Hanseníase tem complexidade no diagnóstico e ainda muita desinformação

O Maringá

A forma de contágio da hanseníase acontece de forma respiratória, com o contato prolongado - Foto: Divulgação

Conhecida há muito tempo (mais de quatro mil anos na Índia, China, Japão e Egito) a hanseníase era chamada de ‘lepra’. O preconceito foi muito grande, pois, acreditava-se que os pacientes transmitiam com certa facilidade e muita gente ficava doente.

Atualmente com a medicação, os resultados de cura são grandes. O Brasil é o segundo país do mundo entre os que registram maior número de novos casos, no entanto com tratamento, existe uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes, evitando que eles tenham lesões deformantes e dificuldade de movimentação.

A campanha do janeiro roxo serve para desmistificar as chamadas doenças negligenciadas, assim como a hanseníase, malária, doença de chagas e até tuberculose. “O tratamento é de suma importância para evitar a transmissão a outras pessoas, como para evitar possíveis complicações”, explica o médico infectologista do Hospital Universitário de Maringá, Matheus Marchiotti.

Os principais sintomas da hanseníase acontecem de forma progressiva, são lesões que podem aparecer em qualquer parte do corpo, normalmente de uma coloração diferente (principalmente esbranquiçadas), perda de sensibilidade, tais como, sensibilidade térmica (no local da lesão a pessoa não sente calor e frio), sensibilidade tátil e por último a dolorosa. Com a evolução da doença o indivíduo pode ter alteração da enervação até dificuldade de movimentação das mãos ou pés, entre outros.

Dependendo do número de lesões, muda-se o tempo de tratamento que pode, de acordo com a gravidade ser de 6 a 9 meses ou 9 a 12 meses – Foto: Divulgação

Formas de contágio

A forma de contágio da hanseníase acontece de forma respiratória, com o contato prolongado. Alguém que mora junto, que fica muito tempo em contato com a pessoa. “É uma doença que transmite com certa facilidade, porém em pessoas imunocomprometidas (com sistema imunológico enfraquecido) que acabam desenvolvendo a doença”, destaca Marchiotti.

Tipos e medicações

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica em dois tipos: Maior quantidade de bacilos (cinco ou mais lesões) ou menor número de bactérias (cinco ou menos lesões). O acompanhamento é feito nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) com três medicações gratuitas disponíveis pelo Sistema Único de Saúde: clofazimina, rifampicina e dapsona.

Tratamento

Dependendo do número de lesões, muda-se o tempo de tratamento que pode, de acordo com a gravidade ser de 6 a 9 meses ou 9 a 12 meses. O infectologista destaca que o tratamento tem que ser feito corretamente. “Se acaba parando com o medicamento a bactéria pode vir com uma dificuldade maior de tratamento aí tem que começar a usar outras drogas mais difíceis de controle, mas tem cura.”

Casos em Maringá

Os casos de hanseníase são acompanhados nas UBSs, onde os mais complicados são encaminhados para o Consórcio Público Intermunicipal de Saúde (Cisamusep). No HUM, de 2014 a 2023 houve em torno de 14 casos, normalmente se atende quando o caso já está mais avançado.

Registre práticas discriminatórias no DISQUE SAÚDE 136 – Foto: Divulgação

Dados da 15ª Regional de Saúde

2014: 60 casos

2015: 41 casos

2016: 52 casos

2017: 37 casos

2018: 42 casos

2019: 50 casos

2020: 33 casos

2021: 30 casos

2022: 35 casos

2023: 24 casos

2024 (até outubro): 10 casos

Importante

Não se transmite a hanseníase pelo abraço, compartilhamentos de pratos, talheres, roupas de cama e outros objetos. Apesar de ser o primeiro país no mundo que desenvolveu legislação que proíbe linguagem discriminatória contra as pessoas acometidas pela hanseníase, não existem penalidades no Brasil impostas para quem infringirem. Registre práticas discriminatórias no DISQUE SAÚDE 136.

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