O governo brasileiro anunciou a redução do nível de suas relações diplomáticas com a Argentina em meio ao agravamento das tensões entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. A decisão foi comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) nesta terça-feira (5).
Com a medida, a representação diplomática brasileira em Buenos Aires passará a ser conduzida por um encarregado de negócios, em vez de um embaixador. O diplomata Julio Bitelli, embaixador do Brasil na Argentina, permanecerá fora do posto após ter sido chamado a Brasília para consultas na semana anterior.
Segundo informações do Itamaraty, o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, foi convocado para receber oficialmente a comunicação sobre a redução do nível da representação diplomática entre os dois países.
A decisão foi tomada após o presidente argentino, Javier Milei, voltar a fazer críticas e declarações ofensivas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista concedida ao jornal argentino La Nación. O governo brasileiro considerou que as novas manifestações aprofundaram a crise diplomática já existente.
O desgaste entre Brasília e Buenos Aires se intensificou no fim de julho, quando Milei participou de um evento político em São Paulo e fez críticas direcionadas ao presidente brasileiro, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a outras instituições do país. Na ocasião, os dois governos convocaram seus respectivos embaixadores para consultas diplomáticas.
Apesar da redução do nível das relações, o Brasil não rompeu os laços diplomáticos com a Argentina nem anunciou o fechamento de sua embaixada em Buenos Aires. A medida, no entanto, representa uma das respostas diplomáticas mais significativas adotadas pelo governo brasileiro desde o início da gestão de Javier Milei, mantendo abertos os canais oficiais de diálogo entre os dois países enquanto persistem as divergências políticas.






