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MP das Dívidas Rurais é regulamentada, mas produtores ainda enfrentam armadilhas na renegociação

Por Redação O Maringá
30 de julho de 2026
MP das Dívidas Rurais é regulamentada, mas produtores ainda enfrentam armadilhas na renegociação

Foto: Divulgação

A regulamentação da Medida Provisória (MP) nº 1.376/2026, promovida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Ministério da Fazenda, representa um avanço aguardado por milhares de produtores rurais brasileiros que enfrentam dificuldades financeiras. Com a definição das regras operacionais, as instituições financeiras passam a ter respaldo para oferecer as renegociações previstas na medida, criando uma nova oportunidade para reorganização das dívidas do setor.

Apesar do avanço, especialista alerta que a regulamentação não significa acesso automático aos benefícios. A adesão continua condicionada ao cumprimento de critérios técnicos e documentais rigorosos, além da análise individual de cada operação de crédito.

O tema ganha relevância diante da atual situação do agronegócio brasileiro. Segundo dados da Serasa Experian, 8,8% dos produtores rurais pessoas físicas estavam inadimplentes no primeiro trimestre de 2026, o maior percentual da série histórica. Estima-se ainda que aproximadamente 45% dos agricultores brasileiros convivam com algum nível de endividamento, cenário que restringe o acesso ao crédito e compromete novos investimentos.

No Paraná, embora o índice de inadimplência seja inferior à média nacional, o volume financeiro preocupa. O saldo problemático das operações rurais chega a R$ 10,8 bilhões, enquanto estimativas do Sistema FAEP apontam que o endividamento do setor no Estado já ultrapassa R$ 14 bilhões.

Para o advogado especialista em crédito rural Gian Tozini, do escritório Veríssimo & Viana Advogados, a regulamentação representa um passo importante, mas exige cautela dos produtores.

“A regulamentação era necessária para que a MP pudesse ser efetivamente aplicada pelos bancos. É uma medida positiva, porque finalmente cria um caminho concreto para renegociação. Mas o produtor precisa compreender que os critérios continuam bastante rigorosos e que cada operação deve ser analisada individualmente”, afirma.

 

Nem toda dívida poderá ser renegociada

A MP contempla produtores rurais e cooperativas que registraram perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da receita esperada. Em situações mais severas, envolvendo três ou mais perdas e prejuízos superiores a 40%, a legislação prevê condições diferenciadas, como prazos maiores e juros reduzidos.

Entretanto, o enquadramento depende da apresentação de documentação técnica, incluindo laudos elaborados por profissionais habilitados, além da observância das datas e modalidades de financiamento previstas pela norma.

Segundo Tozini, muitos produtores podem criar expectativas que não serão confirmadas durante a análise bancária. “Nem toda operação será enquadrada. A modalidade do crédito, a data da contratação, renegociações anteriores e diversos aspectos técnicos podem impedir a adesão. Por isso, é importante fazer uma avaliação antes mesmo de iniciar o processo junto ao banco.”

 

Garantias exigem atenção

Outro ponto que merece cuidado são as condições propostas pelas instituições financeiras.

Embora a MP permita renegociações com prazos que podem chegar a oito ou dez anos, as condições efetivas dependerão da análise realizada por cada agente financeiro. Além disso, os bancos poderão solicitar reforço ou substituição das garantias originalmente oferecidas.

Para o especialista, esse é um dos aspectos que exigem maior atenção. “O produtor não deve avaliar apenas a redução da parcela ou o aumento do prazo. É preciso verificar se haverá novas garantias, alterações nas condições do contrato ou impactos que possam comprometer a atividade no futuro. Uma renegociação mal estruturada pode gerar consequências financeiras relevantes.”

 

Prazo é limitado

A adesão ao programa poderá ser realizada até 12 de novembro de 2026. No entanto, a elaboração dos laudos técnicos, a reunião da documentação, a análise pelos fundos garantidores e a tramitação interna nas instituições financeiras podem consumir semanas ou até meses.

Por isso, a orientação é que os produtores interessados iniciem o processo o quanto antes.

Para Gian Tozini, a regulamentação representa uma oportunidade importante para recuperar a capacidade financeira de muitas propriedades rurais, desde que a decisão seja tomada com segurança.

“A MP não representa perdão de dívidas, mas uma possibilidade de reorganização financeira. O produtor que analisar cuidadosamente sua situação jurídica e econômica terá melhores condições de aproveitar os benefícios da medida e evitar novos problemas no futuro”, conclui.

Tags: DestaqueDívidas RuraisMedida Provisória nº 1.376/2026MP das Dívidas Rurais

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