Com valor recorde de R$ 2,67 milhões, o Fomento Aniceto Matti teve sua cerimônia de entrega dos certificados aos contemplados na edição 2025, em evento na tarde desta terça-feira, 11 agosto, na sala de reuniões da Prefeitura de Maringá.
“E também celebrar o principal elemento de incentivo à cultura dos artistas de Maringá”, disse o secretário municipal de Cultura de Maringá, Tiago Valenciano, à reportagem.
Segundo ele, o prêmio tem números históricos, contemplando 50 termos de fomento: destinação de R$ 2,67 milhões a projetos culturais; e 258 propostas inscritas. Além de R$ 27,7 mil, na soma total, aos corpo de pareceristas.
Segundo o secretário, o impacto do programa vai longe. “Quando olhamos a ficha técnica de um projeto, vemos 10, 15, 20 pessoas trabalhando. O recurso público passa por toda uma cadeia produtiva, com produtores, artistas, fotógrafos, técnicos de som e luz e diversas empresas. Não é somente a entrega do recurso, é toda uma economia da cultura sendo movimentada”.
Pela segunda edição consecutiva, os recursos são repassados sem retenção de impostos, permitindo que 100% dos valores previstos no edital sejam destinados aos produtores culturais. A medida amplia a capacidade de execução dos projetos, fortalece a cadeia produtiva da cultura e assegura à comunidade maringaense uma ampla programação gratuita nas áreas de artes cênicas, dança, música, literatura, leitura, artes visuais, audiovisual, patrimônio cultural, museus, memória, arte urbana e cultura popular.
“A gente tem muito mais compromisso local do que os grandes artistas que a gente acaba contratando”, diz Valenciano, destacando que o valor dos grandes shows via Semuc, alvo sempre de críticas, não chegam à soma total do Aniceto Matti no ano.
Por sua vez, o prefeito Silvio Barros recordou da criação do prêmio na sua gestão anterior à frente de Maringá e parabenizou os contemplados no Aniceto Matti. “Estamos batendo recorde de participação. Mais importante do que ter o dinheiro é ter gente interessada”.
E representando a classe artística, Eduardo Montagnari aproveitou para relatar que seu projeto aprovado é sobre Joubert de Carvalho, compositor brasileiro cuja canção “Maringá” inspirou o batismo da cidade. “Fiz e inscrevi esse projeto porque descobri que as pessoas aqui, de Maringá, conhecem do Joubert de Carvalho que ele é nome de rua”, explicando que pesquisou junto à população que circula pelo município. Assim, nasceu o projeto musical “Taí Joubert! A cidade que nasceu de uma canção”, referindo-se ao sucesso “Taí”, imortalizado na voz de Carmem Miranda.
O ator, diretor e produtor cultural Mateus Mosheta comentou que o fomento proporciona a descentralização da cultura em Maringá e amplia o acesso da população às atividades artísticas. “Esse movimento é resultado de anos de fomento, da criação de novos mecanismos de incentivo e do crescimento da produção cultural na cidade. Ter apresentações culturais em diversos espaços da cidade fortalece a economia criativa e amplia a circulação de artistas, produtores e públicos. Cada espaço tem sua identidade, sua linguagem e sua forma de atuar, mas essa união é muito importante para a manutenção e para a produção cultural”, argumentou, via PMM.
Segundo a Prefeitura, o Aniceto Matti se consolidou como o principal mecanismo municipal de incentivo à produção cultural em Maringá, com crescimento contínuo dos investimentos e do número de projetos contemplados. Em 2025, o investimento subiu para R$ 2,5 milhões, com 47 iniciativas contempladas. Já em 2026, o programa alcançou o maior valor de sua história, com R$ 2,67 milhões destinados a 50 projetos culturais.
Convite às Artes
Em relação à programação do Convite às Artes, que envolve apresentações com entrada gratuita de literatura, música, teatro, dança etc., Tiago Valenciano explica que esse projeto segue seu fluxo com as últimas apresentações entre agosto e setembro, em música e teatro. É o prazo final para fechar o edital atual, apelidado de “Convitão”, em função do valor acima de R$ 1 milhão.
“Ele [Convitão] deu uma pequena atrasada, porque muitos produtores esqueceram de mandar a documentação. É praticamente 1/3 dos selecionados. A gente reabriu essa fase. Foi um apelo da classe artística. Assim, atendemos os pedidos, reabrimos essa fase dos vencedores para dar tempo de mandar, porque se eles não mandassem os documentos, alguns lotes ficariam desertos, não teria vencedor”.
Flim
A 13ª Festa Literária Internacional de Maringá (Flim) ocorrerá entre os dias 14 e 18 de outubro, na Travessa Jorge Amado. Com o tema “A América é Nossa”, a edição de 2026 reunirá mais de 15 escritores nacionais e internacionais e reforçará o compromisso com a valorização da literatura, da diversidade cultural e da democratização do acesso à leitura.
Com maior investimento em relação à edição de 2025, a licitação da Flim está em mais de R$ 1 milhão, mas deve ter desconto, conforme avisa o secretário Tiago Valenciano. “Da contratação de grandes nomes nacionais, já passou de R$ 150 mil”. Vale lembrar que a Prefeitura já divulgou uma parte dos nomes confirmados, com destaque para Amara Moira, Auritha Tabajara, José Falero, Geni Núñez, Mel Duarte, Ryane Leão e a escritora venezuelana María Elena Morán, além de outros autores que representam diferentes gêneros, linguagens e perspectivas da literatura contemporânea.
Aliás, tem mais quatro ou cinco para serem divulgados em breve. “Estamos com 19 artistas nacionais na Flim, já fechados, contratados e aptos a serem divulgados. E estamos com mais três em fase final de negociação”, diz Valenciano.
Espaço aprovado em 2025, conforme o secretário, a Travessa Jorge Amado recebe novamente a programação da Festa. “A única diferença é que, nesse ano de 2026, a gente vai fazer a travessa toda somente com expositores. E os auditórios da Flim vão ficar do lado de lá do estádio”.
Uma reclamação de livreiros na edição do ano passado se refere aos vale-livros, que não foram utilzados em alguns estandes. Segundo Valenciano, esse problema foi solucionado com o ressarcimento, pois o vale acabou não circulando da melhor forma.
Virada Cultural
A Virada Cultural 2026 será nos dias 21, 22 e 23 de agosto, na Praça Raposo Tavares, utilizando o estacionamento ao lado do Terminal Urbano e fechamento de rua na região. Até o momento, foram divulgados os shows de Alceu Valença, no sábado, 22; de A Banda Mais Bonita da Cidade e Kiko Zambianchi, ambos no domingo, 23.
Haverá também artistas locais com música, teatro, dança, cultura popular e intervenções artísticas. A programação reunirá 19 apresentações em diferentes pontos da cidade, com atividades voltadas a públicos de todas as idades.
Segundo Valenciano, a edição de 2026 segue o mesmo padrão de 2025. “Fizemos uma Virada muito boa no ano passado, com Gabriel, o Pensador, Negra Li e artistas locais”, informando que a nova edição tem um investimento maior nos artistas, por conta dos cachês.
E a estrutura é a mesma, mas com mudança do local para tentar captar melhor as pessoas. Sem tapumes, com uma Virada totalmente aberta para todos.








