%, colocando o Paraná na terceira posição nacional.
Vacinação contra HPV avança entre meninas e meninos
A imunização contra o papilomavírus humano (HPV) também apresentou resultados positivos. A cobertura alcançou 91% entre as meninas e 87% entre os meninos.
O avanço entre o público masculino ganha relevância porque a vacinação de meninos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) começou em 2017. Naquele momento, a adesão era de 28%.
A vacina contra o HPV é uma das principais medidas de prevenção de infecções relacionadas ao vírus, que pode provocar diferentes tipos de câncer. Ampliar a imunização entre adolescentes contribui para reduzir os riscos associados à infecção no futuro.
Paraná completa seis anos sem casos de sarampo
O aumento da cobertura vacinal também contribui para reduzir o risco de reintrodução de doenças transmissíveis. No caso do sarampo, o Paraná completa seis anos consecutivos sem registrar casos, segundo os dados apresentados pela Secretaria de Estado da Saúde.
O mapeamento do Ministério da Saúde aponta uma redução de 45% no número de municípios paranaenses classificados como de alto risco para a doença. Ao mesmo tempo, houve aumento de 172% na quantidade de cidades enquadradas na categoria de médio risco.
Os indicadores reforçam a importância de manter a vacinação em dia, especialmente diante da possibilidade de circulação de vírus em outras regiões e países.
Manter a caderneta atualizada continua sendo essencial
Apesar da melhora nos índices, a continuidade das campanhas é fundamental para preservar os resultados e evitar o retorno de doenças preveníveis.
A orientação das autoridades de saúde é que pais e responsáveis verifiquem a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes e procurem uma unidade de saúde para conferir eventuais doses pendentes. Adultos também devem observar as recomendações de imunização correspondentes à faixa etária e às condições individuais.
A marca de mais de 87 milhões de doses aplicadas demonstra a dimensão da campanha de imunização no Paraná. A manutenção desse avanço depende da atuação dos serviços públicos de saúde e da participação da população, com a atualização regular das vacinas previstas no calendário oficial.