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Catadoras de mangaba enfrentam avanço urbano para preservar tradição e área verde em Aracaju

Por Agência Brasil
13 de julho de 2026

Em meio ao crescimento urbano de Aracaju, um grupo de mulheres mantém viva uma tradição centenária que também contribui para a preservação ambiental. As catadoras de mangaba da capital sergipana seguem mobilizadas para proteger as áreas de coleta do fruto nativo, ameaçadas pela expansão imobiliária e pela redução dos remanescentes de vegetação.

A atividade extrativista, responsável pelo sustento de dezenas de famílias, é desenvolvida em um território formado pela Reserva Extrativista Mangabeiras Missionário Uilson de Sá e por uma área da União destinada ao uso sustentável da comunidade. Juntas, essas áreas preservam não apenas as mangabeiras, mas também um importante patrimônio cultural e ambiental de Sergipe.

Recentemente, a comunidade celebrou duas conquistas importantes: o primeiro lugar no Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, concedido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e o lançamento do Plano de Manejo Popular, elaborado coletivamente para orientar o uso sustentável da reserva e fortalecer a proteção do território diante da pressão urbana.

Segundo lideranças da Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper, o documento representa uma ferramenta para garantir que as próprias famílias participem das decisões sobre o futuro da reserva, preservando seus conhecimentos tradicionais e seu modo de vida.

A relação das famílias com a mangaba atravessa gerações. Além da coleta do fruto, a comunidade produz diversos alimentos artesanais, como geleias, licores, bolos, biscoitos, vinagres, pães e até vinho, agregando valor à produção e complementando a renda familiar.

Especialistas que acompanham o trabalho das extrativistas destacam que as catadoras desempenham um papel essencial na conservação da biodiversidade. As áreas preservadas ajudam na manutenção da Mata Atlântica, contribuem para o equilíbrio climático urbano e garantem a sobrevivência de espécies responsáveis pela polinização das mangabeiras.

Entretanto, o avanço da urbanização preocupa a comunidade. As construções próximas às áreas de coleta alteram as condições ambientais, reduzem a presença de polinizadores e dificultam o desenvolvimento das árvores, impactando diretamente a produção do fruto.

Nos últimos anos, Sergipe perdeu protagonismo na produção nacional de mangaba. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado, que já liderou a produção extrativista da fruta no país, atualmente ocupa a quarta posição, reflexo da diminuição das áreas naturais destinadas ao extrativismo.

Para fortalecer a atividade, as catadoras defendem a criação da Casa da Mangaba, espaço destinado ao beneficiamento da produção, comercialização de derivados, instalação de um museu dedicado à cultura da mangaba e funcionamento da sede da associação.

Outro projeto em desenvolvimento prevê a expansão do turismo de base comunitária, permitindo que visitantes conheçam o trabalho das extrativistas, a culinária regional, a história da comunidade e a importância ecológica das mangabeiras. A iniciativa também pode gerar renda durante os períodos de menor produção do fruto.

As famílias também reivindicam maior participação em programas públicos de compra de alimentos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ampliando o mercado para os produtos derivados da mangaba e fortalecendo a economia local.

Em resposta às demandas da comunidade, a Prefeitura de Aracaju informou que apoia a construção da unidade de beneficiamento da mangaba, mantém ações de fiscalização ambiental na reserva e afirma respeitar a autonomia das catadoras na gestão do território. Enquanto aguardam novos avanços, as extrativistas seguem unindo tradição, geração de renda e conservação ambiental para garantir que a cultura da mangaba permaneça viva nas próximas gerações.

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