Jogando com um jogador a menos desde o primeiro minuto e com posse de bola que não passava de 30%, o Botafogo provou na tarde deste sábado, 30, qie está vivendo o melhor momento de sua história, alcançou sua mais importante vitória ao bater o Atlético por 3 a 1 na decisão brasileiríssima da Libertadores e chegou à Glória Eterna para o delírio de sua torcida.
Nas principais capitais brasileiras milhares de botafoguenses se juntaram em estádios para assistir juntos, por telões, a partida inédita para um dos mais tradicionais times brasileiros. O mesmo foi feito por torcedores do Atlético Mineiro, embalados pela excelente campanha de seu time na Libertadores.
Esta foi a primeira decisão entre dois times agora comandados por SAFs – Sociedade Anônima Futebol.
A competente formação carioca alcançou a glória sobretudo por ter tido tranquilidade, força psicológica e inteligência para se reorganizar depois de perder Gregore aos 40 segundos de jogo por acertar o rosto de Fausto Vera com as travas de sua chuteira. No ataque, fez a diferença o talento de Luiz Henrique e sua conexão com o argentino Thiago Almada.
Foi do atacante um dos gols que asseguraram a vitória e o troféu continental, que não foi erguido pelo Atlético porque os mineiros não souberam aproveitar a superioridade númérica, tiveram um ataque ineficiente e marcaram mal no primeiro tempo inteiro
No segundo tempo o Atlético dominou o jogo, até diminuiu a vantagem, mas cansou de perder gols.
Sem vencer há 11 jogos, o Atlético perdeu sua segunda decisão em uma semana. Perdeu a Copa do Brasil para o Flamengo e agora cai diante de outro carioca.
O campeão sul-americano vai disputar em Doha, no Catar, o Mundial de Clubes, agora chamado de Copa Intercontinental. A estreia é contra o Pachuca, do México, em 11 de dezembro, três dias depois do fim do Brasileirão.
O título também garantiu o Botafogo no Super Mundial, novo torneio organizado pela Fifa nos Estados Unidos com a presença dos mais poderosos clubes do mundo, como Real Madrid e Bayern de Munique, além de Palmeiras, Flamengo e Fluminense, os outros representantes brasileiros.
Luiz Henrique é o protagonista
Desenhou-se um cenário desfavorável ao Botafogo depois que Gregore levou o vermelho aos 40 segundos por acertar as travas da chuteira no rosto de Fausto Vera. Mas a equipe que nunca conquistou a Libertadores se comportou como se fosse a maior campeão continental.
Sem precisar que o técnico fizesse qualquer substituição para reorganizar com apenas 10 jogadores, o time carioca se ajeitou e pouco sofreu com um a menos. Equilibrado e inteligente, manteve a cabeça fria, jogou como se estivesse tudo normal, valendo-se do protagonismo de seus principais atletas, Thiago Almada e Luiz Henrique.

Luiz Henrique foi o protagonista da primeira etapa. Ele abriu o placar aos 34 na primeira vez em que os cariocas foram ao ataque. Teve sorte, é verdade, depois que o chute de Marlon Freitas bateu em Junior Alonso, e a bola se ofereceu limpa para ele. Mas teve também calma e competência para estufar as redes em chute cruzado.
Minutos depois, Luiz Henrique, em outra rotação em relação à frágil marcação atleticana, sofreu pênalti de Éverson que o árbitro argentino Facundo Tello só marcou após rever o lance no monitor do VAR. Alex Telles cobrou com competência e fez vibrar os milhares de botafoguenses no estádio do River Plate.
Apesar de ter mais do que o dobro de posse de bola, o Atlético estava lento e falhando muito no ataque, o que o obrigou o técnico Gabriel Milito a fazer substituições.
Um dos que entraram, Eduardo Vargas estava no lugar certo para reduzir a diferença botafoguense com um “cabezazo”, como gritaram os narradores argentinos ao descreverem o gol do atacante chileno no primeiro minuto do segundo tempo.
Depois de reduzir a diferença, o Atlético pressionou para chegar ao empate e assim empurrar a decisão para uma prorrogação ou uma disputa por pênaltis. Mas, o Botafogo soube se defender e, quando podia, também atacava.
“Vou festejar”
Foi assim que, já nos acréscimos, Júnior Santos fez o terceiro e foi decretada a festa, com invasão antes do apito final.
A tarde em Buenos Aires era do Botafogo e de seus torcedores, que tiraram da garganta um grito entalado por quase três décadas. A estrela solitária do Glorioso enfim voltou a brilhar. Os mais de 20 mil botafoguenses cantaram “Vou Festejar”, dos compositores Jorge Aragão, Dida e Neoci Andrade, um dos maiores sucessos de Beth Carvalho, para celebrar. O calvário acabou, começou a festa.

ATLÉTICO-MG 1 X 3 BOTAFOGO
- ATLÉTICO-MG: Éverson; Lyanco (Mariano), Battaglia e Junior Alonso; Gustavo Scarpa (Vargas), Alan Franco, Fausto Vera (Bernard) e Guilherme Arana; Hulk, Deyverson (Alan Kardec) e Paulinho. Técnico: Gabriel Milito.
- BOTAFOGO: John; Vitinho, Barboza, Adryelson e Alex Telles (Marçal); Gregore, Marlon Freitas e Thiago Almada (Júnior Santos); Luiz Henrique (Matheus Martins), Savarino (Danilo Barbosa) e Igor Jesus (Allan). Técnico: Artur Jorge.
- GOLS: Luiz Henrique, aos 34, e Alex Telles, aos 42 minutos do segundo tempo. Vargas, a um, e Júnior Santos, aos 51 do segundo tempo.
- ÁRBITRO: Facundo Tello (Argentina).
- CARTÕES AMARELOS: Lyanco, Battaglia, Fausto Vera, Alex Telles, Thiago Almada, Igor Jesus, Hulk, Vitinho.
- CARTÃO VERMELHO: Gregore.
- PÚBLICO E RENDA: Não divulgados.
- LOCAL: Mâs Monumental, em Buenos Aires, na Argentina.
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