A Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada há 128 anos por um escritor negro, elegeu nesta quinta-feira, 10, a primeira mulher negra como membro: a escritora, dramaturga, roteirista e publicitária Ana Maria Gonçalves foi eleita para a cadeira que ficou vaga com a morte de Evanildo Bechara.
Ana Maria Gonçalves é mineira de Ibiá, tem 55 anos e é autora, entre outras obras, de “Um defeito de cor” (Record), que conta a trajetória de uma menina nascida no Reino do Daomé e capturada como escrava aos 8 anos, até a sua volta à terra natal. O livro, multipremiado, inspirou o enredo da Portela para o carnaval 2024. A personagem principal é inspirada em Luísa Mahin, uma das lideranças da Revolta dos Malês.
Além de Ana Maria e Eliane, disputavam a vaga Ruy da Penha Lobo, Wander Lourenço de Oliveira, José Antônio Spencer Hartmann Júnior, Remilson Soares Candeia, João Calazans Filho, Célia Prado, Denilson Marques da Silva, Gilmar Cardoso, Roberto Numeriano, Aurea Domenech e Martinho Ramalho de Melo.
Dia histórico a eleição de uma escritora negra
“É um dia histórico. É uma mulher negra que espero que entre na academia fazendo uma grande ‘descendência’. Nós temos aprendido tanto com o feminismo negro e a Ana é uma grande representante desse grupo de pensadoras, desse grupo de intérpretes do Brasil. É uma alegria para a ABL receber agora minha comadre — que já o era antes — e autora de um livro que desfilou na Sapucaí, é um dos livros mais importantes desses 25 anos”, disse Lilia Moritz Schwarcz, que entrou na ABL em 2023.
“[Ana Maria Gonçalves produz] uma literatura de muito fôlego, muita potência. A casa se sente agradecida a vida por ter nos mandado a Ana. Representa que estamos vivos, permanecendo ativos nesse contexto variado de diversidade, muitas e de todos os tipos, étnicas, culturais, as religiosas, etc”, disse Gilberto Gil, eleito para a academia em 2021.
Para o presidente da ABL, Merval Pereira, Ana Maria “é uma das maiores escritoras brasileira dos últimos anos”.








