Com a chegada do inverno, pessoas com asma precisam redobrar a atenção para evitar crises e complicações respiratórias. O período mais frio do ano reúne diversos fatores que podem desencadear sintomas, como maior circulação de vírus, ambientes fechados, contato com cobertores e roupas guardadas, além da presença de poeira e ácaros.
Especialistas alertam, no entanto, que o frio por si só não é o principal responsável pelo agravamento da asma. Segundo o coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, o maior risco está relacionado ao aumento das infecções respiratórias, que podem intensificar a inflamação das vias aéreas em pessoas que não mantêm a doença sob controle.
Quando a asma não está bem tratada, uma gripe ou virose pode provocar uma piora dos sintomas e levar a uma crise respiratória. Por isso, médicos recomendam que o tratamento seja mantido de forma contínua, conforme orientação profissional, mesmo nos períodos em que o paciente apresenta poucos sintomas.
A vacinação também é considerada uma importante aliada na prevenção de agravamentos. Imunizações contra doenças como gripe (Influenza), Covid-19 e vírus sincicial respiratório (VSR), quando indicadas, ajudam a reduzir o risco de infecções que podem desencadear crises.
De acordo com especialistas, o Brasil possui cerca de 20 milhões de pessoas com asma. Crianças e adolescentes estão entre os grupos mais afetados. Dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), analisados pela organização Umane, mostram que pacientes de 0 a 14 anos representaram a maioria das internações por asma em 2024.
Em julho daquele ano, por exemplo, foram registradas 4.034 internações nessa faixa etária, número quase duas vezes maior que o registrado em janeiro. Ao longo de 2024, o país contabilizou mais de 52 mil internações por asma, sendo que crianças e adolescentes responderam por grande parte dos casos.
Para reduzir os riscos dentro de casa, especialistas recomendam manter os ambientes ventilados, evitar mofo e umidade, limpar cortinas e roupas de cama com frequência e reduzir o acúmulo de objetos que possam juntar poeira, como bichos de pelúcia.
Outra orientação é evitar o uso de vassouras, que podem espalhar partículas pelo ambiente. A recomendação é preferir pano úmido ou aspirador de pó para a limpeza.
O contato com fumaça também deve ser evitado. Médicos alertam que a exposição ao cigarro tradicional, cigarro eletrônico e narguilé pode aumentar significativamente as chances de crises, especialmente em crianças.
Além dos cuidados domésticos, especialistas destacam a importância de um plano de ação para crises, com orientações claras sobre como agir diante do início dos sintomas e quando procurar atendimento médico.
Durante o inverno, a maior permanência das pessoas em locais fechados também favorece a transmissão de vírus respiratórios. Por isso, médicos recomendam evitar contato próximo com pessoas gripadas ou resfriadas, manter as vacinas atualizadas e adotar medidas de proteção quando houver maior circulação de doenças.
Com acompanhamento adequado, tratamento regular e prevenção dos principais gatilhos, pacientes com asma podem atravessar o período mais frio do ano com menor risco de complicações e internações.







