Historicamente, a Polícia Militar age diuturnamente de maneira ostensiva e repressiva no combate à criminalidade. É o trabalho visível, aquilo que a população acompanha no dia a dia. Nos últimos anos, porém, a PM tem se destacado por um planejamento “invisível”, ou seja, longe dos olhos das pessoas. É uma ação que envolve estratégia, dados, policiais, inteligência.
Na avaliação do comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar em Maringá, o tenente-coronel Christian Nogueira de Souza Gomes, o grande destaque hoje do policiamento ostensivo é a retaguarda, o trabalho desenvolvido pelo setor de inteligência do 4º BPM. É de dentro dos quartéis e das viaturas veladas que os policiais colhem os dados relativos à ocorrência de crimes. “Transformam isso num banco de dados e informações que serão utilizados na sequência pela tropa que está na rua, devidamente caracterizada, uniformizada, utilizando as viaturas para atender as ocorrências”, explica o comandante, em entrevista exclusiva.
Nogueira destaca que não abre mão desse tipo de trabalho, destacando que o serviço de inteligência no 4º BPM foi melhorado, com investimento no contingente policial. Ele acredita que o levantamento de dados rende muitos frutos no combate à criminalidade. Por isso, a ideia é, quando for possível, aumentar os quadros para que a resposta seja ainda mais efetivada.
Nesse contexto, o Batalhão conta hoje com o programa estadual Olho Vivo. Este é coordenado de forma integrada pela Secretaria da Segurança Pública, Secretaria das Cidades e pela Superintendência-Geral de Governança de Serviços e Dados, com arquitetura tecnológica desenvolvida para operar em larga escala e em conformidade com a Lei Geral de Proteção aos Dados Pessoais (LGPD).
“Ao longo de muitos anos, talvez seja essa uma das principais inovações em termos de segurança pública”, diz o comandante do 4º BPM. Para quem não sabe, o Olho Vivo é uma espécie de cercamento digital por câmeras de segurança na cidade de Maringá. Até o momento, a Cidade Canção conta com cerca de 100 dispositivos, que são vinculados a um banco de dados, com casos de investigação, furtos, mandados de prisão, veículos furtados e roubados etc.
“A gente consegue realizar o monitoramento por toda a cidade. No sentido de identificar pessoas com mandado de prisão, pois há câmeras com a tecnologia de reconhecimento facial. E outras câmeras que conseguem reportar as placas de veículos furtados e roubados, ou mesmo veículos suspeitos que a gente pretende fazer a abordagem policial. Tudo isso dentro de uma rede que confere à Polícia Militar no mesmo instante que o veículo e a pessoa estão passando. Esses alertas soados na central de operações e imediatamente, dependendo das condições, circunstâncias e contextos, destacamos uma equipe policial para realizar essas abordagens. É uma tecnologia imprescindível hoje e veio para ficar”, explica Nogueira.
Ele avalia que o programa Olho Vivo tem rendido frutos extraordinários e permite à PM adotar intervenções mais assertivas. Em outras palavras, o trabalho policial pode ir direto ao ponto, evitando a perda de tempo com esforços desnecessários.
Por exemplo, em abril deste ano a Polícia Militar do Paraná localizou e apreendeu uma motocicleta furtada com placa clonada em circulação em Maringá, com apoio do sistema de monitoramento inteligente Olho Vivo. O condutor foi preso em flagrante.

Cidade segura
Com base em estatísticas criminais, o comandante Nogueira avalia que Maringá é uma cidade segura. Principalmente na comparação com grandes centros. É o resultado do trabalho de semanas, meses e anos. “O trabalho da PM e das forças policiais têm surtido um efeito muito positivo. Historicamente, Maringá ostenta bons índices de criminalidade”, explica, destacando que esse cenário é melhor ainda para indicadores de crimes violentos, caso de latrocínios e homicídios.
“A gente tem um decréscimo muito acentuado do crime de roubo. É um tipo de ocorrência que assola a comunidade, gera uma sensação de insegurança. Estamos satisfeitos, mas ao mesmo tempo nos traz uma grande responsabilidade, porque a gente sabe que o maringaense cobra muito dos órgãos públicos e da segurança pública não é diferente”.
Segundo ele, o trabalho da PM é realizado diuturnamente e integrado às forças policiais ao longo dos anos. Os frutos vêm sendo colhidos sistematicamente hoje.
Consequentemente, conforme Nogueira, Maringá se tornou uma cidade atrativa para viver e morar. “E um dos indicadores, sem dúvida, é a segurança pública. Posso garantir não pela minha fala, necessariamente, mas pelos números propriamente ditos que estão à disposição, de que Maringá é uma cidade segura”.
Na análise criminal, o que se percebe é a importância de combater os pequenos delitos na visão do comandante. “Combatendo pequenos e médios delitos, você evita que os crimes mais graves aconteçam”, explicando que é preciso entender como é que o crime está funcionando, a sua dinâmica, o modus operandi dos marginais, dos autores, entendendo onde o crime está acontecendo, se é na área central, se é nos bairros, prestando um atendimento de qualidade da Polícia Militar. De maneira que o crime seja resolvível, mesmo que ele exija diligências duradouras, para poder dar uma resposta à sociedade. “Essa análise criminal tem sido uma grande ferramenta para que entendamos esse fenômeno criminoso e passamos a agir correspondentemente a ele”.
Desse modo, a PM pode dar respostas positivas às ocorrências identificadas de drogas, tráfico e crimes com arma branca, por exemplo. O comandante afirma que houve redução dos crimes na área central e bairros, a partir de uma leitura situacional dos crimes e de quem os comete.
“A gente tem um decréscimo muito acentuado do crime de roubo. É um tipo de ocorrência que assola a comunidade, gera uma sensação de insegurança. Estamos satisfeitos, mas ao mesmo tempo nos traz uma grande responsabilidade, porque a gente sabe que o maringaense cobra muito dos órgãos públicos e da segurança pública não é diferente”.
Regiões mais sensíveis
Em termos de ocorrências de crimes, o comandante Nogueira avalia que as áreas mais sensíveis se concentram em regiões com grande circulação de pessoas e área comercial movimentada, como é o caso do Centro e bairros vizinhos (Zona 7 e entorno da Universidade Estadual de Maringá, a UEM, por exemplo).
Mas também em bairros populosos, como o Jardim Alvorada, além de vias de acesso a locais maiores: Mandacaru, Pedro Taques e Cerro Azul. “Há uma atenção grande onde há um grande fluxo de pessoas e uma grande área comercial”, conclui.








