Uma porta-voz do governo chinês criticou nesta quarta-feira (16) o Partido Democrático Progressista (PDP), que governa Taiwan, por promover mudanças no sistema educacional da ilha que, segundo Pequim, reduziriam a presença da cultura tradicional chinesa nas escolas.
Zhu Fenglian, porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado da China, fez as declarações durante uma entrevista coletiva regular, ao responder a uma pergunta sobre os esforços das autoridades de Taiwan para diminuir elementos da cultura chinesa na educação e retirar textos clássicos chineses dos currículos e livros escolares.
Segundo Zhu, as políticas educacionais adotadas pelo PDP sob uma perspectiva separatista tiveram “consequências graves”.
A porta-voz afirmou que a cultura chinesa constitui uma parte importante do patrimônio cultural e espiritual da população de Taiwan e contribuiu para o desenvolvimento econômico e social da ilha.
Zhu disse que a redução do ensino das tradições chinesas e a retirada de obras clássicas dos livros escolares diminuem as oportunidades para que estudantes de Taiwan estudem textos tradicionais e conheçam figuras e acontecimentos históricos importantes.
“Não é culpa das crianças que elas desconheçam a história e as tradições chinesas, mas das forças da ‘independência de Taiwan’”, afirmou Zhu.
Mudanças no currículo
Segundo o governo chinês, as mudanças curriculares tiveram início na década de 1990, em um período de crescimento de discursos favoráveis ao separatismo. Desde então, alterações nas diretrizes curriculares e nos critérios para elaboração de livros didáticos em Taiwan passaram a ser alvo de disputas políticas.
O sistema educacional de Taiwan estabelece diretrizes sobre os conteúdos que devem ser incluídos nos livros escolares. As instituições de ensino podem posteriormente escolher entre diferentes versões de materiais didáticos que seguem essas orientações.
Com a implementação das diretrizes curriculares de 2019, o número de textos clássicos recomendados para estudantes do ensino médio foi reduzido de 30, previstos nas orientações anteriores, para 15. Algumas obras consideradas importantes para a identidade e os valores chineses deixaram de fazer parte da lista de textos recomendados.
Antes das diretrizes de 2019, os livros de história de Taiwan geralmente adotavam uma estrutura cronológica que começava com o surgimento da civilização chinesa, passava por diferentes dinastias imperiais e chegava à história contemporânea.
No currículo atual do ensino médio, a história chinesa é com mais frequência apresentada dentro de uma abordagem mais ampla da história do Leste Asiático e da região, com maior destaque para a história de Taiwan.
Educadores e pais da ilha têm manifestado repetidamente preocupações sobre o que consideram uma crescente tendência separatista na educação. Alguns deles mantêm, desde 2018, uma associação e um site voltados à organização de cursos próprios de história e língua chinesa.



