Aos poucos, a 45ª Semana Literária e Feira do Livro, promovida pelo Sesc PR em 27 cidades do estado, ganha forma. O site do evento vem sendo abastecido gradualmente, sendo que parte das datas com as atrações de Maringá foram cofirmadas nesta sexta-feira, 31 de julho. Vale lembrar que alguns nomes já tinham sido apresentados nas redes sociais do Sesc PR.
Na Cidade Canção, o premiado escritor Cristovão Tezza (de “O filho eterno”) é o protagonista do bate-papo “Ficções de si, escritas do mundo”, dia 11 de agosto, às 20h, no Sesc Maringá. Entrada gratuita. Classificação: livre.
Os limites do que vivemos e do que criamos estão cada vez mais fluidos. Neste bate-papo Cristovão Tezza investiga as “ficções de si” e sua conexão direta com a literatura que alcança o mundo. O encontro discute como a literatura contemporânea transforma o particular em um espelho da realidade coletiva. Afinal, narrar a própria história é também recriá-la?
Cristovão Tezza é romancista e professor. Nascido em Lages (SC) em 21 de agosto de 1952, mudou-se ainda criança para a Curitiba, onde construiu sua carreira literária e acadêmica. Publicou, dentre outras obras, o romance O filho eterno, um romance autobiográfico tocante que retrata a relação do autor com seu filho que tem síndrome de Down. A obra venceu os prêmios Jabuti, Portugal Telecom e Bravo! em 2008. É autor de mais de 20 livros de ficção, incluindo O Fotógrafo (2004), O Professor (2014) e o recente romance de memória Visita ao pai (2025/2026). Em 2026, recebeu o Prêmio Machado de Assis 2026, principal láurea da ABL, pelo conjunto de sua obra.
Aline Bei
No dia seguinda, 12 de agosto, às 20h, Aline Bei, também autora premiada, participa do bate-papo “ “Aos que existem sozinhos”, no Sesc Maringá. Entrada gratuita. Classificação: livre.
A frase “aos que existem sozinhos” é a dedicatória final que a escritora Aline Bei escolheu para o seu romance mais recente, Uma delicada coleção de ausências (2025). O tema reflete perfeitamente as discussões que suas obras propõem e que giram em torno da solidão, dos silêncios familiares e dos traumas invisíveis.
Neste bate-papo, abordaremos o conjunto de sua obra e como seus livros tocam no tema do isolamento e da perspectiva feminina a respeito das perdas, do abandono, da complexidade das relações familiares e afetivas, das memórias e das gerações.
Esta ação compõe a programação da 45ª Semana Literária Sesc & Feira do Livro, que tem como tema central “Tudo cabe na palavra”. A participação é gratuita e livre para todas as idades.
Aline Bei é escritora, graduada em Letras pela PUC-SP e em Artes Cênicas pelo Célia Helena, com pós-graduação em Escritas Performáticas pela PUC-Rio. Conhecida por sua prosa intimista, poética e experimental que foca em dores e afetos femininos, ela se destaca no cenário literário atual como um grande fenômeno de público e crítica. Lançou os livros O peso do pássaro morto (2017), que venceu o Prêmio São Paulo de Literatura e o Prêmio Toca; o romance Pequena coreografia do adeus (2021), que foi finalista do Prêmio Jabuti; e Uma delicada coleção de ausências (2025), focado em relações familiares entre mulheres de gerações diferentes.

Pedro Rhuas
No dia 13 de agosto, às 20h, está programado o bate-papo “A literatura não precisa ser importada”, com Pedro Rhuas, no Sesc Maringá. Entrada gratuita. Classificação: livre.
Após dois anos consecutivos de reconhecimento do talento brasileiro no Oscar, Pedro Rhuas convida o público para uma troca sobre a importância das referências nacionais para a construção da nossa literatura, além de pensar como as histórias produzidas no Brasil fortalecem nossa identidade.
Pedro Rhuas é escritor, jornalista, cantor e compositor. Crescido em cidades do interior do Rio Grande do Norte e do litoral do Ceará, traz representatividade nordestina e LGBTQIA+ para suas obras. Seu romance de estreia pela editora Seguinte, Enquanto eu não te encontro, foi o vencedor do Concurso de Literatura Pop (Clipop), originou um álbum musical homônimo e foi publicado também em Portugal pela Secret Society, selo editorial da Penguin Random House. Após o grande sucesso, publicou o romance O mar me levou a você, que soma, com o antecessor, mais de 100 mil exemplares vendidos. Além disso, Rhuas escreveu a novela O Universo sabe o que faz e é coautor das coletâneas de contos A gente se vê na parada e Finalmente 15.

Kaká Werá Jecupé
Em 14 de agosto, às 20h, tem o bate-papo “Identidade e representação na literatura para infâncias”, com Kaká Werá Jecupé, no Sesc Maringá. Entrada gratuita. Classificação: livre.
Toda criança tem o direito de se ver refletida nas histórias que ouve e lê. Vale a pensar: quais histórias estamos contando para as nossas crianças?
Para mergulhar nessa reflexão, convidamos Kaká Werá Jecupé, autor que cruza saberes e ancestralidades para discutir como a imaginação e o protagonismo literário podem combater estereótipos, alimentar os sonhos das novas gerações e semear infâncias plurais e cheias de orgulho. Uma conversa viva sobre o impacto das narrativas indígenas na formação dos pequenos leitores.
Esta ação compõe a programação da 45ª Semana Literária Sesc & Feira do Livro, que tem como tema central “Tudo cabe na palavra”. A participação é gratuita e livre para todas as idades.
Kaká Werá Jecupé é escritor, ambientalista, educador, terapeuta e conferencista indígena brasileiro. Viaja pelo Brasil e pelo mundo com palestras em países como Reino Unido, EUA, Israel, Índia e França — promovendo uma cultura de paz, respeito à diversidade e preservação ambiental. Ele também atua fortemente na defesa de uma educação que integre a ancestralidade e o respeito à natureza como pilares essenciais. Kaká é de origem ancestral do povo Tapuia, tendo sido também acolhido e batizado pela comunidade Guarani, com a qual desenvolveu profundos laços culturais e pesquisas. Ele é considerado um dos pioneiros da literatura indígena no Brasil. Suas obras são focadas em transmitir a cosmovisão, a filosofia, a história e os saberes ancestrais dos povos originários. Entre seus principais livros estão “A terra dos mil povos – história indígena do Brasil contada por um índio” (1998), “Tupã Tenondé” e “Tekoá – uma arte milenar indígena para o Bem-viver” (2024). Em 2024, conquistou o Prêmio Jabuti na categoria infantojuvenil com o livro “Apytama”.

Demais atividades
A Semana Literária Sesc em Maringá terá ainda oficinas, palestras, contação de histórias, outros bate-papos, apresentações artísticas e o lançamento da 11ª edição da Coletânea Sesc de Contos Infantis (dia 14 de agosto, às 16h).
A programação está no site do evento.
Tema
Trata-se do maior evento do gênero realizado de forma simultânea no Brasil que neste ano homenageia a escritora e poeta Adélia Prado. A temática de 2026 será Tudo Cabe Na Palavra e trará para as discussões e debates como: o amor e o cotidiano na poesia; o que o futebol pode revelar sobre literatura, memória e sociedade brasileira; a cultura brasileira na gastronomia; linguagem como espaço de criação, registro e transformação; paisagens de afeto e experiências do luto construídas pela linguagem; reflexões sobre a literatura como espaço de criação, escuta e encontro.








