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Documentário percorre feiras de Maringá para registrar cultura, sabores e transformações

Por Redação O Maringá
30 de março de 2026
Documentário percorre feiras de Maringá para registrar cultura, sabores e transformações

O documentário sobre as feiras vai mostrar também a visão dos feirantes, inclusive daqueles que estão nas feiras desde a infância e hoje seguem os passos dos pais Foto: Mariana Kateivas

Curta-metragem viabilizado pelo Fomento Aniceto Matti será filmado em cinco feiras de Maringá a partir de abril e deve estrear em junho

 

As feiras livres fazem parte da paisagem urbana e da rotina de milhares de moradores de Maringá. Mais do que espaços de compra e venda, esses ambientes reúnem histórias, tradições familiares e formas de convivência que ajudam a moldar a identidade da cidade.

E é justamente esse universo que será retratado no novo documentário “O que se compra e o que se vive: Narrativas das Feiras de Maringá”. A produção, que começa a ser rodada em abril, percorrerá cinco feiras maringaenses para explorar a cultura, o consumo e as transformações desses espaços ao longo do tempo. O lançamento está previsto para junho deste ano.

A proposta do filme, um curta-metragem, é apresentar as feiras como territórios vivos da cidade. Ao longo das gravações, a equipe pretende registrar o cotidiano de feirantes e frequentadores, captar imagens dos produtos e das relações que se constroem entre barracas, corredores e mesas improvisadas.

“Uma produção audiovisual que apresenta as feiras livres de Maringá como muito mais do que espaços de consumo. O projeto busca revelar esses locais como territórios vivos onde se entrelaçam produtos, convivências, sociabilidades, histórias, memórias e tradições, evidenciando sua importância cultural, econômica e social para a cidade”, destacou Melissa Sperandio, idealizadora, produtora executiva e roteirista do projeto.

O documentário também pretende contextualizar a presença histórica das feiras na cidade. A narrativa explicará as diferenças entre as feiras livres tradicionais, as feiras orgânicas e as chamadas feiras do produtor, cada uma com características próprias de produção, comercialização e relação com os consumidores.

Mesmo com a grande variedade de produtos disponíveis, há um item que se tornou praticamente um símbolo das feiras brasileiras: o pastel. Crocante, servido muitas vezes acompanhado de caldo de cana, ele aparece como elemento cultural marcante no roteiro.

Ao mesmo tempo, o documentário também pretende explorar outras culinárias presentes nas barracas, revelando a diversidade gastronômica que caracteriza esses espaços.

 

Atravessando gerações

A produção também irá destacar as histórias familiares que atravessam gerações nas feiras maringaenses. Muitos feirantes herdaram a atividade de pais e avós, mantendo tradiçõesque atravessam décadas. Nesse contexto, o filme dará atenção especial à presença nipo-brasileira na produção hortifrutigranjeira da região, reconhecida pela forte contribuição para o abastecimento e para o desenvolvimento agrícola local.

Além das tradições, o documentário pretende observar as mudanças no perfil do público e nas formas de consumo. O crescimento de supermercados, aplicativos de entrega e novos modelos de compra tem impactado a dinâmica das feiras. Diante desse cenário, feirantes vêm buscando formas de adaptação, seja diversificando produtos, investindo em alimentos preparados ou criando novas estratégias de relacionamento com os clientes.

Segundo Melissa Sperandio, o projeto busca registrar essas transformações sem perder de vista o aspecto humano que sustenta a vida nas feiras.

“A produção será realizada por meio de registros audiovisuais nas feiras, com entrevistas, captação de imagens do cotidiano, dos produtos, das relações e das dinâmicas que acontecem nesses espaços. O material resultará em um documentário sensível e humanizado, conduzido a partir das vozes de quem vive e constrói as feiras diariamente”, explicou.

 

Novos padrões

Ao longo do percurso pelas cinco feiras escolhidas, o filme também abordará um fenômeno percebido por moradores e comerciantes: a diminuição ou enfraquecimento de algumas feiras de bairro. Mudanças urbanas, novos hábitos de consumo e desafios econômicos têm impactado a continuidade de certos pontos tradicionais da cidade.

“O que se compra e o que se vive: Narrativas das Feiras de Maringá”
A equipe que está produzindo o documentário pretende registrar também como novos hábitos de consumo estão impactando as feiras Foto: Mariana Kateivas

 

Diante desse cenário, a proposta do documentário é também provocar reflexão sobre o valor cultural e social desses espaços. Para a equipe responsável, registrar as feiras é, de certa forma, preservar parte da memória coletiva de Maringá.

“Espera-se valorizar as feiras como patrimônios afetivos e culturais, dar visibilidade aos feirantes e frequentadores, fortalecer o reconhecimento público desses espaços e contribuir para a preservação de suas histórias e saberes. O projeto também pretende ampliar o olhar da população sobre as feiras, destacando seu papel na construção da identidade maringaense”, ressaltou Melissa.

 

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Tags: Destaquedocumentário sobre feiras de MaringáFomento Aniceto Matti

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