Brasil teve recorde de feminicídios em 2025, média de quatro por dia

Número de feminicídios cresce e bate recorde no Brasil

Foram intensificadas as campanhas de prevenção ao feminicídio e conscientização, mas mesmo assim o número de casos aumentou Foto: Reprodução

O Brasil registrou 1.470 feminicídios durante 2025, conforme está registrado no sistema do Ministério da Justiça, mas o número deve ser muito maior, já que São Paulo, Alagoas, Pernambuco e Paraíba ainda não incluíram seus dados no sistema.

Isto significa 4 mortes de mulheres por dia ou uma a cada 6 horas, sempre de forma violenta, pelo fato de serem mulheres.

Pelo que já está registrado, o maior número da série histórica, que cresceu ano após ano.

2025 também foi o ano em que os casos de feminicídio ganharam maior divulgação na Imprensa, possivelmente devido à grande quantidade de câmeras de monitoramento que acabam registrando em vídeo flagrantes de violência contra a mulher, como foi o caso de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada na Marginal Tietê por um ex-ficante no dia 29 de novembro.  Ela morreu na véspera do Natal, depois de quase um mês na UTI.

Em Maringá, um caso recente e que obteve grande divulgação foi o de Jéssica Daiane Cabral, assassinada a tiros na frente de uma filha de sete anos por Gerson Rafael Geidelis, agente da Guarda Civil Municipal.

Jéssica Daiane encerrou o relacionamento com Gerson Rafael e três meses depois ele invadiu a casa dela e a matou com uma pistola da Guarda Civil Municipal de Maringá na frente de uma filha de sete anos Foto: Redes sociais

Também em 2025 foram 3.702 tentativas de feminicídios. Dez por dia. O feminicídio foi incluído na lei como um agravante do homicídio em 2015. Nove anos depois, passou a ser um crime autônomo: matar mulher pela simples razão de ser mulher. A pena máxima aumentou de 30 para 40 anos. É a maior punição prevista na lei brasileira. Mas os números mostram que nada disso tem inibido os criminosos.

O secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Mario Luiz Sarrubbo, disse que é preciso investir na estrutura de acolhimento das delegacias com treinamento dos agentes públicos.

“Quando a mulher se sente segura e acolhida no momento em que faz a primeira denúncia ela volta na segunda agressão e a partir daí a gente consegue com medidas protetivas com a legislação estancar o feminicídio”, comenta Sarrubbo.

Para a diretora de projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, é preciso mais investimentos em medidas urgentes, para salvar quem está em perigo hoje.

“A gente tem felizmente uma geração de mulheres que cada vez aceita menos ser sujeitas diversos tipos de violência, violência física, psicológica, patrimonial, sexual. É fazer cumprir as medidas protetivas. Então se afastamento do Lar, se é uso de tornozeleira eletrônica, se é a apreensão da arma de fogo. Essas medidas precisam ser implementadas de fato”, comenta Pollachi.

 

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