Maringá ganhou nesta sexta-feira, 24, o Fundo Arquivístico Eleitoral Antonio Tortato, aberto à visitação no primeiro piso do Teatro Calil Haddad. O espaço, criado pela Secretaria da Cultura, reúne documentos de Maringá e região doados pelo setor de Memória da Justiça Eleitoral do Paraná. O acervo é formado por 872 caixas com fichas de alistamento e folhas individuais de votação, além de cerca de 300 mil títulos de eleitor emitidos entre 1956 e 1986.
O acervo passou por um processo de organização, catalogação e preservação. Os documentos também já estão em processo de digitalização, medida que amplia a preservação e facilita o acesso às informações. Para consultar o acervo, basta entrar em contato com a Gerência de Patrimônio Histórico e Cultural e agendar uma visita.
O prefeito Silvio Barros (PP) ressaltou a importância de Maringá ter preservado os documentos eleitorais. “Esses títulos fazem parte da nossa história política e ajudam a compreender como chegamos à cidade em que vivemos hoje. Há muita informação nesses documentos que ainda pode ser relevante para pesquisadores e para a comunidade. Nós pensamos no futuro e trabalhamos para quem vem depois. Preservar essa história faz parte do compromisso de preparar a cidade para as próximas gerações”, disse.
O fundo homenageia Antonio Tortato, servidor público, pesquisador e ex-prefeito de Paranacity, que chegou a Maringá na década de 1970. Falecido em 1992, ele ajudou a articular a transferência dos documentos eleitorais para a Prefeitura de Maringá, contribuindo para a preservação do acervo hoje guardado pelo Arquivo Histórico Municipal.
Carlos Antonio Tortato Filho, filho do homenageado, contou que a família recebeu a homenagem com grande satisfação. “Meu pai era um leitor assíduo, gostava de catalogar e preservar tudo. Ver esse trabalho se materializar no Fundo Arquivístico Eleitoral é muito significativo para toda a família. Esse espaço fortalece a pesquisa e a preservação da memória de Maringá”, comentou.
“A homenagem reconhece o servidor que ajudou a salvar uma documentação que beneficia pesquisadores e cidadãos. Após a morte de Tortato, a família também doou ao município parte de sua coleção pessoal”, contou o historiador do Patrimônio Histórico e Cultural,Elias Theodoro Mateus.
O analista da Justiça Eleitoral, Daniel Galuch Júnior, explicou que após o recadastramento eleitoral de 1986, os antigos títulos brancos perderam a validade e muitas zonas eleitorais descartaram esse material. “Em Maringá, porém, servidores da Justiça Eleitoral e da Prefeitura optaram pela preservação dos documentos, que foram transferidos ao município com o apoio de Antonio Tortato. É importante que as novas gerações compreendam o valor desse acervo. Para nós, esses títulos ainda carregam afeto e memória; para elas, não podem se tornar apenas estatística”, salientou.

O secretário de Cultura, Tiago Valenciano, pontuou o papel da Justiça Eleitoral na preservação da democracia e ressaltou o legado de Antonio Tortato para a memória de Maringá. “A Justiça Eleitoral realiza um trabalho essencial para garantir eleições confiáveis, e preservar essa memória é valorizar a democracia. Já os registros preservados por Tortato foram fundamentais para diversos estudos sobre a história política do município. Dar o nome dele a este fundo que criamos agora é eternizar o legado de um servidor dedicado à pesquisa e à preservação da nossa história”, frisou.








