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‘Todo mundo pode fazer seu projeto em casa’, diz zineira e pesquisadora

Por Cristiano Monteiro Martinez
16 de junho de 2026
Juliana Monroy Ortiz, durante bate-papo na Zine Ingá (Crédito: Cristiano Martinez)

Juliana Monroy Ortiz, durante bate-papo na Zine Ingá (Crédito: Cristiano Martinez)

Radicada no Brasil há oito anos, a educadora colombiana Juliana Monroy Ortiz mora em Foz do Iguaçu (PR), onde pesquisa e produz zines, que é um tipo de publicação independente, feita de forma livre e artesanal. O zine (que vem de “fanzine”) pode misturar desenho, colagem e ideia no papel. Em visita a Maringá, Ortiz ministrou oficina e expôs na 2ª edição da Zine Ingá – Feira de Zines, ocorrida nos dias 13 e 14 de junho, na Coletiva Mostra Multicultural, na Zona 7.

“Todo mundo pode fazer seu projeto em casa”, diz a produtora à reportagem, referindo-se ao projeto editorial confeccionado de maneira doméstica. Aliás, Ortiz passou esse conceito aos alunos da oficina, os quais produziram modelos de zine expostos durante a feira de domingo, 14.

À frente da Lepisma Microeditora (“dispositivos editoriais, edição doméstica e autogestiva & tradução”), a editora colombiana trabalha com produção doméstica e traduções do espanhol para o português. Ela conta que hoje a produção zineira se tornou mais acessível que no passado. Dando seu próprio exemplo, ela relata à reportagem que comprou sua primeira impressora já usada e de um escritório, com um tone que rendeu muitos trabalhos. À época, a limitação era com o preto e branco da tinta. Mais recentemente ganhou um prêmio que possibilitou comprar uma máquina que roda em cores.

O universo zineiro é visto como alternativo, avalia, pensando também o circuito hispano-americano. “Eu tento produzir zines que sejam de custo acessível, para as pessoas poderem ler”, acrescentando que muito do material publicado em zines, de autores e traduções, não teria espaço em editoras convencionais (grandes, industriais, visando a lucro). “Para um autor jovem, que escreve seus poemas, para entrar no circuito tradicional teria de ganhar um prêmio”, exemplifica.

Por conta disso, a publicação de zines cresceu e possibilita também obras acessíveis a públicos que não teriam condições de comprar um livro. Além de dispositivos esteticamente interessantes, completa Ortiz. “O cenário da edição está se transformando em criação de coletividades e de novos horizontes”. Já em termos de impressão, os títulos independentes costumam ter tiragens pequenas e pontuais.

Ortiz também participa de um coletivo de tradução e edição artesanal ligado à extensão da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), o Paqueletra. Ela é mestra em literatura comparada e doutora em literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Zines da Lepisma Microeditora (Crédito: Cristiano Martinez)

Bate-papo e estande
Durante a 2ª edição da Zine Ingá, Juliana Monroy Ortiz participou de dois bate-papos: um sobre as oficinas, com presença de alunos e da oficineira Natasha Tinet (Curitiba), sob medição de Ana Favorin; outro a respeito de editoração e circulação de zines, coordenado por Érica Paiva Rosa.

Já no espaço de expositores, Ortiz apresentou seu trabalho em um dos estandes. A zineira colombiana levou seus ensaios traduzidos, que abarcam autoras da Argentina, México, Chile e Estados Unidos. “É um pouco do meu horizonte de trabalho”, explica a convidada, destacando que precisa conciliar a tradução com o ofício de professora.

Uma das novidades de seu acervo é um “mini zine” produzido com uma criança, abordando a relação de animais e seres humanos.

Zine exposto durante a feira em Maringá (Crédito: Cristiano Martinez)

O que é
O termo zine deriva de fanzine, ou “revista de fãs”, e designa publicações artesanais produzidas de forma independente. Desde os anos 1970, esse formato vem sendo utilizado por artistas brasileiros, principalmente aqueles em início de trajetória ou fora do circuito editorial tradicional, como uma ferramenta acessível e de baixo custo para experimentação criativa autoral, circulação de ideias e construção de redes de troca entre artistas e público.

Em suas páginas, encontram espaço diferentes linguagens, como poesia, fotografia, ilustração, colagem, letras de música e outras expressões artísticas.

Ficha Técnica
A 2ª Zine Ingá é uma realização da PR Educação e Cultura e Coletivo Pé Vermelho

Equipe de Produção:
Coordenação Geral e Curadoria: Érica Paiva Rosa / Produção Executiva e Coordenação Financeira: Pedro Marques / Curadoria, Mídias e Mediação: Ana Favorin / Mídias: Mariana Gil / Produção Audiovisual: Gabriel Brunini / Assessoria de Imprensa: 2 Coelhos Comunicação e Cultura

A Zine Ingá é uma ação cultural produzida com Recursos de Incentivo à Cultura
Lei Municipal de Maringá nº 11899/2024
Fomento Aniceto Matti

Crédito: Cristiano Martinez
Tags: Coleativa Mostra CulturalfanzineFoz do IguaçuMaringáUnilaZine Ingá

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