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A morte não interrompe o amor

Por Pamela Maria
26 de dezembro de 2025

Ao celebrarmos o Dia dos Fiéis Defuntos, somos atingidos pela saudade e desconforto pela perda de entes queridos. A vida é um dom que tem seu tempo contado neste mundo e somos introduzidos para a vida eterna. É uma questão de fé e de esperança. Fé e esperança se abraçam e confortam na dor a perda de pessoas queridas.

O cristão, de modo especial, é educado para acreditar em Deus e assimilar a mensagem de Jesus, que veio anunciar que Deus tem o Reino dos Céus para todos nós. O protagonismo da fé nos estimula a viver de acordo com o novo céu e a nova terra. Acreditamos que a morte não é o fim. “Por detrás de minha pele, que envolverá isso, na minha própria carne, verei Deus. Eu mesmo o contemplarei, meus olhos o verão, e não os olhos de outros” (Jó 19,23-27).

Ao celebrarmos o Dia dos Fiéis Falecidos, próximo ao Dia de Todos os Santos e Santas, fortalece-se o conforto com as realidades eternas. Nosso destino é a pátria celeste. Estamos como emprestados neste mundo, onde as realidades temporais se consomem enquanto construímos relações de amor entre nós, humanos, em comunhão com a natureza, toda a obra criada por Deus. Voltaremos definitivamente para a pátria celeste, porque somos cidadãos dos céus (Fl 3,2-21). A prática da justiça é a medida que ajusta a vida com toda a sabedoria e evidências possíveis para um convívio salutar, perfeito.

Ao visitarmos os cemitérios, nos confrontamos com as realidades transcendentais. A vida é para o além. Não termina aqui. A prática do amor fortalece a fé geradora de esperança e que nos motiva a viver, agir, sentir, direcionar a vida. Jesus Cristo, o intermediador entre Deus e a humanidade, experimentou na carne a dor da morte de cruz para que nós, ao olharmos para o crucificado, acreditemos que a força do amor ultrapassa a própria morte, inclusive a morte terrível de cruz. O amor está acima. Vivemos para o amor, porque quem nos dá a vida é Deus. “Deus é amor”.

O amor de Deus está em nós, portanto, experimentamos o amor na comunidade de fé, onde as pessoas se conhecem, se relacionam, se ajudam, se sentem amparadas, sobretudo na hora da dor e do sofrimento. É na comunidade que o Ressuscitado aparece depois de Sua passagem pela morte. É na comunidade que intensificamos os sinais do céu, vivendo a justiça, o acolhimento, o respeito, o cuidado uns pelos outros.

A passagem terrível de Jesus pela morte nos alerta que a vida não deve ser de sofrimento, mas de amor. Jesus nos amou até o extremo para nos garantir que o amor está acima da morte. Como Ele morreu, também ressuscitou. Eis a razão da nossa esperança e conforto neste dia, ao lembrarmos de tantos que já não estão mais no convívio conosco neste mundo.

Desde o princípio do cristianismo se rezava pelos mortos. É a razão mais autêntica e verdadeira, sentir, sofrer, a tristeza da morte. Ao mesmo tempo, Jesus nos ensina que a nossa morada é na casa do Pai, “do contrário teria dito”. Da ressurreição de Jesus vem a certeza da nossa ressurreição. Ele anunciou aos discípulos e estes foram orientados pelo Senhor para anunciar ao mundo que Ele está vivo no meio de nós, acreditamos na Sua ressurreição, queremos com Ele, um dia também ressuscitar.

Eis o conforto que deve apagar a tristeza, fomentar a esperança, rezar pelos falecidos e um dia, com todos alcançar a vida eterna junto de Deus.

 

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