Grupos formados por pessoas que sofrem com a compulsão têm sido a forma mais eficiente na ajuda para quem quer deixar a bebida, o jogo ou as drogas
A sexta-feira, para muitos, é o dia de tomar uma cervejinha com os amigos ou outra bebida para relaxar das atividades do dia a dia, mas essa última sexta foi dia de reflexão sobre o ato de beber, principalmente por aqueles que eventualmente perdem o controle sobre o quanto bebem e o que acontece quando a bebida começa a fazer efeito. É que 20 de fevereiro é o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas e o dia 18 foi o Dia de Combate ao Alcoolismo.
Atualmente, o 20 de fevereiro já tem sentido mais amplo devido ao aumento de outros tipos de compulsões, como a pelo jogo. Os grupos de ajuda mútua formados por pessoas com problemas com o jogo estão recebendo novos membros mais do que os grupos formados por pessoas com alcoolismo, drogas, compradores compulsivos, Vigilantes do Peso e outros. Esse fenômeno vem acontecendo pelo fato de os telefones celulares terem se transformado em verdadeiros cassinos com as bets esportivas e jogos ilegais no Brasil, como o que ficou conhecido como Jogo do Tigrinho.
Compulsivo ajuda compulsivo
Maringá tem quase todos os movimentos de apoio a pessoas com compulsões. São grupo de pessoas que vivem o mesmo tipo de compulsão que se reúnem para conversas sobre seus problemas. Com isto, conseguem superar “a necessidade” de beber, de usar drogas, de fazer apostas.
Este tipo de terapia nasceu há 91 anos nos Estados Unidos, quando dois alcoólatras que não se conheciam, desesperados por não conseguirem parar de beber, se encontraram, compartilharam seus problemas e estranharam que esse fato simples diminuía a vontade de beber. Desse ato simples nasceu Alcóolicos Anônimos, o A.A.. Outras pessoas começaram a participar dessas conversas, grupos foram criados, se espalharam por todos os Estados Unidos e hoje o A.A. está presente em todo o mundo, ajudando milhões de alcoólatras a permanecerem sem beber.
“Sem saber que estavam criando um instrumento poderosíssimo para quem não consegue controlar sua maneira de beber, aqueles dois homens que se encontraram para falar de bebida realizaram uma obra que ajuda também milhões de esposas, maridos, filhos e pais dos alcoólatras, que talvez estavam sofrendo mais do que os próprios bebedores”, diz L.C., que há 37 anos deixou de beber frequentando grupos de AA e não sente falta da bebida.
“A obra que nasceu daquela primeira conversa de alcoólatras desesperados foi o surgimento de um método que hoje ajuda também pessoas que querem se livrar das drogas, que tentam se livrar do jogo, da mania de comprar desenfreadamente, de comer e até pessoas que não conseguem dominar seus pensamentos”, continua L.C..
“Se o alcoolismo é um peso muito grande para os homens, imagine para uma mulher”, diz A.N. também do A.A.. Segundo ela, as mulheres alcoólatras se envergonham de não conseguir controlar a bebida e escondem que estão sofrendo, prejudicando marido e principalmente os filhos.
Ela, que não bebe mais há quase 30 anos, destaca que a maioria das mulheres com problemas tem difriculdades para bascar ajuda, principalmente porque nos grupos de ajuda mútua há predomínio masculino. “Os grupos são lugares em que falamos sem barreira, sem vergonha do que fizemos, porque lá todos viveram os mesmos problemas, mas uma mulher que está chegando para suas primeiras reuniões terá dificuldade de se abrir diante de homens que ela não conhece”.
Compulsão é incurável
Outro veterano do A.A. de Maringá, A.C., diz que não falta às reuniões de Alcoólicos Anônimos porque entendeu que seu alcoolismo não tem cura. Para isso, ele se baseia nos ensinamentos dos mais antigos, dos médicos, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, principalmente, na experiência pessoal. “Em todos esses anos, vi que ninguém se curou do alcoolismo, as pessoas ficam anos sem beber, mas se descuidarem podem voltar à vida de antes. Por isso, em todas as reunões procuro me conscientizar cada vez mais que devo evitar a primeira dose. Se eu beber um trago, estou certo que não pararei mais”.
Essa máxima de A.C., vale também para quem tem problemas com jogo, com droga, qualquer tipo de compulsão.
ONDE ACHAR AJUDA
Alcoólicos Anônimos
Grupo Central de A.A. – Rua São João, 1.283
Todos os dias, às 20 horas
A.A. Grupo Cidade Verde
R. das Azaléias, 1683
Jogadores Anônimos
Grupo Central de J.A. – Avenida Pedro Taques, Paróquia Divino Espírito Santo
Quartas-feiras, 20 horas
Neuróticos Anônimos
Avenida Pedro Taques – Paróquia Divino Espírito Santo
Sextas-feiras, 20 horas
Narcóticos Anônimos
Avenida São Paulo, 231 – Centro
Rua Tupã, 1477 – Jd Universo


