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Documentário da cineasta Luiza Godoi será apresentado em Maringá dia 20 de junho; entrada gratuita

Por Redação O Maringá
12 de junho de 2026
Filme aborda toda a trajetória da cineasta Luiza Godoi, pessoa com Síndrome de Down, na construção do primeiro curta-metragem dela, "Lágrimas de um Pierrot"(Crédito: Marcelo Partala)

Filme aborda toda a trajetória da cineasta Luiza Godoi, pessoa com Síndrome de Down, na construção do primeiro curta-metragem dela, "Lágrimas de um Pierrot"(Crédito: Marcelo Partala)

Na segunda semana de junho, Apucarana e Maringá são palco do documentário “A Holandesinha”, filme que aborda toda a trajetória da cineasta Luiza Godoi, pessoa com Síndrome de Down, na construção do primeiro curta-metragem dela, “Lágrimas de um Pierrot”.

O documentário é produzido também por João Gabriel Kowalski e tem como um dos recortes centrais mostrar como Luiza enxerga de forma única o cinema, além de contar bastidores e desafios na criação do curta. As exibições ocorrem dia 15 e 17 em Apucarana, às 19h30, no Cine Teatro Fênix e Associação Download, respectivamente. Dia 20, é a vez de Maringá receber às 10h30, no Cineflix, o longa-metragem e, 15h na Sala Cine UEM. As entradas são gratuitas.

O documentário chega nas duas cidades após ser candidato na Mostra Mirada Paranaense, prêmio do Festival Olhar de Cinema, em Curitiba, voltado ao melhor filme do Paraná. “A Holandesinha” foi inicialmente pensada para ser “uma cinebiografia sobre a vida” de Luiza, mas logo tomou outros rumos. Durante o trabalho que começou há oito anos, João percebeu que mais “potente” do que a biografia era gravar todo o processo de criação do curta. O filme também é, na visão dele, uma forma de mostrar a capacidade de alguém que, muitas vezes, não possui oportunidades de demonstrá-la.

“A ideia do documentário surgiu em 2018, quando descobri que a Luiza sonhava em se tornar cineasta e que me via como uma referência dentro do cinema. Isso me emocionou profundamente, porque percebi ali não apenas um sonho, mas uma vontade genuína de contar histórias e ocupar um espaço que historicamente quase nunca foi oferecido para pessoas com Síndrome de Down”, explica João.

A construção do filme fez com que a cineasta se sentisse “honrada”, e ficou feliz pela equipe que esteve presente em todo o processo. Luiza fala que muito do trabalho que resultou na indicação pelo documentário é fruto do esforço do João e espera muita emoção das pessoas no festival.

“Ele me acompanhou em vários lugares e foi gravando tudo que acontecia. Foi vendo crescer em mim a vontade de ser diretora, além de roteirista de cinema. E a partir dali ele me orientou a fazer aulas de direção e roteiro. Ele teve muita paciência e muito profissionalismo. Eu não sei o que vou ver na tela, estou bem ansiosa, mas com certeza o João captou toda a minha essência e que ele não viu só uma pessoa com Síndrome de Down, mas uma pessoa que tem capacidade de realizar um sonho. Acredito que será uma exibição muito emocionante e contagiante “, afirma.

A obra é tratada internamente como uma “Documédia”, dadas as diversas partes que compõem humor e descontração. “Apesar de abordar temas importantes, o filme possui uma leveza muito própria. A personalidade da Luiza, o universo do curta que ela está dirigindo e as situações que surgiram ao longo das filmagens criaram momentos extremamente espontâneos e divertidos. Muitas dessas situações acabaram revelando um humor muito natural. A própria maneira como a Luiza conduz o set, se relaciona com a equipe e encara os desafios gera momentos que transitam entre o sensível e o cômico”, conta o cineasta.

Mesmo com tantos momentos leves, o objetivo do documentário é outro. O principal intuito é abrir caminhos e ser um incentivo para que mais pessoas – com Síndrome de Down ou outras deficiências – possam contar as próprias histórias através do cinema. João Gabriel afirma que esse ainda é um espaço “pouco acessível para muitos artistas”, e acredita que a produção “pode contribuir para ampliar esse debate e gerar novas oportunidades dentro do setor audiovisual”. “Existe uma tendência de enxergar pessoas com deficiência apenas pelas suas limitações, e o documentário tenta justamente romper com esse olhar. A intenção é mostrar indivíduos extremamente criativos, sensíveis e capazes de construir obras artísticas com identidade própria”.

Tal característica criativa, junto com o desempenho, apareceram também através de João Vitor de Paiva, ator com a Síndrome, que integra o curta “Lágrimas de um Pierrot”. “Durante as gravações, ele demonstrou uma entrega impressionante ao personagem criado pela Luiza, mergulhando de forma muito intensa no papel e se dedicando profundamente ao processo artístico. A relação entre os dois dentro do set mostra como existe talento, comprometimento e profissionalismo que muitas vezes acabam sendo invisibilizados pela sociedade”, comenta Kowalski.

Crédito: Marcelo Partala

Aprendizados e expectativa do público
Presente em boa parte do curta e, também, no documentário, a produtora Pollyana Boffe afirma que a convivência com Luiza foi um privilégio e aprendeu muito com ela.

“Foi muito interessante observar a forma como ela trabalhava com as pessoas, com os setores e como delegava as ideias dela, assim como foi também muito bonito observar a recíproca de trabalho de toda a equipe com ela. Foi uma troca muito bonita e genuína, que felizmente ficou registrada na obra cinematográfica. Desde a produção do documentário ‘A Holandesinha’ até agora, eu me peguei várias vezes comentando com o João sobre os métodos da Luiza no set e sobre como eles me trouxeram reflexão e aprendizado para o meu próprio processo e trabalho. Trabalhar com ela me ensinou muito sobre confiança, autenticidade e coragem criativa. A Luiza tem muito disso: uma confiança muito forte na própria visão”, conta.

Toda essa troca e esforço durante a produção faz com que os três entendam que o público terá uma recepção carinhosa com a obra.

“Acredito que o público vai viver uma experiência muito afetiva e humana. A Holandesinha possui momentos extremamente divertidos e espontâneos, então acho que o primeiro sentimento será o riso. Ao mesmo tempo, espero que o documentário deixe algo mais profundo após a sessão. Que as pessoas saiam inspiradas pela força criativa da Luiza, pela maneira como ela enfrenta desafios e pela paixão genuína que ela tem pelo cinema. De forma geral, torço para que o público consiga enxergar, através do filme, pessoas com Síndrome de Down para além dos estigmas e limitações que muitas vezes são impostos pela sociedade”.

Crédito: Marcelo Partala

Próximos passos
João conta que estão com diversos planos para além dessas apresentações em junho. “Paralelamente ao circuito de festivais, também estamos buscando uma distribuidora e possíveis canais ou plataformas interessados em licenciar o documentário, para que ele alcance o maior número possível de pessoas. Além disso, existe outro elemento muito importante dentro desse processo: o curta-metragem “Lágrimas de Um Pierrot”, dirigido pela própria Luiza. Nossa intenção é que o curta também tenha vida própria no circuito de festivais, principalmente em mostras voltadas ao curta-metragem e ao cinema independente”, finaliza.

A Holandesinha

Apucarana
Datas: 15 e 17 de junho
Horário: 19h30
Gênero: documentário
Locais: Dia 15, no Cine Teatro Fênix – Av. Curitiba, 1215 – Térreo – Centro, Apucarana – PR / dia 17, na Associação Download – R. Lapa, 233 – Centro, Apucarana – PR
Duração: 90 minutos
Classificação: livre
Ingressos: Entrada gratuita, sujeito a lotação

Maringá
Data: 20 de junho
Horário: 10h30 e 15h
Gênero: documentário
Local: 10h – Cineflix – Av. São Paulo, 1099 – Centro, Maringá – PR / 15h – Sala Cine Uem – Av. Colombo, 5790 – Zona 07, Maringá – PR
Duração: 90 minutos
Classificação: livre
Ingressos: Entrada gratuita, sujeito a lotação

Ficha Técnica
Direção: Luiza Godoi e João Gabriel Kowalski
Roteiro: Luiza Godoi e João Gabriel Kowalski
Produção executiva: Pollyanna Boffe e João Gabriel Kowalski

Elenco: João Vitor de Paiva – Albertinho; Heloisa Miranda – Melissa; Monique Aiko – Laura; Malu Reis – Ana Rosa; Amanda Malakovski – Claudia; Nicole Lopes – Fabiola; Mafê Trindade – Walquiria; João Reis – Comandante; Inês Demari – Senhora com o cachorro; Geovana – Aluna do banheiro; Hélio Henrique Corbacho Acosta – Diretor; Kowalski – Jack Serra e Faca; Olavo – Cachorrinho da Luiza; Laura Ibba – Cindy Laura
Assistente de Direção: Thiago Moura
Direção de Produção: Vagner Valério
Assistentes de produção: Álvaro Paes, Daniele Pasquini, Mariana Estrabelli
Direção de fotografia: Leandro Realista, Rafael Szalai, Sergey Komarov
Operação de Câmera: João Victor Pagnoncelli
Primeiro Assistente de Câmera: João Victor Pagnoncelli
Segundo Assistente de Câmera: João Pedro Jacomin
Gaffer: Ark
Luz e Maquinaria: Digu Hang e Danilo Cruz
Direção de arte: Josy Champion
Primeira Assistente de arte: Rebeca Marques
Segunda Assistente de arte: Giovana Tortolla
Terceiros Assistentes de arte: Guz e Aluísio Stuani
Contra Regra: Milton Júnior e Sidney
Figurino: Pollyanna Boffe
Primeira Assistente de Figurino: Amanda Albertoni
Segunda Assistente de Figurino: Cris Viana
Terceira Assistente de Figurino: Laura Ibba e Bárbara Peres
Maquiagem e caracterização: Eloise Gonçalves
Primeira Assistente de Maquiagem: Thamires Saboia
Segunda Assistente Maquiagem: Andreia Noma
Som direto: Ladislau Kardos e Bruno Bergamo
Trilha sonora, Mixagem e Desenho de som: João Alfredo Parisi Filho
Montagem: João Gabriel Kowalski
Coloração: Leandro Realista
Still: Marcelo Partala
Making of: Felipe IDX e Vinicius Brito
Cozinheira: Juliana Matias
Produção de Recursos de Acessibilidade: Raça Livre Produções
Legendas: Alessandra da Rosa Pinho
Tradutor e Intérprete de Libras: João Gabriel Duarte Ferreira
Roteiro e Narração da Audiodescrição: Serginho Melo
Consultoria em Audiodescrição: Felipe Mianes
Créditos Finais: Nat Okimoto
Assessoria: Ribamar Filho e Victor Santos (MercadoCom)

Tags: “A Holandesinha”CinemaDocumentárioMaringáSíndrome de DownUEM

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