A cooperação com a China oferece oportunidades significativas para Portugal na área da educação profissional, uma vez que ambos os países enfrentam desafios comuns no desenvolvimento de competências, na transição verde e na transformação digital, disse Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal.
Em entrevista exclusiva à Xinhua durante a Conferência Mundial de Desenvolvimento da Educação Profissional e Técnica 2026, ocorrida de 15 a 17 de outubro no Município de Tianjin, norte da China, Alexandre indicou que a conferência oferece uma oportunidade valiosa para os países compartilharem experiências na área de educação profissional, e que a experiência da China, assim como a de outros países participantes, pode ser valiosa para Portugal e para a Europa.
A educação profissional é uma área importante da cooperação entre a China e Portugal, observou Alexandre. “Gostaria de destacar o intercâmbio de tecnologia. Os laboratórios e as tecnologias utilizadas pelos alunos são semelhantes, o que lhes permite desenvolver habilidades e competências comparáveis.”
Ele também destacou os intercâmbios estudantis. Alguns estudantes portugueses também participam da conferência em Tianjin e vêm à China todos os anos. Esses intercâmbios são fundamentais não apenas porque os estudantes podem compartilhar experiências, mas também porque podem construir redes de contatos que apoiarão a cooperação futura entre os dois países, acrescentou ele.
Durante a conferência, a Estrutura dos Padrões Mundiais de Educação Profissional e Técnica, conhecida como Acordo de Beijing, foi divulgada conjuntamente por 45 países na cerimônia de encerramento, em 17 de outubro.
Liderado pela China, a Estrutura estabelece princípios comuns e abordagens práticas para a educação profissional, incluindo uma cooperação mais estreita entre escolas e o setor empresarial, a aprendizagem ao longo da vida, a capacitação no local de trabalho e o uso da inteligência artificial no ensino.
Sobre as normas internacionais para a educação profissional, Alexandre ressaltou que essa estrutura comum é muito importante, especialmente para garantir a transparência e melhorar a avaliação da qualidade. “Muitas habilidades são compartilhadas além das fronteiras nacionais, por isso esse tipo de estrutura é extremamente importante”, disse ele.
Alexandre referiu que Portugal está investindo fortemente na criação de ambientes de aprendizagem modernos. Mais de 400 centros tecnológicos especializados estão em construção em todo o país, abrangendo tecnologia digital, tecnologia da informação, energia renovável, indústria avançada e muitos outros campos, com um investimento total de cerca de 500 milhões de euros.
Ele indicou que esses novos centros são planejados e construídos com o objetivo de se alinharem às necessidades reais do mercado de trabalho. As empresas também estão envolvidas no ensino e na formação de professores, ajudando-os a dominar as tecnologias mais avançadas disponíveis nos laboratórios escolares.
Olhando para o futuro, Alexandre manifestou que Portugal e a China estão desenvolvendo diversas formas de cooperação nas áreas de educação, ciência e tecnologia, sendo que a educação profissional é, sem dúvida, uma dessas áreas.
A transição verde e a transformação digital discutidas na conferência oferecem oportunidades significativas para ambos os países. “Ao compartilharmos tecnologias e práticas educacionais, estou confiante de que poderemos aprofundar nossa cooperação”, disse ele.
Alexandre observou que os projetos de educação profissional que estão sendo desenvolvidos na China são muito diversos, mas muitos se concentram em áreas que também são importantes para Portugal.
“Se analisarmos os principais campos abrangidos pela educação profissional nos dois países, percebemos que há um grau muito alto de sobreposição. Isso é impressionante. Embora a China e Portugal sejam países diferentes, enfrentamos muitos desafios em comum”, observou ele.
“A China é hoje um país de alta tecnologia e está na vanguarda em muitos campos tecnológicos”, enfatizou Alexandre, “Se quisermos trabalhar com os melhores, precisamos trabalhar com a China.”


