O café já não se concentra nos escritórios das grandes cidades chinesas. A bebida ganha espaço em distritos, regiões de planalto, destinos turísticos e cidades históricas, ampliando o mapa do consumo no país.
Um levantamento divulgado recentemente pela Agência de Notícias Xinhua, em parceria com a plataforma de análise setorial Zhaimen, mostra a expansão geográfica do mercado e as mudanças nos hábitos de consumo.
Atualmente, a China conta com 254,6 mil lojas de café preparado na hora. Em três anos, o número aumentou em 106,7 mil estabelecimentos, uma expansão acumulada de 72,12%. A rede alcança as 31 regiões administrativas de nível provincial, 365 cidades e 1.889 distritos.
Até agosto de 2026, a Luckin Coffee contava com 36.087 lojas na China, a maior rede de cafeterias do país. A expansão da rede também ilustra a crescente presença do café em diferentes regiões do território chinês.
Embora o litoral leste e sul continue concentrando grande parte das cafeterias, o setor também avança pelo interior. Shanghai, Guangdong e Beijing estão entre as áreas com maior número de estabelecimentos de café associados a destinos turísticos, onde a demanda de trabalhadores, consumidores locais e visitantes sustenta um mercado consolidado.
A expansão também chega a cidades emergentes e áreas de nível distrital. As cidades emergentes de primeira linha somam 58.925 cafeterias, enquanto os distritos já contam com 65.519. Juntos, esses mercados reúnem 124.444 estabelecimentos, equivalentes a 48,88% do total nacional.
O crescimento nas áreas de nível distrital é destaque. Em três anos, o número de cafeterias nesses locais aumentou 103,41%, bem acima da média nacional de 72,12%. Sua participação no total do país subiu de 21,78% para 25,74%, o que significa que aproximadamente uma em cada quatro cafeterias chinesas está nessas áreas.
A expansão ocorre sobretudo onde já havia oferta: 97,88% das novas lojas foram abertas nos distritos que já contavam com cafeterias três anos antes. Entre os 1.716 distritos que já tinham estabelecimentos do tipo naquele período, 93,30% ampliaram sua rede.
O avanço, contudo, é desigual. Dali e Kunshan já contam com mais de mil cafeterias cada, mas continuam sendo exceções. Entre os 1.889 distritos com estabelecimentos do setor, 72,74% têm menos de 30 lojas, com uma média de apenas 16.
Algumas localidades registram crescimento acelerado: em Ruili, o número de cafeterias quase quintuplicou em três anos, enquanto Zhongmu registrou alta de 292,31%. O dinamismo dessas regiões está ligado a fatores como comércio fronteiriço, atividade industrial e fluxo turístico, que combinam a demanda de moradores e visitantes.
O turismo também impulsiona o consumo de café em regiões de grande altitude. Considerando o número de cafeterias por 10 mil habitantes, Lhasa registra 9,41 estabelecimentos e Nyingchi, 7,53, índices superiores aos de grandes centros como Hangzhou e Shanghai.
Embora tenha muito menos lojas em números absolutos do que Shanghai, Lhasa apresenta uma densidade de cafeterias quase duas vezes maior. Em três anos, o número de estabelecimentos cresceu 320,45% em Xigaze e 233,33% em Nyingchi, colocando Xizang entre as regiões com a expansão mais acelerada do setor. O movimento reflete tanto a demanda local quanto a presença de turistas.
As redes de cafeterias também adaptam seus estabelecimentos às características culturais e geográficas de cada área. A Luckin Coffee abriu lojas com elementos da cultura tibetana em Nyingchi e uma unidade às margens do lago Sayram, em Xinjiang.
Assim, o café passa a integrar não apenas a rotina dos moradores, mas também a experiência turística em paisagens e ambientes culturais distintos.
Expandir para regiões remotas, planaltos e áreas fronteiriças, porém, traz desafios logísticos. As empresas precisam garantir o abastecimento, manter redes eficientes de armazenamento e transporte e assegurar a viabilidade das operações. A sazonalidade do turismo, os hábitos de consumo e as características demográficas também variam de uma região para outra, o que limita a simples reprodução dos modelos comerciais das grandes cidades.
Em meio aos esforços da China para estimular a demanda interna e o consumo de serviços, o setor ainda tem espaço para crescer. A próxima etapa dependerá não apenas da abertura de novas lojas, mas também da capacidade de integrar abastecimento, gestão entre regiões e inovação às necessidades locais, incorporando o café cada vez mais à vida cotidiana e às experiências de viagem em todo o país.



