Uma série de deslizamentos de terra atingiu áreas próximas à fronteira entre China e Nepal em 26 de agosto, depois do colapso de uma geleira em uma região montanhosa do Nepal. O desastre provocou graves danos, deixou um elevado número de vítimas e levou os dois países a ampliar a cooperação em operações de emergência, monitoramento e prevenção de novos riscos.
Segundo especialistas citados no relatório, o evento começou com a ruptura de uma geleira no Monte Langtang Lirung, no Nepal, a aproximadamente 5.200 metros de altitude. A queda de gelo e rochas desencadeou uma avalanche que avançou pelas encostas e se transformou em um grande fluxo de detritos.
O material percorreu cerca de 100 quilômetros, de acordo com informações atribuídas ao Serviço Geológico dos Estados Unidos. A energia associada à ruptura da encosta teria sido equivalente a um terremoto de magnitude 5,2.
Desastre avançou rapidamente
A velocidade com que o fenômeno se desenvolveu dificultou a emissão de alertas. O pesquisador Austin Lord, do Stimson Center, avaliou que sistemas tradicionais de monitoramento, normalmente preparados para inundações de monções e rupturas de lagos glaciais, podem não conseguir antecipar eventos dessa natureza.
O desastre atingiu áreas dos dois lados da fronteira e também provocou operações emergenciais no território chinês.
No Nepal, as autoridades enfrentaram dificuldades adicionais devido ao terreno montanhoso, às condições meteorológicas adversas e aos danos provocados em estradas e pontes. Algumas localidades ficaram inacessíveis por terra, aumentando a dependência de helicópteros e equipes especializadas.
China envia equipes e equipamentos ao Nepal
Diante da emergência, a China enviou especialistas para apoiar os trabalhos de busca e salvamento no Nepal. Entre os profissionais estavam equipes especializadas em resgates em túneis e identificação por DNA.
Além do apoio financeiro, Beijing enviou três remessas de materiais de emergência. Os carregamentos incluíram drones, equipamentos e reagentes para identificação genética, sistemas de purificação de água, equipamentos de iluminação, barracas, cobertores, câmaras frigoríficas para necrotérios, trajes de proteção e equipamentos de comunicação via satélite.
Segundo autoridades nepalesas, os especialistas chineses estiveram entre as primeiras equipes internacionais a chegar ao país após o desastre.
O apoio foi reconhecido pelo governo do Nepal. O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, agradeceu a assistência chinesa durante o período de crise.
Resgate enfrenta obstáculos nas montanhas
As equipes de emergência encontraram um cenário complexo para avançar nas áreas afetadas. Lama, enchentes, estradas destruídas e instabilidade do clima dificultaram o deslocamento dos profissionais.
A disponibilidade limitada de helicópteros também restringiu as operações aéreas. O relevo acidentado do Nepal e as mudanças rápidas nas condições meteorológicas reduzem o período diário em que as aeronaves conseguem atuar com segurança.
As buscas em túneis também precisam obedecer a limites de segurança. De acordo com as informações apresentadas, cada missão nesses locais não pode ultrapassar duas horas.
Mesmo diante das dificuldades, as equipes continuaram avançando para regiões que não podem ser alcançadas facilmente por veículos convencionais.
China e Nepal ampliam compartilhamento de dados
A resposta ao desastre também intensificou a cooperação entre China e Nepal nas áreas de meteorologia, recursos hídricos e prevenção de desastres.
Após o evento, a China passou a fornecer ao Nepal atualizações diárias de informações meteorológicas, hidrológicas e relacionadas às geleiras por meio de mecanismos de compartilhamento de dados.
As autoridades dos dois países também realizaram consultas meteorológicas por videoconferência. A Administração Meteorológica da China forneceu informações obtidas por diferentes sistemas de observação, incluindo dados de satélites meteorológicos das séries Fengyun-3 e Fengyun-4.
O sistema chinês MAZU, baseado em inteligência artificial e voltado à previsão e ao alerta meteorológico, também foi utilizado para fornecer produtos de monitoramento.
Segundo Khanal, o compartilhamento de dados de satélite e informações de monitoramento ajudou as autoridades nepalesas a acompanhar possíveis riscos secundários e manter as equipes em alerta.
Mudanças climáticas entram no debate
O desastre também reacendeu discussões sobre os impactos das mudanças climáticas em regiões de alta montanha.
China e Nepal compartilham o ecossistema do Himalaia e estão expostos a riscos associados à transformação das paisagens montanhosas. O governo nepalês defende que a questão climática deve ser tratada como uma responsabilidade compartilhada pela comunidade internacional.
Khanal afirmou que o Nepal não pretende buscar isoladamente uma compensação climática de um país específico. A posição apresentada é pela busca de mecanismos de compensação no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e do Acordo de Paris.
O pesquisador Dan Shugar, da Universidade de Calgary, destacou que as áreas montanhosas do Himalaia estão passando por transformações relacionadas às mudanças climáticas. Segundo ele, a comunidade internacional precisa ampliar os esforços para reduzir os riscos e aumentar a capacidade de adaptação das populações que vivem em regiões vulneráveis.
O episódio na fronteira entre China e Nepal, além de mobilizar uma ampla operação de emergência, reforça a necessidade de sistemas de monitoramento cada vez mais integrados e de cooperação internacional para enfrentar desastres em regiões de alta montanha.







